Sobre o Rebirth nosso de cada dia

por Fábio Fleck


São tantos os assuntos, momentos e até sentimentos que nos tomam por estes dias, que poderíamos pensar em várias situações diferentes para expor em uma reflexão ou até mesmo uma crítica e entre estes assuntos, seria impossível deixar de tocar sobre o tema da política, menos ainda, quando estamos a poucos dias de um possível evento de grandes proporções e que terá um efeito considerável na vida de todos aqueles que residem por aqui em nosso país e em uma situação inédita.

Poderia tomá-lo como base, mas como a proposta vai além de uma análise, vamos tentar distanciar um pouco mais os olhos, podendo olhar para a mesma situação, porém de mais longe ainda, fazendo assim um afastamento ideológico e de proximidade com os recentes acontecimentos, para que desta forma, possamos, talvez, ter uma visão mais ampla daquilo que se quer dizer e mostrar aqui.

Sempre estamos em ciclos, em nossos ciclos. Sempre iniciando, finalizando e renascendo. Sempre começando e recomeçando e este ciclo constante de situações temos por toda a vida. É mais uma vez um recomeço. Se bom ou ruim, é necessário que cada um avalie e mesmo o próprio recomeço, pode ali adiante mudar de novo e assim sucessivamente. Quando embarcamos no fim, há um clima de euforia e até certa esperança. Já quando começamos, pode haver um sentimento de tentar fazer tudo certo, tentando fugir dos erros e daquilo que não nos trazia satisfação no ciclo anterior. E assim sendo, o futuro não deixa de ser bem incerto.

É como dito em Rebirth: “Cooling breeze from a summer day. Hearing echoes from your heart.Learning how to recompose the words.Let time just fly”.Recompor. Reiniciar – até em palavras.
Pode ser um grande erro tentar reinventar a linguagem, ou usá-la de forma a tentar elucidar um “mistério”, fundando uma seita ou um clube, dividindo assim pessoas em: enganados e não enganados. Cabem aí distinções. “Uma só ousia, para várias hipóstases”.

O filósofo americano Arthur Dano, ao tentar caracterizar a filosofia por meio da análise do tipo de pergunta que os filósofos levantam, fornece um bom indicativo para quem quer saber a respeito da abordagem filosófica: “Um problema não é genuinamente filosófico a menos que seja possível imaginar que sua solução consistirá em mostrar como a aparência tem sido tomada pela realidade”.
A abordagem de Danto parece ter a pretensão de obter lucro tanto da posição crítica como da posição terapêutica.
Danto não diz que o filósofo mostra o que é a realidade para o homem comum, para o cientista para o religioso que, por ventura, estariam enganados e vivendo em um mundo de meras aparências ou mesmo ilusões ou ideologias. Ele não se compromete com aqueles que conferem à filosofia um poder de “tirar o véu” dos olhos de todos os outros que enfim, seriam inferiores, presos ao chamado “senso comum” e a formas ingênuas de pensar. A observação de Danto não coloca o filósofo em um altar, conferindo-lhe poderes que outros não têm. A linguagem que fala de nós e do mundo e o mundo e nós mesmos como temas da linguagem e neste espaço há o que pode ser um engano (Ghiraldelli Jr., Paulo A Aventura da filosofia de Parmênides a Nietzsche / Paulo Ghiraldelli Jr. – Barueri, SP: Manole, 2010. P. 8). 
Bourdieu, nos mostra que: “Contra a ideologia carismática segundo a qual os gostos, em matéria de cultura legitima, são considerados um dom da natureza, a observação cientifica mostra que as necessidades culturais são o produto da educação”.
O viés cognitivo em conjunto com paixões e, torcidas e necessidade de apegar-se a uma ideia como algo indiscutível, insuperável e inquestionável, não deixa de ser a infantilização de nossas relações sociais. A repetição de situações e termos como tentativa “pedagógica”, vai na contramão da educação, ao contrário, não visa buscar uma independência intelectual, mas sim, justamente uma dependência de defesa.
É necessário notar que é comum chegarmos a isso não só no que temos visto recentemente, mas em diversos outros assuntos. Parecemos todos: “lodgers of lunacy”.

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