O brasileiro que a família tradicional brasileira não quer ver

É impressionante a hipocrisia daqueles que se intitulam representantes da “família tradicional brasileira”. Defendendo valores que apenas interessam ao seu ego, criticando programas sociais e defendendo a volta do regime militar, eles contaminam e, semelhante a um câncer, corrompem a saúde do Estado. E se alguém fosse realizar um pequeno esboço de tal “elite social”, deveria desenhá-los semelhante a uma tábua rasa, ou como uma folha em branca (com marca de água da mídia). Uma pseudo-elite, beneficiada pelos abusos cometidos na ditadura militar, ignorante por acreditar que as notícias dos grandes meios de comunicação são a mais pura e verdadeira verdade, acaba ignorando a realidade em prol de seu benefício próprio. Essa seria uma imagem poética do mal que corrompe nosso país.
A família tradicional brasileira, que bate panela porque o preço do caviar subiu, não percebe o quanto é culpada pela crise que se alastra no Brasil. Beneficiaria da política tributária, não lhe interessa um novo modelo mais igualitário. Mantenedora do sistema político, não interessa à família tradicional brasileira um sistema de educação de qualidade. Enriquecida, muito pela falta de impostos sobre heranças e grandes fortunas, faz da corrupção sua principal fonte de renda. Comprando a mídia, define o que é a “verdade” segundo seus próprios interesses. E definindo a verdade, controla grande parte da população.
Mas a família tradicional brasileira encontra-se contra a parede. Vê seu modelo sendo ameaçado. Ela sabe que a minoria da população brasileira enquadra-se no seleto grupo da família tradicional brasileira. Ela está apavorada porque percebeu que a massa, as pessoas que “se escondem” nas vilas e periferias estão percebendo que são a grande maioria da população. A elite brasileira está tomando medidas drásticas para postergar uma tragédia a muito anunciada. Ela vê que está chegando a hora de pagar o preço, a dívida por tantos anos de exploração do povo. 
Porém, ainda lhe resta uma carta na manga. E a família tradicional brasileira já a jogou. E está vendo seus frutos. Diane de um quadro político, no qual a figura máxima é representante (ou se elegeu sob a bandeira) de atuar para as massas, não restou alternativa a não ser incitar o ódio de classes. Foi o que marcou a última eleição presidencial. É o que está marcando cada panelaço (que só ocorre em áreas nobres). É o que está fomentando a intolerância social.
Com a última derrota nas urnas, a família tradicional brasileira recorre ao estratagema das sabotagens no cenário político e social. O governo perde o apoio do congresso. Discursos de ódio social, alinhamento dos interesses de grupos conservadores com os interesses da elite brasileira e a manipulação descarada da mídia criaram um cenário de instabilidade política no país. Sim, o Brasil está em estado de bomba relógio. Não se sabe quando, mas vai explodir. 
Contudo, uma verdade precisa ser dita. Ladrões, mendigos, prostitutas, marginalizados, não aceitam morrer. Eles encontram forças no desespero diário. Amostra disso é o baixo número de suicídios entre os moradores das periferias. Eles fazem da dor, do ódio, da discriminação as armas para sua revolução. A família tradicional brasileira está percebendo agora (e talvez tarde demais) o que grandes pensadores sociais vem apontando desde o século passado. Marx já convocava o proletariado a se unir. Leonardo Boff alertou sobre a revolução que se iniciará quando os excluídos marcharem até os centros comerciais e exigirem as chaves dos celeiros onde se guardam os alimentos que poderiam alimentar a população mundial. 
A revolução bate à porta da família tradicional brasileira. Será lindo o dia, e esse dia está perto, em que se iniciará uma marcha. Uma marcha que vai cobrar o preço por tantos séculos de abuso e negligência. Uma marcha que iniciará com os “brasileiros invisíveis” mostrando seu rosto, descendo dos morros, erguendo-se das sarjetas, saindo das áreas verdes e tomando as vias públicas. Será um tsunami humano, algo jamais presenciado. Não serão milhares batendo panelas nas praças nobres. Serão milhões cobrando seus direitos, exigindo a mudança. Não será pacífico, não será calmo. Mas será legítimo. A família tradicional brasileira arma um cenário no qual, na melhor das hipóteses, eclodirá em uma chacina. 
Essa postagem não é um discurso de ódio, é apenas uma leitura “crua e nua” do cenário que está sendo montado. Para finalizar, uma pequena canção, de Piratas do Caribe…
Nossas Cores Erguei
Piratas do Caribe
  
O rei despertou a rainha do mar
No barco a acorrentou
Por onde andares, são teus os mares
Quem ouviu remou
Yo, ho.por todos. Nossas cores erguer
Ladrões e mendigos, jamais irão morrer
Yo, ho, todos juntos, nossas cores erguei
Ladrões e mendigos, jamais irão morrer
Uns morreram outros vivos estão
Outros navegam no mar
Com as chaves da prisão e o diabo de prontidão
Remando sem cessar
Da fossa profunda sobe o sino a tocar
Como um som sepucral
Vem convocar pra retornar
Ao destino final
Yo, ho, todos juntos
Nossas cores erguer
Ladrões e mendigos, não aceitam morrer
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