Opiniões e Opiniões

por Douglas Alan Ferrari

Por sermos um ser social por essência, as nossas opiniões e/ou pensamentos são compartilhadas através da interação social, diálogo, narrativa, escrita e etc… Sempre voltada ao “outro”. Este texto é relacionado principalmente a opinião política e de certo modo, a educação. Também um texto opinião sobre opiniões. 

Desde 2015 muitos uma parcela considerável de brasileiros passaram da acomodação política ao debate político e ideológico, iniciaram a exposição de suas perspectivas e crenças políticas, sejam elas feitas por: reflexões próprias, estudos e assimilação ou adquiridas de outras e apenas reproduzidas.

Há claramente um embate ideológico renascendo e muitas opiniões são expostas de vários modos, seja através de debates, conversas, diálogos, por meio de suas redes sociais e através de mídias como a internet, por exemplo. Mas, não é somente o embate político que gera opiniões, quaisquer assunto em que refletimos, parece uma necessidade intrínseca ao ser humano “ter uma opinião”. Até aí tudo bem, mas o empecilho disto tudo é quando expressamos opiniões errôneas como se fossem verdades.

Muitas pessoas simplesmente vêm, ouvem ou leem algo de forma tão superficial e já saem expressando uma opinião com características prontas, superficialistas e com um caráter de verdades absolutas. Neste ponto, devemos redobrar a atenção e nos recordarmos ou buscar na história de nossa civilização para percebermos que muitas de nossas verdades absolutas (dogmas) foram desmistificados sistematicamente, e hoje já não acreditemos nestes. Um exemplo de verdade absoluta foi a Terra plana e a consideração de que éramos o centro do Universo.

Bom, mas o que isso tem haver com o que este texto anseia por refletir? Tudo! afinal, justamente o fato de que nós não vivemos em um mundo onde há verdades absolutas e há a faliabilidade humana, mostra-nos que não devemos defender uma opinião superficial, circular, auto-confirmatória, sem verificá-la através do ceticismo, ou seja, ao fazer isso podemos facilmente cometer erros, e sermos reprodutores de opiniões erradas, preconceituosas e com discursos de ódio.

O que se tem sido observado nas redes sociais e nas opiniões de massa é justamente o fato de que as pessoas (ingênuas), tem opiniões prontas sobre assuntos em que são ignorantes, literalmente ignorantes, ignorantes porque elas ignoram, não leem, não conhecem, mas tem uma opinião formada principalmente sobre aquilo que elas não entendem.

Estas pessoas costumam ter medo, ódio daqueles que imaginam ser seus “inimigos”, e expressam opiniões carregadas de preconceito, xenofobia e ódio. Na iminência de alguém que pensa diferente, estas alegam não entender porque o outro pensa diferente, e acha que o problema é com o outro. Estas, demonizam alguns campos do conhecimento, por serem ignorantes e não serem capazes de fazer uma crítica mais complexa, estas copiam e passam adiante as opiniões de alguns outros “formadores de opinião” igualmente ignorantes, simplesmente repetem as ideias como se fossem suas. (Parágrafo embasado em FONSECA, 2015).

O lembrete que nos fica acerca deste breve texto é: Antes de formar opiniões e/ou ter opiniões sobre opiniões, busque ler, estudar e conhecer. Não devemos reproduzir de maneira simplista pensamentos já identificados como errôneos pela humanidade. E se você se encontrar diante de uma opinião em que você errou, admita o erro e corrija-se, não há nada de errado em fazer isso.

Observo que os que são mais criteriosos nas tomadas de opiniões, justamente pelo fato de pensar e por receio de ter alguma opinião incoerente sobre algo, são os que menos se manifestam. Os que demoram mais para expressar suas opiniões e mesmo assim, ficam fazendo autorreflexão. E isso é extremamente saudável, aliás, evita que incoerências e discursos de ódio sejam repassados a diante. A dica é, seja criterioso, e quando for expressar sua opinião não recorra à ignorância.
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