Milton Santos – Por Uma Outra Globalização 

Milton Santos parte do pressuposto que poucos atores globais do campo político, financeiro e da comunicação monopolizam a formulação do modelo de socialização da sociedade internacional, a internacionalização da vida social surge historicamente para atender grupos específicos da esfera política e econômica que estão em busca de vantagens.

A mídia exerce um papel fundamental para a elaboração deste projeto, ela utiliza lentes para ler o que acontece no mundo e passa a impressão para leitores e telespectadores que a sua forma de analisar a vida em sociedade é a única possível de ser feita, enquanto esta ofuscação da realidade, esconde os objetivos políticos que estão por trás disto, que de acordo com o Geógrafo brasileiro, Milton Santos, corresponde ao que ele denomina de “globaritarismo”, uma associação da globalização com o totalitarismo.

Esta associação entre a globalização e o totalitarismo é feita porque os seus defensores, os globalistas, afirmam que ela é o modelo único de desenvolvimento e que nenhuma opção civilizatória pode existir além dela, tratando os demais enquanto selvagens ou defensores de um suposto caos, já que tudo que divirja da globalização é considerado fora da ordem adequada para os humanos.

O escritor considera a globalização algo inevitável, porém o que ele pensa a respeito da mesma, que as relações sociais realizadas a nível internacional não são obrigatoriamente possíveis de serem feitas apenas sob o projeto neoliberal. De acordo com este pensador, os intelectuais que são favoráveis ao Consenso de Washington, argumentam que o ambiente adequado para a realização humana é aquele em que é regido pela ideologia neoliberal.

A plataforma de pensamento único e de desenvolvimento linear e unipolar é o que caracteriza o totalitarismo contemporâneo, para Milton Santos, a sofisticação da política permite o abandono da repressão pelos aparelhos militares do Estado, enquanto única opção de retenção de movimentos contrários a uma ordem posta, na contemporaneidade, os aparelhos ideológicos do Estado, a exemplo da propaganda, mídia e televisão podem cumprir um papel de marginalização e deterioração da imagem daqueles que oferecem outro projeto de desenvolvimento internacional além do que estar posto em vigência.

Milton Santos não descarta a continuidade de um pensamento universal, porém propõe uma substituição da necessidade econômica pela social enquanto critério de desenvolvimento de um determinado modelo de civilização. Para este geógrafo, as necessidades sociais devem ser o parâmetro de determinação do novo modelo a ser construído, cada Estado nacional deve primeiramente atender à garantia dos direitos básicos e a subsistência de seus cidadãos.

A minimização do Estado, a perda de sua importância para a vida nacional, já que a medida que a globalização avança, o papel do Estado em território nacional diminui, as demandas consideradas importantes para a subsistência das pessoas em determinada região são ignoradas e substituídas por variáveis matemáticas da nova economia global que deseja atender aos interesses lucrativos da iniciativa privada através da economia de caráter neoliberal.

Milton Santos ressalta em seu pensamento que a perda do papel do Estado nação na vida social serve apenas para os países do Hemisfério Sul, pois os Estados do Hemisfério Norte ao aproveitarem o cancelamento das medidas de proteção da economia nacional dos países subdesenvolvidos, instalam nestes as suas multinacionais, acompanhadas do pagamento de baixos salários, produtos voltados para a exportação, que são comercializados nos países originários de seus respectivos investimentos, estas nações poderosas não abandonaram políticas protecionistas e medidas de combate à evasão de divisas.

A Produção da Globalização. 

A globalização representa o avanço do modelo econômico baseado no capitalismo, a qual requer a internacionalização do fluxo de mercadorias, criando assim relações mercantis a nível global; esta transição de mercadorias de um país para o outro para ser eficaz necessita impedir possíveis barreiras políticas que inviabilizem o seu acesso, por isto os defensores deste modelo advogam uma padronização da organização política de todas as sociedades.

Para Milton Santos, esta nova secularização, não corresponde a um interesse universal e sim regional, determinadas nações as quais perpassaram o processo histórico de desenvolvimento de sua economia baseada na produção de capital, a qual foram valorizadas as suas especificidades regionais, visualizam a oportunidade de exportar modelos econômicos baseados em manuais científicos para outras localidades, sem a consulta prévia dos nativos, desvalorizando as especificidades territoriais, as quais poderiam beneficiar os civis de um determinado território nacional.

A educação está diretamente relacionada com este contemporâneo processo social, o ensino técnico voltado para uma série de atividades profissionais é internacionalizado, a divisão internacional do trabalho perpassa pela organização econômica diferenciada a depender da região geográfica de um determinado número de nações, cada região climática é selecionada para a produção voltada à exportação de matérias primas, isto ocorre na projeção geográfica Sul-Norte, esta divisão  espacial delimita na globalização as economias nacionais responsáveis pela extração e aquelas responsáveis pela industrialização e produção de bens materiais e tecnológicos.

