O fim do cinema

Dia desses li uma reportagem que dizia que o aumento de assinaturas de serviços streaming, como Netflix, por exemplo, poderiam acarretar o fim do cinema tal como o vivenciamos hoje, com salas de cinema, som potente, cadeiras que se mexem e essas coisas. O cinema já é um senhor com mais de cem anos, arrebatando apaixonados e admiradores, modernizando e utilizando novas tecnologias para tornar o espetáculo cinematográfico cada vez mais magnífico. Além disso, mesmo diante de toda essa tecnologia, as salas de cinema com filmes cults e fora do circuito hollywoodiano ainda resistem em algumas cidades, bem como os festivais. Multiplicam-se cursos, graduações e especializações em cinema e suas tecnologias. Mas isso tudo pode acabar?

O cinema é arte. É expressão de uma dada cultura em determinado momento histórico, não está descolada da realidade. Reflete valores, costumes, apresenta questionamentos e provoca reflexões. Logo quando surgiu, o cinema causava estranhamento, medo e algumas vezes pavor em seus espectadores. Causou rebuliços e inovou na forma de contar histórias. As pessoas começaram a se ver na tela e isso causa estranheza no início. Como aquelas pessoas estavam lidando com isso em 1895? Com a exibição do filme “A chegada do trem na estação” (França, 1985), surgia o cinema. Inicialmente mudo, só com imagens. No entanto, com o desenvolvimento das tecnologias, hoje já é uma indústria e assim se mantém. Com todas as tecnologias que surgiram de lá pra cá, nada substitui a experiência de ver um filme no cinema. Ir ao cinema tem um clima. Vamos com expectativa, com vontade, curiosidade. Estamos nos dispondo a viver esse momento.

Na Faculdade de Cinema, uma das melhores aulas que tive foi sobre teoria cinematográfica, que discutimos sobre a transcendência dos filmes. Diz que quando o espectador gosta do filme, ele sente-se envolvido pelo enredo, combinado com a estética, com a trilha sonora, com a fotografia, a atuação, etc., fazendo com que o espectador transcenda o filme, atingindo sua alma enquanto assiste. Quando a experiência cinematográfica toca o espectador desta forma, isso fica gravado em sua história. Aquela tela gigante, o som que preenche a sala nos transporta para dentro do filme. Aliás, em alguns filmes 3D essa sensação é potencializada.

Quando surgiram as primeiras televisões, a preocupação era a mesma. Mas o cinema resistiu, realizando grandes produções. Não acho que o cinema vá acabar. Prova disso são os filmes que atingem milhões em bilheteria com apenas alguns dias de exibição. Por mais assinaturas streaming que existam, a experiência do cinema é incomparável. Além disso, a indústria cinematográfica alimenta o catálogo desses serviços. Assim como a televisão criou uma linguagem própria, os serviços de streaming acabarão criando uma linguagem própria também. Já podemos perceber nas recentes produções realizadas pela Netflix e Amazon, por exemplo.

A arte anda ao lado da nossa cultura, assim como a literatura, a ciência, a política, etc., todos reflexos de nosso tempo. Sempre terá filas. Sempre haverá pessoas chatas, problemas, coisas inadiáveis e procrastinação. Sempre haverá cinéfilos de plantão, brindando algumas doses de cinema.

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Bruna Leite

Formada em cinema, eterna estudante de filosofia. Pós-graduanda em Gênero e Sexualidade. Escreve sobre filosofia, política, feminismo e artes.

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