Onde buscar o sentido da existência?

Cleison Lucas Bonamigo[1]

O homem, sendo o único animal dotado de racionalidade, tem consciência da finitude da existência e isso, diferentemente dos outros animais, o leva a indagar-se acerca do sentido da vida e do que há post mortem. Essas preocupações, aliadas à ideia de como foi o surgimento do gênero humano, passam a ter sentido somente quando o homem abdica de sua suposta superioridade e inteligência e se apega em uma crença. Nesse ponto, vamos discutir algumas ideias.

Ninguém vive sem a crença em algo superior, essa afirmação não é utópica e nem falsa. Vejamos, desde os primórdios da humanidade, a crença foi responsável por explicar aos homens o que é o mundo, como ele funciona e como deve-se viver nele para alcançar a salvação. Deus, Javé, Alá, Zeus, Thor ou Júpiter, a lista de deuses é infinita, todos com aparência e características concebidas de acordo com cada cultura e todos com essa mesma competência, orientar a vida humana na Terra.

Porém, chegamos em um tempo em que a autoridade divina é subjugada pelo conhecimento humano, e então Deus “morre” e a religião passa a ser vista como o próprio “pecado”. O homem, com sua sabedoria, sua ciência e seu método passa a ocupar o lugar de Deus, dizendo por si próprio as “verdades” sobre o mundo. A sociedade deixa de lado as indagações metafísicas e passa a observar sob uma única ótica racionalista, concebida como meio para separar de vez o homem de Deus.

Ocorre que a ciência não foi capaz de garantir ao homem a completa independência do divino, da fé, e hoje, nos vemos diante de uma sociedade adoecida, fragilizada, liquida, sem sentido para sua efêmera existência, ou melhor, com já previu Nietzsche, uma época em que nem a razão, nem a religião seriam capazes de dar sentido à existência humana, e o homem como é incapaz de viver sem uma “muleta existencial” tornar-se-ia um solitário caminhante rumando para o nada.

E nessa caminhada, que facilmente observamos por aí, o homem procura suas “muletas”, seja por meio do consumismo desenfreado; do seguimento das “modinhas”; seja por meio da submissão à uma ideologia, que nada mais é, de acordo com Geertz, do que uma religião com outras vestes; ou por meio de tantas outras “muletas”, criadas pela sociedade e com o aval do indivíduo para ser seu “apoio existencial” e dar algum sentido à sua vida.

Assim, a sociedade está se tornando cada vez mais carente de afeto, de respeito e dos valores morais intrínsecos, que estão se extinguindo; e as relações sociais estão se dissolvendo, abrindo espaço para uma existência solitária e leviana. Portanto, não podemos ver a religião com os maus olhos que o dogmatismo científico nos impõe, pois ela é um importante meio para dar sentido à existência de muitas pessoas. Deixaremos aqui, para finalizar, a dúvida: Qual é a sua muleta existencial?

[1] Acadêmico de Direito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC).

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Cleison Lucas Bonamigo

Cleison Lucas Bonamigo, nascido em 1998, acadêmico de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc Joaçaba. Interessado em Direito, Música, História, Política e Psicologia.

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