Estas divisões espaciais de caráter econômico e social são discutidas e decididas desigualmente para garantir um desenvolvimento combinado, para isso as decisões econômicas são tratadas em instituições internacionais, a exemplo da Organização Mundial do Comércio, em que o número de assentos de votos para cada nação varia com a taxa percentual do PIB, países desenvolvidos costumam possuir direito a mais de dez votos para uma mesma resolução, enquanto países subdesenvolvidos limitam-se ao máximo de cinco votos ou por vezes, apenas um voto para a mesma resolução.

De acordo com Milton Santos não existem técnicas hegemônicas, existem técnicas hegemonizadas, o material propagandístico serve para legitimar as novas políticas econômicas, criando um enquadramento daquilo que é adequado e inadequado para o desenvolvimento de todas as economias, dando caráter universal a todas as nações e lhes negando a existência de particularidades.

Existe uma contradição inerente a este desenvolvimento, este desenvolvimento promete ser homogeneizador e igualitário, enquanto o acesso a determinados bens, tecnologias e informações são desiguais. As nações europeias e os Estados Unidos da América, historicamente, o berço dos maiores defensores da globalização defendem paralelamente a isso a valorização da cultura nacional, medidas protecionistas e alfandegárias que venham a valorizar as especificidades políticas, econômicas, culturais e educacionais de seus respectivos territórios, enquanto oferecem aos países subdesenvolvidos, o contrário.

A internacionalização do capitalismo, a diferenciação espacial da localização das empresas responsáveis pela produção em larga escala e a nível global, cria uma relação de dependência entre os Estados, desenvolvendo relações entre dominadores e dominados, o controle da produção, a rota das mercadorias, o fluxo de capitais é orientado a partir dos interesses privados de determinados capitalistas, que na fase do capital monopolista permite a concentração de recursos globais em contas privadas, isso causa a submissão das economias nacionais a determinados interesses privados de terceiros.

A Globalização Perversa

Os últimos anos do século XX são caracterizados, enquanto período histórico da mundialização da política, permitindo as condições necessárias para as tentativas de criação da Sociedade Internacional, porém esta globalização, que se desenvolve sob o slogan da igualdade das condições sociais em todo o planeta, permite a criação de desigualdades criadas a partir da nova organização das Relações Internacionais.

Milton Santos utiliza o conceito “capitalismo periférico”, de acordo com este pensador, existe um centro geográfico da produção de capital e uma área desenvolvida perifericamente ao redor dele, as dispersões de ordem política partem em uma direção unidirecional a partir do centro para a periferia, esta desigualdade é continuada, pois as ordens vindas das nações dominantes são comprometidas com a perpetuação de desigualdades regionais.

O eurocentrismo e a americanização do mundo estabelece uma ordem em que as necessidades regionais do continente europeu e dos Estados Unidos da América são transmitidas para todo o globo, a fim de atenderem às suas demandas internas, provocando o efeito contrário em outros países, estes ignoram as suas demandas para atenderem orientações políticas externas.

A ausência de comprometimento do Estado nacional, isso em experiências políticas do Hemisfério Sul, permite a concentração do poderio científico, econômico e militar das alianças nacionais do norte do globo, a falta de percepção das diferentes gestões nacionais dos países ao sul, o fazem ser dependentes tecnologicamente das potências hegemônicas e de Estados imperialistas, já que os mesmos não visam construir uma história política baseada nos ideias do seu povo e sim de outras populações externas aos mesmos.

A criação do imaginário social das ex-colônias europeias é construído pelos meios de comunicação pertencentes às oligarquias do mercado da informação, as imprensas nacionais adotaram a prática de comprarem notícias de empresas responsáveis de produzirem notícias em larga escala; os autores lidos nos cursos de comunicação social dos países do Hemisfério Sul são, em sua maioria, nativos do Norte, logo realizam uma interpretação a respeito da organização do trabalho jornalístico a partir da realidade local, sendo esta diferente da rotina de trabalho jornalística em outras realidades.

De acordo com a interpretação deste pensador, o critério que demarca a contradição do discurso de homogeneidade das condições econômicas com a globalização é o fato do Japão, Inglaterra e os Estados Unidos possuírem juntos 47% das ações do mercado financeiro global, em uma fase do sistema de produção de capital demarcado pela “financeirização” do mercado, os projetos econômicos discutidos e aprovados nas instituições internacionais de economia são, na maiorias das vezes, criados por cientistas financiados de institutos públicos destes países, aa fim de atenderem aos seus interesses nacionais e não às propostas de diminuição das desigualdade entre as nações no sistema político internacional.

