Vide Bula

Tomar… Engolir… Tomar… Engolir…

Já se sentiu um comprimido desnecessário a alguém? Uma medicação cuja dosagem se torna prejudicial? Em que você não se vê como uma cura, mas sim como o regresso de um vício cativo dentro de um ser.

Sou um ser comprimido. Embalado e consumido por estômagos doentios.

Talvez essa colisão entre o mundo doente e o sadio seja cada vez mais próxima.

Eu me sentia na base de ser a cura de alguém. Mas ficava rígida quando me deparava com seu consumo exagerado. Assim sendo, eu me retirava, me afastava, prescrevendo a essas relações uma outra dose, uma nova cura. Pois eu, eu não consigo curar ninguém.  Não me sinto nessa capacidade tranquilizante de salvação.

Sinto-me uma dosagem perigosa, cuja experimentação levaria várias estruturas (corpos) à morte.

Sinto ser o veneno, só o veneno que você prega os olhos para saborear e nessa loucura acha-me um ser que tenta te libertar das suas dores. Porém você me traga de forma errada, consumindo seu próprio vício.

Isso lhe parece saudável? Só é instantâneo e fugaz. E o que você ganha com uma cura tão efêmera?

Um respeito de vivacidade? Não! Tentar viver de um placebo é descobrir que toda aquela salvação era morte e contradição é descobrir que no final que você se viciou.

Fico pensando o quanto cicatrizei pessoas por dentro, sim! Engolir-me sem ter a necessidade os fez criar úlceras. Essa ambição nas pessoas de acharem que tudo é questão de auto dopar-se para nunca morrer de amor acaba se tornando a sua própria falência. E nessa questão o primeiro órgão a parar de funcionar é o coração.

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Foto de perfil de Myra Soarys

Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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