Preocupações

Vagando pela casa dias atrás, escutando de longe minha mãe gritar para sentar à mesa, porque senão a comida iria esfriar, olho pela janela e vejo uma mulher fula da vida porque uma criança tinha ido na terra, se sujara toda e estava passando pela calçada para entrar, logo quando a mulher, há pouco, havia lavado, como faz todos os dias. A menina devia ter uns três anos.

Nesse momento, despertando-me para uma reflexão sobre a modernidade, viro-me para o outro lado e vejo na rua um jovem analisando com afinco o para-choque do seu carro, pestanejando algumas palavras de baixo calão, ouço: “Tem que matar esses ‘filhos da p***’”. Logo embarco em uma crise de valores.

Nesse mundo, tem gente pra tudo. O que me preocupa, são as preocupações. Tem gente que se preocupa em escolher o que vestir, o que comprar, o que comer. Tem gente que faz um escândalo (sarcasmo) porque tem gente que não tem onde dormir, onde morar, o que perder.

Escuta-se buzinada para todo lado no trânsito, oras meu amigo motorista, o pedestre demora, no mínimo, o dobro para chegar no mesmo lugar que o seu, mesmo que você pegue engarrafamento; o idoso não tem culpa de estar debilitado e caminhar devagar, são as limitações da vida.

A menina aos três anos de idade, só quer brincar, se divertir; ensine-a, explique a ela o porquê, mesmo que pareça difícil dela entender, mas agredi-la (verbalmente) pelo motivo de ser “doente por limpeza” tenho certeza que não resolverá em nada a situação.

Se eu assisto ou não a série que ‘todo mundo’ acompanha, oras, diz respeito a mim, assim como a roupa que eu visto, o celular ultrapassado que cumpre com suas funções e me satisfaz, o carro velho que tenho e que por sinal me leva a todos os lugares.

Ao mesmo tempo que a sociedade nos torna pessoas individualistas e egoístas, nos preocupamos mais com a vida dos outros do que com a nossa própria; de repente damos conta que o tempo passou, não é mais hora de “querer ser quando adulto”, começamos a trabalhar já pensando na aposentadoria, o tempo passa mais um tanto e aí depois, morremos.

Nessa realidade onde todos têm relógio, mas ninguém tem tempo, perde-se o sentido virtuoso da vida. Como já dizia um sábio professor que tive a satisfação de conhecer: “As pessoas só querem saber de beber, comer, dormir, transar e futebol, depois morrem e no dia seguinte ninguém se recorda dela”.

Pode ser que essa minha preocupação, para tantos, não faça a mínima diferença devido às divergentes preocupações. E aí surge mais uma: Se a morte é (o possível) fim, por que se preocupar?

Mario Sergio Cortella deixa sua provocação em seu livro intitulado “Qual é a tua obra?”.

Então eu lhe questiono, estimado leitor, quais são suas preocupações?

IMAGEM: Pitura de António Mendanha (recorte).

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Foto de perfil de Renan Peruzzolo

Renan Peruzzolo

Reside em Concórdia - SC; Graduando de direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Interessa-se por assuntos referentes à Ciência Jurídica, Filosofia, Ciências Sociais, Economia, Relações Internacionais, Geopolítica, História e Psicologia/Neurociência.

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