Star Wars – Uma Nova Esperança e a Jornada do Herói

Não é surpresa para todos que Star Wars é um enorme sucesso. Nós temos atualmente oito filmes e duas séries animadas, uma grande quantidade de jogos eletrônicos e uma diversidade enorme de livros expandindo o universo. Mas vamos voltar em uma era onde nada disso existia. Onde existia apenas um diretor não muito conhecido que tinha feito dois filmes: American Graffiti e THX-1138. Nessa época, não existia Star Wars. Não havia bonecos, nem jogos eletrônicos, nem oito filmes. Apenas um projeto feito por esse diretor, George Lucas. Star Wars, sem nenhum subtítulo, apenas Star Wars como era chamado na época, foi lançado em 1977 e trouxe ideias revolucionárias. É algo a mais do que um faroeste no espaço e também possui suas peculiaridades e algumas diferenças do seriado de televisão lançado 11 anos antes, Star Trek. Star Wars trabalha temas como a luta entre o bem e o mal, o lado da luz e o lado sombrio, mas mais do que isso ele trabalha com a jornada do herói. Ambientado em uma galáxia muito muito distante, Star Wars nos traz personagens alienígenas, droides e uma briga ideológica e física entre o Império Galático e a Rebelião. É um novo Universo idealizado por George Lucas.

Mas por que gostamos tanto de Star Wars? Por que ele é tão aclamado e adorado por milhares de fãs? Bom, isso só tem como saber analisando o filme. Para começar, Star Wars começa oferecendo uma aventura de um herói. Desde a Grécia Antiga sabemos o quanto isso é emocionante de se assistir e ler. O filme começa com uma explosão e a música de John Williams começa a tocar. Bem grande está escrito em amarelo, STAR WARS. E as letras vão subindo, coisa que se tornou um ícone na série. Esse formato de episódios foi inspirado pelos filmes do Flash Gordon, que eram exibidos em formatos de séries no cinema. A seguir disso, começa o texto explicando o que está acontecendo no momento. Isso é incomum nos filmes, mas em Star Wars ele te faz ter uma noção primeiro do contexto do que está se passando, do Império e da rebelião, sobre o que aconteceu antes do filme, no caso, os espiões roubaram os planos da Estrela da Morte. É como se já estivessem exibido um outro episódio antes e esse é o próximo. Mas naquela época, não havia Rogue One. Era apenas Star Wars. Depois de explicar o contexto principal do Universo, as letras somem e a câmera foca apenas no espaço. De repente, temos a clássica cena da nave rebelde fugindo da nave imperial. Por algum motivo, conseguimos distinguir entre o bem e o mal. Sabemos que aquela nave pequena fugindo da nave grande é a dos rebeldes. A nave do Império é tão poderosa e potente que nos primeiros segundos na tela já nos faz entender a história toda. O Império é grande e domina a galáxia, a Rebelião é pequena e luta contra o Império e a sua opressão.

Aqui é o que começa o que eu chamo de Prólogo. O filme poderia muito bem ter começado com os dois droides que caem no planeta Tatooine, mas George Lucas decidiu fazer essas cenas antes. Aqui estamos cientes do problema e somos apresentados para dois personagens muito importante na série. Nós vemos soldados rebeldes se preparando para receber o que está prestes a entrar na porta que, misteriosamente, está sendo aberta. E então somos apresentados aos stormtroopers, os soldados do Império Galático. Podemos fazer um comentário e falar um pouco sobre os Stormtroopers. É notável como eles são desumanizados, iguais e extremamente fiéis. Eles não possuem vontade sem ser a do Império. Não conseguimos nos apegar a eles, pois eles não tem rostos humanos. São unidades de combate. Mas no outro lado, nos soldados Rebeldes, nós enxergamos a ansiedade, o medo, a coragem e todos os outros sentimentos. Entendemos melhor o conflito entre o Império e a Rebelião. E após a essa cena, temos a entrada triunfal do vilão da série, Darth Vader. Todo de preto, com uma capa e uma máscara, ele entra em cena. O Império está atrás dos planos da Estrela da Morte. Percebemos que Darth Vader não poupa esforços em obtê-los. Mas então também somos apresentados a Princesa Leia e aos dois droides R2-D2 e C-3PO que aparecem antes. A Princesa Leia passa adiante o problema e a missão e coloca os planos dentro de R2-D2 e no meio da disputa, os dois droides entram em uma cápsula de fuga e partem para o planeta deserto com o objetivo de ir para a base rebelde entregar os planos. Bem a tempo, pois Vader consegue tomar o controle da nave e capturar a Princesa. No diálogo entre Vader e Leia, nós também tomamos conhecimento que existe um Senado Galático, este, que minutos depois irá ser absolvido pelo então misterioso Imperador, em uma cena que estão reunidos Vader e os outros na Estrela da Morte.

