Suicida

Há momentos que o nosso tempo parece não nos pertencer. De alguma forma, eu faço do meu um prazo limitante. Sempre encurtamos o “prazalisar” dessa variação constantemente, existe o nosso dia (morte), porém quando não respeitamos – e não respeitei -, causamos uma desordem a nosso modo.

Não desejar que o dia chegue como uma causa aceitável e natural do destino, não nos pertence. E foi assim que delineei o meu fim em abusivos momentos.

Olho no espelho e circulo num perfil nada intragável e tragável tudo ao mesmo tempo. Tento me absorver, mas me inundo, me encharcando a alma e me perguntando até onde me manterei sob meu comando. Porque sei que haverá o fim do meu equilíbrio.

Abastece-nos uma dor que se enraíza no nosso mundo interno e que se cultiva o pior dos males. Tentar me cobrir com o que não me cabe no corpo. Sempre anunciei para mim mesmo que essas vestes me sufocavam, esmagando minha pele para o suicídio. Não me satisfaz respirar no tempo do meu tempo, tentar entender a dança da morte que me embala o corpo, anunciava numa depravada, envolvente e doentia insanidade de tê-la comigo, meu desejo é de ir (morrer).

Pareço não sentir pertencente a esse espaço, de alguma forma esperava mais, o que não faz me cobrir de satisfação total. Tenho os meus risos (pessoas), minhas companhias (projetos). Porém, quando me perco, tudo me ataca, me desfigurando a entrar numa infelicidade constante, me fazendo decair para uma deprimente relação com o não existir (morte).

Volto para a promiscuidade da minha vida e nada me surpreende. Falta-me o que não encontro, me deixar “despreenchida” de algo que não me completa, isso me fez morrer.

Talvez eu tenha vindo a este mundo no tempo errado. Talvez eu queira nascer de novo, e para isso necessito descansar (morrer).

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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