Existe um mito da cidadania universal, o cidadão não é global e tampouco a sua relação com o seu território de origem é dispensada, a organização da globalização a partir da ação do Estado requer a distribuição desigual de interesses globalizantes, existem relações desiguais entre os indivíduos originários dos países responsáveis pela organização da globalização com aqueles que são organizados por uma ordem mundial politicamente estabelecida por uma oligarquia internacional; estas relações de poder podem ocorrer em um determinado território ou em vários simultaneamente em que nativos e estrangeiros ocupam cargos sociais a depender da atividade e dos benefícios prévios que possuem na globalização.

Os Estados nacionais são lesionados pelos agentes financeiros, que utilizam as verbas públicas através da manutenção da dívida pública, a partir da atuação dos bancos privados nos investimentos em obras públicas na associação entre agências públicas e privadas na fase monopolista do capital, caracterizada pelo imperialismo e pela globalização selvagem, as nações são cada vez mais empobrecidas para enriquecerem as contas de oligarcas que concentram as rendas originárias de determinados territórios nacionais em suas contas privadas.

De acordo com Milton Santos o que caracteriza o imperialismo na fase do capital monopolista é o uso dos aparelhos militares dos Estados a fim de defenderem suas respectivas burguesias nacionais, financiando campanhas militares a fim de conquistarem novos territórios capazes de expandirem a sua extração de matérias primas, industrialização, consumo, circulação de bens e expansão da produção de seus capitais.

Milton Santos em sua obra “Por Uma Outra Globalização” escreve a respeito da infraestrutura econômica presente em cada nação; a indicação do Consenso de Washington dos Estados subdesenvolvidos diminuírem as suas despesas públicas e ao mesmo tempo acompanharem o ritmo de desenvolvimento econômico das grandes potências tem o objetivo de vetar o tesouro nacional enquanto fonte dos investimentos em infraestrutura de produção, porém, recomendam que estes investimentos tenham os seus recursos originados em empréstimos negociados com o FMI.

A democracia está em risco, a política em seu sentido macro, organização da sociedade pode vir a sumir, o mercado para triunfar necessita de estabilidade e da continuidade interrupta de um modelo de organização social, que permita o livre fluxo de mercadorias ao redor do globo. O mercado doravante nacional, torna-se globalizado, as relações monetárias necessitam de padronizações para que o dinheiro, enquanto moeda de troca de mercadorias, possa circular sem barreiras artificiais.

Estas barreiras, não tratadas de forma pejorativa pelo escritor, exprimem a autodeterminação dos povos, caso seja assim que os mesmos os queiram de organizar as suas respectivas economias de acordo com as suas vontades, expressando a máxima potencialidade econômica de uma determinada região, sem depender de ordens políticas de uma rede de oligopolistas que desejam uniformizar o mundo, contrapondo a diversidade que é inerente a ele, fazendo assim o necessário para transferir renda de seus empreendimentos em multinacionais para as suas contas privadas.

A uniformidade do desenvolvimento mundial possui a sua origem no pensamento evolucionista, o geógrafo brasileiro observa que os povos europeus ao refletirem a respeito do desenvolvimento humano na história, o refletem a partir do critério da universalidade, um padrão humanitário do modo em que as sociedades se desenvolvem, negando o conceito de territorialidade, a repercussão de diferentes povos na história da humanidade não pode vir a ser equivalente, não existe para este a civilização, existem as civilizações, em que os grupos humanos desenvolvem as suas noções acerca da ética, moral, política, economia e linguagem a partir das necessidades que surgem em organizar um determinado território.

Toda relação do homem com o seu território é portadora de técnicas e saberes e conhecimentos científicos descobertos e voltados para uma determinada necessidade, a negação destes métodos desenvolvidos regionalmente a fim de explorar as potencialidades econômicas de uma determinada região, a partir dos consensos mundiais de instituições tecnológicas e econômicas responsáveis por organizarem o mundo globalizado podem vir a negar as particularidades de um povo em nome de uma necessidade comum, o mercado.

A necessidade do capital se expandir, dos lucros se otimizarem e do mercado em se internacionalizar muda a lógica de organização política com base na delimitação territorial, sendo o Estado um regulador da propriedade e defensor dos direitos naturais, esta propriedade ao tronar-se móvel, transferindo-se em rendas bancárias e podendo ser portada fisicamente pelos seu detentores ao redor do mundo, leva ao Estado perder o seu caráter nacional.

A perda do caráter nacional requer um critério de escolha, em que se exclui determinados elementos e se incluem outros, os valores nacionais, a cultura local em que historicamente, em um momento anterior a este na história da humanidade, influenciava a política e a jurisdição de uma sociedade nacional, este é o critério sanguíneo, denominado de “Jus sanguinis”.

