Primeiramente, (vírgula)… (reticências).

Heleno Flores Terra

Primeiramente, gostaria de lembrar-te, caro leitor, este texto é única e exclusivamente escrito para seres humanos. Que m####! Começamos mal.

Primeiramente, eu sou um “qualquer coisa” e você também. Não me venha com teorias sobre a vida, sobre o universo, sobre como ser saudável e tudo que não diz nada, afinal, ninguém sabe nada sobre a totalidade de alguma coisa.

Primeiramente, o ser humano é um animal social, mesmo que seja antissocial. Aprende-se uma moral em qualquer cultura, mesmo que ninguém tenha a audácia de tentar torná-la ética.

Primeiramente, a arte é um alívio ou um instrumento de autodestruição. Sabe-se da finitude desse plano terrestre, pensa-se em prolongar a mísera existência, mas a cada momento esforçamo-nos para antecipar a partida.

Primeiramente, tudo é inútil e só o prazer vale de alguma coisa – não me refiro a ser libertino. A virtude a qual nos parece coisa de erudito, é apenas um modo de enxergar a realidade – o que é a realidade? – de uma forma particular.

Primeiramente, o que é mais complexo e, diga-se de passagem, infinito: a capacidade cerebral ou o cosmos? Pois é, somos infinitos dentro da finitude. Se eu pudesse dizer algo sobre qualquer coisa, diria que é um – ou dois – paradoxo(s).

Primeiramente, máximas – ou mínimas – não resolvem nada – ou tudo. Decerto, contemporaneamente, é-se camaleão, por comparação. Anda-se devagar, olhares independentes, língua comprida e ligeira no bote, sem contar a capacidade de se camuflar. Os inquilinos que fazem parte de cada um de nós, tornam-se públicos.

Primeiramente, a contradição, ou melhor, o paradoxo, parece imanente ao que diz respeito ao ser humano, isso se dá, talvez, pelas necessidades provocadas por diferentes situações. Se as pessoas devem ter raízes ou não, não sei. Honra? Até que ponto justifica uma conduta?

 Primeiramente, implicitamente, a chantagem “rola solta”. Todos querem convencer o próximo sob a égide da sua verdade. Diabos! Para quê? Estamos condenados a nossa própria desgraça de qualquer forma.

Primeiramente, para que escrevo essas linhas todas, se não concluo qualquer que seja a p#### da ideia e logo depois digo tudo de forma avessa, mas precisa sempre tirar conclusão? A conclusão é a morte! – ou não.

Primeiramente, clichês devem ser valorizados como se fossem sempre a primeira vez, senão fica tudo morno, mas talvez alguém goste de morno.

Primeiramente, sobre as respostas, todos inventam uma. Mas se quiseres saber – ou chegar próximo de saber – quem é uma pessoa, seja quem você não é. Oras, crueldade! De qualquer forma, julgamentos das pessoas pelas pessoas haverão, contudo, não traia a si mesmo.

Primeiramente, pare, sente-se, sinta, pense.

Primeiramente, respire, suspire, conheça-te e aprimore-se. No meio do caminho serás feliz sem perceber ou preocupar-se com a b#### da felicidade.

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