O Álbum

Hoje, depois de muito tempo, peguei o velho álbum de fotos…

Naquele tempo havia uma necessidade inexplicável de se registrar cada momento através das lentes de uma velha câmera fotográfica.

Nada fugia das lentes.

Nem mesmo a minha própria vida.

Onde exatamente começou a minha vida? Na barriga da minha mãe ou depois do décimo sexto aniversário? Após o primeiro beijo ou segundos depois após a primeira grande frustração?

Ainda que seja uma tragédia anunciada, me conforta olhar para trás e ver que aquele bebê gordinho, risonho e cheio de manias ainda permanece vivo, firme e forte.

Ainda que seja doloroso aceitar que meu túmulo está reservado nessa terra de urubus engravatados, fico feliz em saber que aquela criança de joelhos ralados ainda me acompanha nos momentos mais difíceis.

Ainda que me falte equilíbrio, ficarei contente ao ver que o rapazinho magrelo perdeu o seu medo de altura.

Ainda que esse oceano de incertezas preencha meus pulmões com o medo do insucesso, me sentirei muito bem ao ver que aquele jovem desleixado finalmente aprendeu a nadar.

Você nasce, cresce, deixa a sua marca em carne e osso, e vai embora: a vida passa tão rápido quanto as páginas do velho álbum.

E ainda que meu espírito se desprenda totalmente desse mundo de ilusões, jamais me esquecerei da última foto da última página do último velho álbum dessa velha casa: um dia nublado, os olhos dourados de minha mãe, a presença inigualável de meu pai e o coração de ouro do melhor irmão que alguém poderia ter.

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Foto de perfil de Heitor Guilherme Volff Pereira

Heitor Guilherme Volff Pereira

Cursando Direito. Entusiasta de tudo.

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