Parada para a vida

Meu percurso, meu destino se mantinha nos trilhos, há quanto tempo? Não me faça essa pergunta, seria desnecessária.

Lá estamos nós, sentados, esperando nossa chegada a um destino do qual tentamos descobrir.

A passagem, essa tem custos, valores aos quais mantemos em privatização total. Cada um ali sabe o quanto pagou pelo destino traçado, porque quem ali está já apontou o dedo para o seu futuro.

Tudo isso é interno conduzido a um destino fantástico ou desnecessário a nós.

Somos os senhores do nosso tempo. Castigam-se os que pedem para de alguma forma estacionar-se (fixar-se) na primeira saída (destino), castigam-se por não ter a estrutura necessária para aproveitamento do caminho dado a si, exige-se ousadia para quem desce de primeira sem ao menos aprecia a paisagem do bonde.

Ouvimos o som da chegada, eis de algumas descidas breves e curtas como se houvesse pressa de vivê-la, muitos se despedem dos que ficam.

Eis que lá estão presentes outros com seus olhares vividos de esperança ou com uma visão monótona de preocupações. Lá eu me mantinha sentado na primeira fila, à direita, esperando o som da minha chegada (destino, futuro), a duração do movimento do transporte da minha vida era continuo, mas havia pessoas que se levantavam na agonia cessante de descer, porém eu não, não me precipitaria nessa pressa, não me precipitaria com tanta preocupação que ao final de todos os meus (fardos) se desgraçaria na tragédia. Eu tinha me precipitado da pior forma possível de embriagar-se tanto na lentidão da minha ida que não percebi a colisão do meu fim, era somente eu embutida numa cadeira solitária ao meu redor o vazio me comia com os olhos do arrependimento sem que me desse conta.

Eu não sei o que fazer do meu corpo sem movimento, todos se foram menos eu, o que quero? Não sei, quem sabe colidir com tudo, minhas preocupações, minhas revoltas, minhas dores, minhas frustrações e não fazer sonhos, e não criá-los, perder-se em meio aos entulhos dessa máquina.

Infelizmente eu não podia mais parar o tempo a minha volta, pois sozinha eu estava, não haveria freios que diminuíssem o fim da chegada, eu só poderia fechar os olhos e dormir até o meu fim e colidir com o desconhecido.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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