Temos em cada um de nós um coma particular

Perceber quanto o silêncio tido por fora poderia me desequilibrar por dentro me fazia lutar pela minha vida. Mal sabiam que eu fagulhava por dentro e que mesmo debilitado eu realizava caminhadas internamente, no desejo de que eu chegasse a algum lugar (talvez eu nunca chegasse).

O poder que um pedaço nosso pode dar a outro é existencialmente harmonioso. Porém eu queria ainda alimentar a minha fome de viver por si só.

Um sono profundo, um sono mal discutido que eu desejo acordar. Mas existem pregas nos meus olhos e na minha alma que me seguram nessa situação.

Ao discutir o que eu desejaria, sei que almejaria que minha face sorrisse para o mundo, que os meus braços amassassem de amores os meus amores e que minhas pernas dessem longas passadas para um futuro.

Permanecer nesse meu silêncio ocasionado por alguns problemas do destino, sei que me fez adormecer deste para outro mundo.

Perdi a noção de mover-se nesse meio, sentindo unicamente o desvio do meu eu comigo mesmo.

Sentir-se inútil, imprestável, me faz querer ser a precisão da vida de alguém. Contudo, há muitos pensando na minha melhora existencial. Quanto tempo se valeria esse dia chegar? Não saberia eu lhe dar uma resposta concreta.

Pergunto-me se adormecesse agora, poderia em si acordar no corpo de alguém, sendo seus olhos, sendo seus batimentos. Meu corpo, ou em si alguma parte dele, faria pertencente a outros corpos. Melhorando-a com um pedaço da minha existência.

É uma decisão de querer viver, mas ao mesmo tempo manifestar a revolta e perceber que acumulo espaço, e que sou somente uma estrutura paralítica.

Não sei se suporto a dor de ir (de alguma forma eu já fui). Acho que não existe essa dor, tudo é superficialmente distante. Uma volta para essa vida eu tenho que me contentar que não posso. Ou até posso, se eu souber encaixar-me nas outras almas humanas aqui existentes.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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