Olhos jantados

Fotografia: Lee Jeffries (recorte)

Existem pratos comuns aos quais não me sinto apta a saciar, não digere o que procuro, não mostra sabor que almejo encontrar. Há pratos de fome, mas em si não me refiro a legumes nem verduras, nem exatos arroz e feijão.

O que encontrei foram os melhores sabores dentro dos olhos de alguém. Sim, sabia que há cardápio de olhos? Uma lista de variedades, sabores doces, escândalos de saciedade, repletos de mistura de verdades.

Entre seus trejeitos, não me continha em saborear de garfo e faca, me fazia pegar-lhe com as mãos, me fazia lambuzar.

Não me continha em deixar de beber a sopa de seus olhos quando lhe beirava na face do seu prato. Certas vezes aqueles saborosos olhos deixavam saltar um escorrer, que os fazia inundar. E eu me fazia de faminta, mais e mais. Não deixava cair pra fora de si a sopa lagrimosa que despencava e eu a bebia como um acompanhante.

Haviam olhos que vazavam, muito mais que outros, talvez por consequência de receberem suas porções a mais que pudessem suportar. Não desejava isso. Daqueles olhos jamais. Aqueles olhos mereciam ser jantados dignamente.

Claramente meu pecado era ser maliciosamente cobiçosa por seus olhos, meu maior pecado era assaltá-los diariamente pra sucumbi-los e os consumi-lo. Minha gula me perdoe, mas que sabor que os tens, o jabá não me serve, a maça não me traz esse sabor, essa salivação que, ao contrário, seus olhos me fazia farta.

Eu sei que podemos falar falsas verdades sobre nós mesmos, podemos transferir a nós um personagem maligno e podre, porém os olhos jamais. Eles não omitem a mentira, eles não omitem a loucura da verdade, eles não se deixam se perder pela cegueira.

Esses olhos me convenciam de saboreá-lo. Antes mesmo de muitas bocas sobre mim, esses olhos me admiravam muito mais em visão do que muitas bocas com suas palavras enforcadas. Seus olhos gritavam, mas que muitas bocas que sussurraram o vazio das suas mil palavras.

Bocas são bocas, as quais podem facilmente atrair e basear-se numa falsa conquista. Porém os olhos, unicamente eles abrem as portas de si para você, não contrariando a nada, somente liberando a você acesso à verdade.

Existe sim a falha, que pode ser desvendada, ao decair das suas manipuladas feições. Os olhos daquele não se cuspiram falsidade que nem a brava boca de muitos. Boca é inimiga maligna repleta de pessoas dentro dela, podemos ser o ser o rei ou a dama, a flor ou o cravo, a bala ou o revólver.

Alguns olhos nos fazem serem invisíveis, outros nos fazem ter visão, outros nos fazem ser a visão e outros nos carregam dentro deles. No momento desejava ser tudo mais próximo, mas era pensamento, os via longe, mas os desejando por perto.

Não existia maior verdade sobre esses olhos, do que eu já mais vira.

E esses olhos que perseguem essas linhas aqui escrita, o que dizem? O que carregam ou o que escondem?

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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