Então, os droides fogem e a Princesa Leia é capturada. Nós conhecemos o vilão, o conflito e o objetivo. Agora, a história irá se desenrolar em Tatooine, onde iremos ser apresentados ao herói da história, o jovem Luke Skywalker. Nessa sequência torna-se nítido a Jornada do Herói em Luke Skywalker. Ele começa sendo um simples fazendeiro, com problemas de fazendeiro. Ele se preocupa com a colheita, em entrar na Academia, coisas simples. É o chamado mundo comum, ele não está ciente do conflito, do problema dos planos da Estrela da Morte, embora esteja ciente do universo em que ele está contido. Ele sabe que existe um Império, que existe uma Rebelião. Mas o nosso herói não se encontra capaz de fazer nada. Ele aceita o Império e prefere se preocupar mais com seus assuntos de fazendeiro. O chamado para o problema começa quando ele se depara com os dois droides. Os droides que cairam no planeta desértico foram capturados por uma raça chamada Jawa e estão vendidos. É então que Luke e o seu tio compram justo os dois droides. Por falar em droides, é engraçado como eles tem sentimentos, sentem dor e até mesmo tem desejos. São seres conscientes mesmo. Então, com os dois droides, é revelado uma mensagem da Princesa Leia que estava no R2-D2. A mensagem apenas dizia para procurar o General Kenobi, a última esperança. Luke então fica curioso e há um conflito entre ir atrás desse Kenobi ou ficar em sua fazenda. É então que o droide decide ir atrás do Kenobi sozinho e Luke não tem outra escolha se não ir atrás dele. Nessa parte é nos apresentado o mentor, o guia de Luke e temos o outro passo da Jornada do Herói. Ben Kenobi é uma pessoa extremamente experiente e um sábio. A mensagem era para ele. É ele que tem que explicar o lado místico e o poder da Força para Luke, além das origens de seu pai, morto por Darth Vader. Também é nessa cena que o problema é apresentado: os planos da Estrela da Morte, a única esperança, a Força, ir para Alderaan, se tornar um Jedi e enfrentar o Império. Uma escolha precisava ser feita. Entramos na parte que o herói está ciente do problema, mas ele não aceita enfrentar o problema. Então ele retorna para sua casa e encontra seus tios mortos pelos stormtroopers que estavam procurando ele. Nessa cena, vemos que Luke não tem outra alternativa a não ser aceitar o chamado da missão e embarcar na missão de levar o droide até Alderaan. Ele então faz a escolha de se tornar um cavaleiro Jedi e junto com o Ben Kenobi, C3PO e R2D2 eles partem para o espaço porto de Mos Eisley. No espaçoporto, eles encontram outro personagem peculiar. Han Solo, o pirata, o contrabandista, o mercenário. No decorrer do filme, iremos ver o crescimento de Han Solo e, diferente do que o nome Solo fala, ele vai parar de pensar nele mesmo e se juntará a causa da Rebelião, assim enfrentando o Império Galático.

