O Nosso Endereço Cósmico

De polo a polo, dos lugares mais desérticos e quentes aos mais molhados e frios, a humanidade já esteve e explorou. Em alguns lugares, começando como um pequeno vilarejo e se expandindo, o ser humano se fixou e começou a cultivar a área. Esses lugares mais tarde, e após vários eventos como revolução, guerra, devastação e construção, se tornaram cidades. O ser humano foi conquistando cada vez mais pedaços de terra e como um treinador de cães domestica um cão, o ser humano domestica a terra e dela tira alimento, minerais e uma superfície para suas construções.

Há seres humanos em todos os lugares, com suas sociedades, sistemas e culturas, mas o que prevalece é a soberania das pessoas na terra. Nós conseguimos manipular a natureza à nosso favor, criar e destruir coisas conforme a nossa necessidade. O ser humano conseguiu ser a espécie dominante na Terra: nenhuma outra espécie conseguiu competir. Assim nos tornamos os Senhores da Terra. Mas será que tais Senhores são mesmo Senhores? Onde a Terra está habitada? Onde nós moramos?

O Planeta Terra

Nós vivemos em cidades bem organizadas se pararmos para pensar. Há uma coleta de lixo, saneamento básico, comércio e lugares para cultura. Vivemos em casas dentro de bairros que são um conjunto de lugares dentro de uma cidade. Por sua vez, a cidade está dentro de estados e esses, por sua vez, estão inseridos dentro de um país. E em um pedaço de terra, há vários países que formam um continente e todos os continentes que contém os países, estados, cidades, bairros e casas, formam o planeta Terra. Mas o que podemos pensar sobre nosso próprio planeta? O que ele tem de tão especial? Um planeta com a capacidade de gerar vida já se torna muito especial. Imagina então vida inteligente? Nosso planeta tem 4,5 bilhões de anos aproximadamente e está na exata posição onde a temperatura do planeta não é tão alta que faz com que a água evapore e nem tão baixa que faz com que a água congele.Estamos no ponto exato onde conseguimos ter água líquida naturalmente.

Se não bastasse isso, nós temos um bom escudo: nossa atmosfera. Ela barra a radiação solar e nos protege com a camada de ozônio. Caso contrário, a vida não poderia se proliferar devido a radiação. Também nós temos o oxigênio, nosso combustível. Esse gerado pelas algas marinhas e por plantas também, através do fenômeno que chamamos de fotossíntese, no qual a planta pega o dióxido de carbono e água, e os raios solares catalisam essa reação e formam a glicose para a planta. Aliás, o objetivo é justamente esse, formar o alimento da planta. O oxigênio é o resto, o que ela libera porque não vai mais usar. Então esse oxigênio é captado por nós, e é liberado em forma de dióxido de carbono novamente e assim volta para a natureza.

Contudo, estamos gerando um grave problema ao liberarmos dióxido de carbono não só da nossa respiração, mas de veículos com combustível fóssil. O grande problema é o aumento do efeito estufa que provoca o aquecimento global. O que prejudica o meio ambiente, pois irá criar desertos, derreter geleiras e causar inundações nos litorais, não é uma coisa muito boa. Vai ir acabando com a vida e nós mesmos no processo. O efeito estufa é o que mantém nosso planeta quente, em uma temperatura agradável para nós. Caso contrário, seria gelado como Marte. Porém um efeito estufa tão grande, criará um forno e será quente como Vênus.

Essa relação entre seres, que um pode provocar a destruição do outro ou fazer uma reação em cadeia, é outra característica do nosso planeta. A vida não iria persistir se as plantas não fizessem fotossíntese, pois os animais herbívoros comem as plantas. Elas são chamadas de produtoras na cadeia alimentar. A ecologia do planeta é interessante de se pensar. Tudo depende de outra coisa. Se olharmos por cima, irá parecer que foi feita por algo de tão inteligente e complexa que é, porém é o resultado de 4,5 bilhões de anos. Nós temos o ciclo da água como um exemplo. Há a água que evapora e forma nuvens. Após algum tempo, essa água evaporada volta de novo para a terra através da chuva e por ai segue nos lençóis de água por baixo da terra ou volta para os rios. O ciclo do carbono, como já foi mencionado, também é interessante. Essa relação entre seres unidos pela respiração e fotossíntese. Há também um caso alimentar bastante interessante. Vamos pegar como exemplo um lobo e uma lebre. Os lobos comem lebres. Digamos que em um campo existem lobos e lebres. Metade do campo possui lebres na mesma quantidade que a outra metade do campo possui lobos. As lebres não irão obviamente comer os lobos, porém os lobos vão começar a se alimentar das lebres, porque são carnívoros. Quanto mais os lobos comem, mais energia tem e mais se reproduzem. Assim a população de lobos aumenta.

