Mudança de Rota

Como é difícil analisar uma situação enquanto ela está acontecendo. Não conseguimos nos distanciar, ver com outra perspectiva. Disso decorrem muitos problemas: separações, demissões…

E se houvesse uma forma de evitar essa cegueira? Conseguimos honestamente conversar com os amigos ou procurar ajuda de um terapeuta para nunca perdermos a perspectiva de nós mesmos?

Ou ainda, em quantos setores da nossa vida pensamos ter controle de tudo o que acontece, quando na verdade não estamos percebendo aspectos não visíveis?

Em Filosofia Clínica usamos o termo “ponto-cego”, que a melhor explicação seria aquilo que não conseguimos ver do lugar de onde estamos, a depender das circunstâncias que estamos vivendo, essas áreas de “cegueira” podem ser maiores ou menores, também conforme a maneira como estamos lidando com as questões que se apresentam.

Por exemplo, ter um comportamento emocional não precisa ser necessariamente um problema, se a pessoa está em um ambiente onde recebe acolhimento e compreensão. Agora, a mesma atitude, que em um ambiente é aceita, em um ambiente profissional com normas rígidas de conduta, pode ser a causa de inúmeros conflitos relacionais.

Vamos supor que essa pessoa, com uma aptidão emocional mais acentuada fosse conversar com um amigo, sobre os problemas profissionais decorrentes da sua postura, mas se esse amigo reproduzisse os valores rígidos do ambiente de trabalho, isso teria algum efeito? Com certeza só iria aprofundar os conflitos, pois conforme é abordado tal assunto, pode ser que quem ouve não tenha sequer estrutura para aceitar o que está sendo dito.

Muito se fala hoje em empatia, que nada mais é do que a capacidade de ir ao mundo do outro, o que é extremamente necessário em casos como o que estou exemplificando, que implica em ter a capacidade de ouvir a linguagem e entender, a partir dela, quais os melhores termos para abordar questões de conflito.

Assim como você, não sei se é possível voltar atrás em determinadas situações, penso até que a ajuda adequada talvez acelere muita coisa, em lugar de impedir rompimentos. Acredito que o grande desafio que nos está colocado é o de olhar a si mesmo e esquadrinhar os pontos-cegos, sabendo que é como buscar icebergs, vamos visualizar uma parte ínfima, mas esta visualização já vai produzir imensas transformações em nós.

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Luz Maria Guimarães

Filósofa Clínica, terapeuta e empresária. Mas a vida segue linhas curvas, como o pensamento, fiz graduação e mestrado em História, e tenho um escritório de Design Gráfico. Gosto de poesia, arte, filosofia e tudo o mais, e venho trazer algumas linhas sobre como o mundo me parece. Saiba mais no site www.luzmariaguimaraes.com, ou mande um email para contato@luzmariaguimaraes.com

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