Han Solo é apresentado como um mercenário egoísta que está com problemas com outros mercenários, como Jabba, the Hutt. Ele é introduzido como o personagem que ajuda o herói em sua jornada. É com ele que somos introduzidos também a dois ícones do universo Star Wars: Chewebacca e a Millenium Falcoon, uma nave poderosa e veloz que atinge o hiperespaço. Chewbacca, um alien da raça wookie, é o parceiro fiel de Han Solo e talvez a única pessoa que o mercenário se importa no momento. Mas isso mudará quando o caminho deles, Han e Chewie, se cruzam com o caminho dos nossos já mencionados heróis. Com a missão de ir para Alderaan, o grupo parte de Mos Eisley. Aqui temos um tempo de tranquilidade, no qual é utilizado esse tempo para desenvolver o relacionamento dos personagens, pois Star Wars é muito sobre amizade e relacionamentos. Em paralelo a isso, temos imagens da Princesa Leia presa na Estrela da Morte. Temos o Tarkin interrogando ela e ai que somos apresentados a poderosa arma de destruição em massa da Estrela da Morte. Em um tiro implacável, tal arma destroi o planeta Alderaan, para o descontamento de Leia. E é um pouco depois desse momento que os nossos heróis a bordo da Millenium Falcon chegam nos restos de Alderaan e são pegos pelo raio trator da Estrela da Morte que os prende em seu interior. O grupo então tem que ir desligar os raios tratores e cabe a Ben Kenobi fazer tal tarefa. Nessa sequencia dentro da Estrela da Morte, é onde as ações principais do filme se desenrolam. Luke e Han Solo trabalham juntos pela primeira vez se disfarçando de Stormtrooper, C3PO e R2D2 mostram que são inteligentes ao enganar os Stormtroopers, temos Ben Kenobi passando de um canto para o outro sem ser visto, como um Jedi sorrateiro e desligando o raio trator, e é claro, talvez o ponto principal: nossos heróis sabem da existência da princesa Leia e vão resgatá-la. Mas a Princesa Leia não é nenhuma dama em perigo. Ela nunca foi. A personagem tem uma personalidade forte e sabe atirar também. Tem ideias ousadas e de fato em uma situação em que Han Solo, Chewie, Luke Skywalker estão encurralados, ela toma uma decisão rápida e eficiente e os dois escapam pelo compactador de lixo. Após R2D2 salvar eles do compactador, o grupo parte em direção a Millenium Falcoon, agora liberta do raio trator. Mas é nesse momento, minutos antes de entrar na nave, que temos o épico duelo, o climax: Darth Vader contra Ben Kenobi. O Mentor de Luke contra o principal vilão da série. Os dois usam sabres de luz e é o primeiro combate de sabres de luz que vemos. É um duelo equilibrado entre os dois, mas após Ben ver Luke, o Mestre Jedi decide se deixar ser acertado e se sacrificou. Espantosamente, Ben Kenobi não morre, mas seu corpo desaparece. Com a imagem de seu mentor morrendo, Luke cria uma conexão quase que espiritual e também isso faz crescer um sentimento de carinho por Ben. Pois ele se sacrificou para distrair Darth Vader, para poder voltar como fantasma e para motivar Luke a ir em frente. O grupo então escapa e Leia os leva para o planeta Yavin 4, onde existe uma base da Aliança Rebelde.

E é nessa base que o ato final começa. Os Rebeldes, agora com os planos da Estrela da Morte, bolam um plano para destruir a arma suprema do Império. Esse é o momento do confronto final entre o bem e o mal, entre os Rebeldes e o Império. Os Caças X-Wings devem penetrar nas defesas da Estrela da Morte e disparar dois torpedos em buraco para atiginr o reator principal causando a explosão da Estrela da Morte. E é isso o que acontece, com uma cena cheia de ação e emoção, o esquadrão de X-Wings penetra nas defesas da Estrela da Morte e Luke Skywalker, usando a Força, consegue disparar com sucesso dois torpedos no buraco, causando então a destruição do Império. Após isso, nós temos o final da jornada do Herói, onde o herói recebe a recompensa, fica mais forte com a jornada, está mais experiente, mas a situação se normaliza. Não há mais confronto ou perigo. Simplesmente o herói, junto com seus itens adquiridos e amizades, permanece em paz.

Mas o que é notável aqui nessa parte, é que Star Wars tinha elementos para uma sequência com dois pontos principais. O primeiro é que Luke não usou o sabre de luz que ele ganhou de Ben Kenobi que pertenceu ao seu pai. Como sabemos, no cinema se um objeto é mostrado e mencionado, ele deve ser utilizado. Caso contrário, é um objeto inútil. O outro ponto é que Darth Vader não morreu, mostra a nave dele disparando para longe, mas ela não explode. O vilão principal não foi derrotado. A história permite-se a ser continuada.

Contudo ao mesmo tempo que tem um gancho escondido, nós temos um final fechado. Os heróis triunfaram sobre o mal. Até entendo o George Lucas. Ele fez um filme e se não fosse possível que ele tivesse sequência, bem, teria que ser apenas um filme. E esse filme é Star Wars, com um final que parece que o Império nunca mais aparecerá.

Mas a pergunta é: por que gostamos de Star Wars? Bom, George Lucas quis contar um conto de fadas, um mito. Inspirado pela Jornada do Herói de Campbell, ele cria um universo em uma galáxia muito muito distante. O herói é alguém comum, um simples fazendeiro que acaba destruindo o Império, se tornando peça fundamental de um esquema galáctico. É uma história sólida de um mito que, mesmo com recursos já utilizados várias vezes, nós nos impressionamos e gostamos. Pois é um universo que conta a mesma história, mas de um ângulo diferente. Faz com que sentimos que qualquer um pode ser Luke Skywalker. Assim, nos apegamos mais com o personagem principal. Também é um universo fantasioso, é um conto de fadas, é algo puro. Não há palavrões. É o clássico mito que combinado com uma nova galáxia rica em detalhes, personagens e sua própria mitologia, criam uma opera espacial muito bem produzida.

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Bruno

Estudante de Bacharelado em Física pela Universidade Federal de Pelotas e amante de jogos eletrônicos.

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