Porém a população de lebres diminui, pois está sendo predada e não tem espaço para se reproduzir. Conforme a população de lobos cresce, o alimento fica mais escasso e a competição aumenta. Vai chegar em um ponto onde a população de lobos irá diminuir, pois não há comida. Com os predadores diminuindo, as lebres irão começar a se reproduzir, pois não há tantos predadores. Assim, dessa vez a população de lobos, já grande, irá diminuir e as de lebre aumentar, pois estão conseguindo se reproduzir. Com isso, eventualmente iremos chegar no começo da situação, onde existiam metade e metade. Pode ser que aconteça dos lobos ficarem escassos e as lebres darem um pulo na reprodução gerando mais alimentos para os lobos que irão se reproduzir mais e assim diminuir a população de lebres e assim em diante. Esse é o equilíbrio da Terra demonstrado e é muito interessante como as coisas se equilibram de fato. Porém o ser humano pode causar o desequilíbrio.

Digamos que os lobos e as lebres estão em uma região de fazendas. Os lobos estão atacando as pessoas daquele lugar. Então, o prefeito, que faltou as aulas de ecologia na escola, decide incentivar a caça aos lobos. “Matem todos os lobos!” diz ele. Os caçadores, com seus rifles, caçam um por um os lobos e os exterminam. “Agora sim! Problema resolvido!” pensa o prefeito. Mas o que ele não contava é que com os lobos fora do nicho ecológico, as lebres irão se reproduzir. E dentro de um tempo, terá uma enorme infestação de lebres, que vai invadir a cidade, devorar as plantações e provocar um estrago. Esse é o problema em se meter no equilíbrio ecológico do planeta. E já teve inúmeros casos assim.

Nós temos o poder de construir e destruir nas nossas mãos. Somos Senhores do Planeta. Ou pensamos que somos Senhores do Planeta. Pois nós não criamos o jogo e nem as regras. Nós jogamos com as regras, porém podemos manipular as peças. Nós conseguimos criar tantos cavalos e bispos quanto quisermos, mas nunca fazer com que um bispo faça outro movimento sem ser o diagonal. Temos que estar atentos as regras do planeta, se não iremos destruir ele. E não há outra Terra nas proximidades.

O Sistema Solar

Nosso planeta é apenas um pontinho azul em uma vastidão negra que é o oceano cósmico. Tudo que já aconteceu, todas as guerras, reis, imperadores, fomes, secas, glórias e fracassos, se passou nesse pequeno pálido ponto azul. Assim dizia Carl Sagan. Um mundo dentre vários outros, orbitando uma estrela, entre várias estrelas. Nós vivemos no planeta Terra, mas não somente no planeta Terra. Nós vivemos também no Sistema Solar. Há muitas coisas interessantes de se observar aqui também. São 8 planetas girando em torno de uma estrela que chamamos de Sol. Cada planeta, possui suas características especiais, mas somente a Terra possui vida inteligente. Primeiro de tudo e o principal elemento do sistema, é o Sol. Ele é uma estrela e já está ativo há 5 bilhões de anos. Em seu interior estelar, em altas temperaturas, nós temos hidrogênio sendo convertido em hélio na chamada fusão nuclear. Está tão quente e tem tanta energia, que os átomos vão se ligando e esse processo libera energia. E dai surge a luz que ilumina nosso planeta e faz com que as plantas façam a fotossíntese. Todos os átomos, com exceção do hidrogênio, vieram das estrelas.

Há vários tipos de estrelas que depende da sua massa inicial quando são formadas no que chamamos de nebulosas, lugares com uma concentração de gás, poeira e outros materiais em que eles vão se aglomerando e eventualmente se acendem e formam estrelas. O Sol nasceu ali e começou a converter hidrogênio em hélio. Porém como todas as coisas, as estrelas nascem e também morrem. Suas mortes são um verdadeiro espetáculo no Universo. Há vários tipos de mortes. Nosso Sol está fadado a expandir e se tornar uma gigante vermelha devido à fusão nuclear de elementos mais pesados, como o carbono, pois o hidrogênio irá se esgotar e ele passará a queimar hélio. Ele irá se expandir e engolir os planetas próximos a ele, como Mercúrio e Vênus. Nesse momento, a vida na Terra irá se tornar impossível e todos iremos morrer. Mas não se preocupem, isso está previsto para acontecer daqui a 6 bilhões de anos. Após essa fase de expansão, o Sol começará a perder massa em suas camadas exteriores. Irá evaporar e criar um invólucro em torno dele, formando uma nebulosa planetária (não tem nada a ver com planetas).

