Restam-me 50, restam-me 30, resta-me um dia, morri…

“E se a ti fosse dado o livro da sua vida?

Constando o tempo de vida que teria para produzir feitos ou desaproveitar caminhos. Como o organizaria para não o despedaçar em erros? Cometeria vontades sadias, ou se suicidaria as loucuras das suas pretensões? Convidaria o mundo a ser seu? Ou você seria do mundo? Compraria a felicidade ou inventaria a sua própria receita?

Eu teria 50 anos para saber viver…

50 anos, seriam os dias mais loucos meus vividos ou não. Eu saberia que morreria aos 50, eu saberia que encontraria a felicidade de algo ou não, eu teria de experimentar todos os sabores da vida ou não, caberia a eu saber administrar o meu tempo em mãos.

Então meu corpo corria contra o tempo para tentar saciar-se.

Tentar não! Eu teria de saber aproveitar cada dia como se fosse o último. Porque de alguma forma, se mal utilizado, eu estaria a perder um dia com o nada qualquer, com o insuficiente.

Saberia que uma parte do meu tempo eu jogaria para os lobos do trabalho, e outra parte para obter objetos, sonhos, vontades pagáveis, que me trariam as vastidões da felicidade material. Por seguinte saberia que isso é fantasia para o corpo externo, isso me vestiu, me cobriu por um tempo, mas meu prazo estava a se encurtar.

Agora tenho meus exatos 40 anos para ser aproveitados antes da minha despedida deste mundo. Tudo era tão desesperador tão loucamente despreparado, havia dias que me perdia em não saber o que alcançar, e o dia voava das minhas mãos, e eu chorava em desespero por ter de alguma forma me matado.

A loucura da vida me possuía e eu me destroçava, me fazendo surtar, pelo fato de pensar, e se eu não for capaz de encontrar o motivo da minha vida nesta vida?  Morrer era doloroso ao ponto de morrer insignificantemente, morrer com prestígio era ter vivido calorosamente sadio. E eu necessitava a cura da morte.

Nesse período de tempo analisando as minhas frustrações de organização, eu sabia que havia perdido um tempo milagroso.  Agora me restavam 30 anos. Tinha estabelecido uma profissão, conquistado meus bens de consumo, mas eu desejava bens de consumo internos, bens de consumo de alma.

Necessitava de preenchimento que o trabalho não me proporcionava.

O tempo passou… Eu não alcançava a altura dos olhos da perspectiva motivadora que eu tanto almejava, tal perspectiva se mantinha exageradamente longe das minhas pupilas quase mortas.

Eis que eu sabia que o fim estaria próximo, e me consumia de apreensivo por não saber me colocar em ordem, amanhã poderia ser meu último despertar. E o meu tempo foi consumido em somente trabalhar e pagar contas embriagar-me, zoações fantasiadas de felicidade passageira.

Eu não conseguia manter um laço perfeito, eu mal sabia fazer laços, então optei por escolher botões do acaso, controlava em manter alguns fechados porem os mesmos se despregavam da minha curta existência. Nesses acasos de botões, minha camisa ficou aberta e minha nudez a mostra. Nenhuma linha foi capaz de fazê-los presos a mim.

E a morte a eu foi despejada na minha manta carne, e me consumiu para o outro lado. Não marquei o mundo, não marquei pessoas, não construí nada.

Somente senti meu livro da vida vazio, por consequência minha por não ter exigido mais de mim.”

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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