A partir destas reflexões, que o escritor Milton Santos propõe outra globalização, sendo um convite aos povos a repensá-la, voltando às origens das avaliações acerca de qual civilização cada sociedade deseja. Porém, esta decisão de qual processo civilizatório a tomar-se não deve ser o monopólio de uma elite regional e sim a afirmação da expressão política e cultural dos povos que compõem o globo de selecionarem a organização social adequada ao seu cotidiano.

Inerente a este processo de globalização, encontra-se o desenvolvimento desigual e combinado em que formas de suprir a subsistência encontra-se análoga ao desenvolvimento de produção do capital, a exemplo disso são os povos nativos de cada nação. As discussões técnicas no parlamento de cada país possuem uma pauta em comum acerca das relações econômicas em zonas rurais, a modernização das formas de produção destas regiões, considerando as economias de subsistência ou comércios de alimentos com baixa lucratividade ultrapassados para o desenvolvimento contemporâneo.

É nesta contradição inerente a secularização acompanhada com o surgimento do capitalismo, que o choque das forças produtivas demonstram os interesses políticos de organizarem as economias de acordo com os objetivos de uma determinada classe, neste caso são apresentados os trabalhadores agrícolas e os donos de latifúndio contrário um ao outro. O proletariado rural, ao não atingir o resultado da produção em larga escala, desagrada a indústria alimentícia, que necessita comprar matérias primas em quantidades necessárias à industrialização dos alimentos, isto contribui para os defensores da secularização eliminar esta força produtiva, anterior ao desenvolvimento do capitalismo e associa a organização fundiária ao capital monopolista correspondente ao imperialismo, etapa superior do capitalismo.

Conclusão

Milton Santos explica a fragmentação territorial de determinados territórios nacionais, não sendo o Estado, o soberano sobre o território, não sendo uma regulamentação da iniciativa pública o organizador da sociedade, e sim os interesses de mercado. A visão econômica de um setor hegemônico em um país pode desagradar as particularidades econômicas de áreas específicas, o que poderia ser conciliado por meio dos embates e decisões da política, a exemplo disso, o desejo de autodeterminação dos povos, como na Espanha, na antiga Iugoslávia, remete-se às negligências da iniciativa privada aos interesses populares, já que a mesma baseia os seus objetivos em interesses privados e não públicos, porém é a mesma que cumpre a função de formação dos interesses estratégicos nacionais, o que no passado era função do Estado.

A questão alimentícia não foge da leitura de Milton Santos, alimentação e territorialidade são intrinsecamente correlacionadas, devido ao fato que os produtos alimentícios possuem uma origem em territórios específicos. Contudo, estes são utilizados no cotidiano das pessoas após a transformação do homem na natureza e isso acontece por meio de máquinas da indústria agrícola, em que revelam o potencial tecnológico de cada país, capacidade de investimentos. O Consenso de Washington deteriora a alimentação dos povos do hemisfério sul, pois ele indexa os orçamentos em tecnologia, o que impede o uso de determinadas máquinas na produção alimentícia necessárias à exploração da natureza local.

A gerência administrativa não pertence aos nativos do território, nem de seus representantes. A criação de estratégias de desenvolvimento por parte do Norte, revela o projeto imperial de seu capitalismo, em que a dependência é planejada a fim de permitir a existência de uma clientela dependente de sua tecnologia, já que a ela foi proibida a criação de  seus parques industriais, uso de subsídios e gerenciamento da economia baseada em suas necessidades locais.

Milton Santos, ao citar as questões alimentícias nos faz uma provocação proposital, provar que a nossa subsistência e existência estão associados ao projeto de dependência e não seremos seres com potenciais plenos a serem realizados dentro de uma cidadania nacional se estivermos coligados com esta globalização; a globalização é uma suavização do termo imperialismo, pois o controle global não é realizado por todas as nações, mas é a predominância do domínio de um povo sob outro.

A produção em larga escala é necessária para abastecer o mercado externo, o que impede a realização da reforma agrária e a manutenção da desigualdade de renda. A socialização da terra, poderia lançar ao mercado nacional novos concorrentes, estes membros da agricultura familiar, que poderiam abastecer o mercado alimentício, esta se associada a criação de parques industriais do setor de alimentos, poderia terminar o ciclo de importações que causa déficits na balança comercial favorável.

No caso brasileiro, a internacionalização do capital pode vir a modificar a circulação da moeda e criar um ritmo de aceleração ou desaceleração econômica baseada em uma outra realidade, a exemplo disso está o período do Governo Lula em que até 2008 tornou-se comum a compra de commodities brasileiras por parte da União Europeia e dos Estados Unidos. No entanto, após a crise financeira, este comércio exterior foi rompido, a nacionalização da economia levou a nacionalização política, em que grupos que defendiam a soberania nacional, tanto da esquerda, quanto da direita, defenderam a saída de blocos econômicos transnacionais e ruptura com o comércio exterior, o que pode deixar uma economia dependente de uma realidade externa a ela.

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