Então, depois de gastar todo o hidrogênio e hélio, ele irá esfriar e diminuir de tamanho, se tornando uma anã branca. Claro, que temos muito tempo até que isso ocorra. Talvez na época nós já tenhamos migrado para outro planeta. Ou até já estejamos extintos. Várias espécies nasceram com o Sol assim e morreram com o mesmo Sol. Os dinossauros foram extintos sobre o mesmo Sol. É mais fácil extinguir do que criar vida.

Os oito planetas são Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Todos possuem certas características. Mercúrio, o mais próximo do Sol, é extremamente quente e tem uma órbita menor. Vênus também é quente e sofre de um grande efeito estufa. Há teorias naquele lugar que já houve vegetações, porém foram exterminadas devido ao efeito estufa. A Terra já mencionei antes. Marte é o planeta mais próximo e estamos tentando colonizar ele. Também foi um laboratório para inúmeras experiências com veículos espaciais e na mídia já serviu como terra de extraterrestres, como no livro de H.G Wells, A Guerra dos Mundos.

Uma curiosidade, é que certo cientista uma vez, olhando em seu telescópio conseguiu ver canais em Marte. E já imaginou que fosse vida inteligente e alienígenas. Porém ele estava errado e tinha enxergado mal. Júpiter é um planeta interessante. É o mais massivo e possui 67 satélites ou assim chamadas, luas, orbitando ao redor dele. Galileu Galilei, um cientista italiano, em seu telescópio conseguiu ver apenas quatro luas de Júpiter. Mas ele é tão massivo, que gera um campo gravitacional forte. É quase como se fosse uma estrela com seus planetas. Há uma lua em especial que se chama Europa, que é a mais propensa a ter vida baseada em metano. Há toda uma teoria por trás da vida no metano, mas eu não irei me estender muito nesse ponto, pois temos um universo para observar! Saturno é um dos planetas mais lindos de se olhar no telescópio. Ele possui seus anéis em volta dele feitos de gelo. É um verdadeiro espetáculo!

O outro planeta é o Urano, um planeta engraçado. Ele também tem anéis, mas seu eixo de rotação é inclinado para o lado, fazendo com que seus polos fiquem onde fica o Equador na Terra. E nos confins do Sistema Solar, nós temos o Netuno, o último planeta na lista dos oito. E foi descoberto graças a Urano. Os astrônomos observaram que havia uma falha na órbita de Urano. Alguma coisa estava mexendo no planeta. Assim, dois astrônomos independentemente fizeram seus cálculos e deduziram que só poderia ser um planeta. Eles falaram: “Aponte seu telescópio lá e vai achar um planeta!”, mas como um cara sentado em uma mesa fazendo cálculos iria encontrar um planeta? Esse é o incrível poder da matemática e da física. Prever as coisas através de padrões da natureza.

Apontaram o telescópio e lá estava, Netuno. Uma menção honrosa também à Plutão, o planeta anão. Ele já foi planeta, porém agora não é mais pois é muito pequeno. Mas o Sistema Solar não é apenas composto de planetas, há também asteroides, cometas e o Cinturão de Kuiper, que é um disco com muitos objetos rochosos. Mas há também outros sistemas e outros sóis. O Sol é apenas um dentre bilhões e bilhões. Há muito mais o que explorar.

A Galáxia Via Láctea

O Sistema Solar está contido no que chamamos de galáxia. Um conjunto imenso de estrelas que está sendo atraído em um ponto em comum. Nossa galáxia se chama Via Láctea, nome dado pois em um campo sem iluminação e nem poluição, dá para ver o braço da nossa galáxia, um monte de estrelas juntas, umas mais distantes, outras mais perto, mas da nossa visão parece que é um braço e cada estrela está grudada na outra. Então isso foi chamado de o caminho de leite, por ser branco. A via láctea. Outros também chamam de coluna da noite, pois a impressão é que é uma coluna vertebral segurando o céu. Mas agora já sabemos que é um braço da nossa galáxia que possui um formado espiral.

Uma galáxia é algo grande, contém muitas e muitas estrelas dentro dela. E o mais incrível é que existem bilhões de galáxias no universo. Então, cada ponto que é uma galáxia contém milhares e milhares de estrelas. Se existem bilhões de galáxias, então existem bilhões e bilhões de estrelas. Talvez, em algum ponto obscuro e desconhecido, exista vida, como no nosso pequeno planeta azul. Mas ainda não foram encontradas evidências. A procura continua.

De fato, assim como a Terra orbita o Sol e dá voltas, o Sol orbita o centro da galáxia e dá voltas também. Ele leva 200 milhões de anos para dar apenas uma volta. É um tempo muito grande. Há mais galáxias do que a Via Láctea. Perto de nós, está a galáxia de Andrômeda. Um continente ainda inexplorado. Não conhecemos quais estrelas e planetas e tipos de astros tem lá. Um dia, em um futuro remoto, talvez, iremos visitar tal galáxia. Mas por hora não possuímos a tecnologia para isso.

