Os filhos do Silêncio – A beleza de não entender

Quando vivemos em meio a razão, utilizamos esta ferramenta para entendermos o mundo, e o que não é encaixado na razão é descartado. Mas existe uma beleza escondida em não compreender. É uma espécie de almejar tão somente a expressão, dispensando o entendimento. Há uma beleza escondida na contemplação. Não entender é uma maneira de entender, entender nossa limitação e repousarmos nossa alma no silêncio que inunda nosso ser.

Então, somos levados a apreciar o fascínio de não entender. O amor, por exemplo, sobrevive é de mistério, no qual há ausência de  palavras  e a vida passa a ser revestida de silêncio. Surge, então, o inacabado, que é uma maneira tão bonita de mostrar nossa fragilidade, de mostrar nossa impotência, nossa limitação, onde entregamos os pontos, como  se por um instante, a luta que marca nossa sobrevivência estivesse entrado em estado de trégua.

O tempo nos ensina que o amor é amigo do silêncio, ele sobrevive de “querer dizer”, numa frustrada busca de transformar em palavras o que se aloja no coração. Interessante perceber que o amor verdadeiro não é conceitual, ele não passa por conceitos, pela linguagem. O amor é melhor entendido sem palavras, sem explicações. É também fundamental entender  que o amor vem antes do toque. Como diria Pe. Fábio de Melo: “Acredito que você prefere ser olhada de um jeito certo do que beijada de qualquer jeito”.

O amor nos cura do intelectualismo que busca a tudo explicar e nos convida a nos aproximarmos da vida das pessoas para confortá-las,  indo até a profundidade da alma do outro e permanecer ali, ao lado do coração que sofre. É o amor que envolve na presença que protege e cura.

É bonito entender  a importância do silêncio, ele nos diz muito, sem falar nada, e acabamos percebendo que,  no meio disto tudo,  crer é uma maneira bonita de dispensar explicações. Nas palavras de Fernando Pessoa “Existe no silêncio tão profunda sabedoria, que às vezes ele se transforma na mais perfeita resposta”.

Imprimir

Compartilhe:

Foto de perfil de Matêus Ramos Cardoso

Matêus Ramos Cardoso

Natural de Sombrio, Santa Catarina, 34 anos. Filósofo. Escritor. Palestrante. Especialista em Ética e Ciências da Religião. Pós-Graduando em Sociologia e Antropologia. Ênfase em Teologia da vida espiritual. Ênfase em Filosofia, nas áreas de Filosofia da Educação; Ética; Antropologia Filosófica; Filosofia da Ciência; Tópicos de Filosofia Contemporânea; Filosofia da Religião; Técnicas de Redação; Existencialismo, Pragmatismo. Ênfase Sociologia Clássica e Teoria Sociológica Contemporânea, Racionalização, Modernidade, Pós-modernidade, Contingência e Técnica. Ênfase em temas como: O papel do Professor; Compreensão e crítica do estilo de vida pós-moderno. A reflexão dos problemas de saúde mental sob a ótica da Filosofia e Sociologia. Reflexão sobre a morte. Os riscos da modernidade. Educação Contemporânea. A cultura do narcisismo. Sociedade do Consumo. A religião e o ateísmo. O trabalho na pós-modernidade. Possui 24 artigos publicados, 6 artigos escritos no ano de 2016 e em 2017 escreveu 2 livros, totalizando 4 livros escritos, mas não publicados.

Pular para a barra de ferramentas