Está ocorrendo um fenômeno estranho com as galáxias. Como descobriu Edwin Hubble, as galáxias estão se afastando de nós. A frequência de sua emissão de luz está diminuindo, o que, pelo efeito Doppler, representa que a fonte está se afastando do observador. Tal fato contribuiu para a teoria de que o universo não é estático, mas está se expandindo. Vai chegar um momento em que as galáxias vão estar tão separadas que não as veremos mais. Isso também colaborou para a teoria do Big Bang.

O Universo

A Via Láctea está em um grupo no qual chamamos de Grupo Local, onde há mais de 54 galáxias próximas. Mas onde está esse grupo? Está inserido no espaço, no Universo. O Universo é o nosso último lugar que iremos visitar, pois não sabemos o que está além dele. Nele está contido as galáxias, estrelas, planetas e nós. Nós somos um grãozinho dentro do Universo. É um lugar enorme e está em expansão.

Na sua origem, a teoria que mais se sustenta com evidências, é a teoria do Big Bang. Ela fala que tudo estava contido em um ponto e houve uma grande explosão no qual a matéria começou a evoluir. Havia um momento que o universo estava agitado, cheio de partículas elementares e assim começou-se a formar prótons, nêutrons e elétrons. Assim, estes começaram a se combinar e formaram o hidrogênio. E a partir dessa grande complicação de partículas, a matéria começou-se a se formar e se atrair uma a outra o que foi agrupando essas matérias e formou as estrelas, planetas e galáxias.

Mas o que tinha antes do Big Bang? Bom, antes o próprio tempo não existia, portanto não existia um antes. Aqui chegamos em uma parte muito confusa da cosmologia. É o grande mistério da física hoje em dia. Será que estamos contidos em multiversos? Será que o Universo é cíclico, que após a grande explosão, depois de um tempo, voltará a se contrair e expandir novamente em uma nova explosão? Ou será que o universo é eterno? Nós não sabemos tais respostas e talvez nunca iremos saber, mas é bom de se pensar e refletir. Longe do tempo e da nossa percepção de realidade, há verdades para serem compreendidas. Mas nós temos um longo caminho até lá.

O Nosso Endereço Cósmico

Após nossa grande viagem, podemos voltar para o planeta Terra. Nós somos os Senhores da Terra, mas não da natureza. Não controlamos as estrelas e chegará um dia em que iremos entrar em extinção. Os humanos, dominadores da Terra, irão sucumbir pela grande expansão do Sol. Isso se não nos matarmos antes, com as guerras e com o egoísmo humano e mau líderes. Se não quisermos tal destino, está na hora de nos unirmos.

Talvez em uma Terra unificada, onde seremos todos terráqueos, podemos começar nossas viagens estelares e a colonizar outros mundos. Nessa Terra não haveria mais norte-americanos ou russos, mas seríamos todos terráqueos. Aprenderíamos a respeitar as diferentes culturas que nossos irmãos terráqueos teriam e assim poderíamos viver em paz e harmonia. Quando tal dia chegar, é que vamos ter a oportunidade de, com um esforço de todo mundo, poder planejar viagens maiores. Talvez uma missão tripulada até Júpiter, ou além do Sistema Solar. Iremos explorar e colonizar diferentes mundos e espalhar a cultura humana por todo o Universo.

Chegará a hora, então, que teremos que falar o nosso endereço cósmico. Não mais somente o bairro, a cidade, o estado e o país, mas também em qual planeta estamos. Qual o nosso sistema e em qual galáxia. Nos tornaremos Senhores do Universo e iremos escapar da tragédia do Sol. A Terra, nessa época, será apenas pó. Podemos fazer um memorial e nos lembrar do nosso belo planeta, onde nossa espécie nasceu. Pois nesse tempo, não haverá apenas terráqueos, mas nos tornaremos marcianos, netunianos ou andromedianos. Com esses novos lugares explorados, será necessário reformular o nosso endereço cósmico. Mas até lá temos uma longa caminhada.

Agora, conhecemos apenas o nosso atual endereço cósmico. Vivemos em um bairro, em uma cidade, em um estado, em um país, em um continente, no planeta Terra, no Sistema Solar, na galáxia Via Láctea, no Grupo Local e no Universo. Esse é o nosso endereço cósmico e será esse por um bom tempo.

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Bruno

Estudante de Bacharelado em Física pela Universidade Federal de Pelotas e amante de jogos eletrônicos.

  • Rodrigo Porto Augusto

    Muito legal, parabéns! Esse momento ira chegar Bruno!!!

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