Meridionalismo

O Meridionalismo é uma teoria geopolítica, desenvolvida pelo geógrafo brasileiro, André Martin, visando os interesses de Defesa do Brasil e da política externa brasileira no hemisfério sul, sendo esta uma terceira probabilidade de teoria geopolítica a ser aplicada pelo Ministério das Relações exteriores, já que ele dispensa aos interesses brasileiro, o uso do atlantismo e eurasianismo, o foco geográfico desta teoria é o hemisfério sul, que por suas características, representa o encurtamento das distâncias entre os países contido nele, possibilitando o barateamento de transportes.

Politicamente, o objetivo do meridionalismo é o alcance do mesmo nível de desenvolvimento dos países do hemisfério norte, para isto a negociação com países do hemisfério sul é prioritária, pois possibilita a negociação entre nações que estão balanceadas pelo poder geopolítico local e que podem cooperar entre si, para superar a dependência tecnológica e econômica ao qual estão submetidas, favorecendo a balança comercial favorável já que a troca de mercadorias não seriam cotadas em euro e ou dólares, que são moedas mais valiosas que o real no mercado mundial.

Nesta teoria há uma revindicação da reorganização do poder mundial, em vista de fortalecimento dos povos ao sul, pretendendo desenvolver as tecnologias das regiões tropicais, que por vezes as indústrias nacionais e multinacionais instaladas nestes países não atendem as demandas geográficas locais, tendo em vista produzir aquilo que é lucrativo de acordo com os recursos e matérias primas da região, pois são economias dependentes, prezando por uma integração regional, para que haja diminuição de custos em transportes e o fortalecimento das comunicações entre os países da região.

A nível de política interna, o desenvolvimento tecnológico deve ser adequado ao clima local, que possui características tais quais o calor, umidade e a maresia; tendo o fim de enriquecer a produção nacional, paralelo aos recursos locais, facilitando a logística de produção e estabelecendo o Brasil em uma posição de exportador do hemisfério sul em regiões ainda não atendidas pelo norte.

O professor André Martin propõe o meridionalismo na função de uma “geoideologia”, conceito geográfico de ideologia alocada a um território específico, sendo esta uma ideologia de Estado, específica das relações internacionais, operacionalizando a função do Brasil ser o guia do hemisfério sul em diplomacia, questões militares, acordos econômicos e integração regional, cabendo ao Brasil, o papel de potência regional.

O hemisfério sul possui a característica de convergir em todas as bacias oceânicas, possibilitando a projeção ao poder naval, as linhas de comunicação marítima podem aproximar os países do sul, os climas destes países propiciam a produção agropecuária, afirma que todos os países têm uma característica em comum a respeito da questão meridional, todas estas nações foram colônias das potências do norte, o que culminou os déficits de capitais e tecnologias, sendo um dever moral não rebaixar-se novamente a dependente do bloco geopolítico nortista, do qual derivara seus dominadores.

A região meridional relembra e mantém a perspectiva dos países não aliados, assim como o foram na Guerra Fria, hoje novamente na bipolarização entre eurasianismo e atlantismo, entendendo o conflito entre potências europeias interligadas geograficamente por via terrestre, no combate por territórios específicos e estratégicos, do ponto de visa econômico e político, assim não sendo uma disputa do hemisfério sul, já que não colheriam bônus em um possível esforço de guerra.

Em exemplo concreto, a França realizou seus experimentos nucleares no Atol de Murora, os australianos e neo-zelandeses, em conferências mundiais e inclusive na ONU reclamaram da ação do Estado francês, porém suas reclamações não foram ouvidas, justamente pela debilidade diplomática, política e militar que tangem os dois países, que inclusive são pertencentes ao hemisfério sul, apesar de seu alto índice de desenvolvimento humano.

Para o professor André Martin, os principais países do hemisfério sul são Brasil, Índia, África do Sul e Austrália, estas nações possuem características em comum, são economias com predominância agrícola e extrativistas, além de serem propícias ao transporte marítimo, durante a década de 90, foi discutido na ONU, a possível entrada ao Conselho de Segurança, de Brasil e Índia, apesar de não realizado, negociações políticas entre estes países com o fim de unir seus objetivos pode potencializar suas respectivas projeções geopolíticas.

Um dos critérios para garantia do assento de segurança da ONU é a criação de centrais nucleares, locais de desenvolvimento de energia nuclear, com o fim de que os países que produzem esta energia possam discutir entre si, quais os regulamentos para este meio de produção, assim, o Brasil caso realize este projeto, terá influência geopolítica em questões de segurança a nível internacional, já que terá direito a voto.

Investimentos na escola da Marinha trarão benefícios, pois é necessário em um mundo globalizado, a projeção militar externa, não enquanto modelo imperial, enquanto forma de subjugação de povos e imposição cultural mas pela proteção de aliados e estratégias marítimas de comércio, a exemplo do que os portugueses fizeram no Cabo da Boa Esperança, pois o porto ali construído representava uma passagem para as Índias, assim o Brasil pode negociar com países, a criação de zonas comerciais.

Cuba, atualmente possui relações militares e comerciais com a Rússia, a Colômbia com os Estados Unidos, a Venezuela com o Irã, China e Rússia, a Argentina concedeu a criação de base militar chinesa em seu território, em sua maioria, são as potências do norte que exercem influência na região geográfica ao sul, ficando suscetível aos seus objetivos políticos que podem ser coincidentes ou não.

Historicamente a penetração de capitais brasileiros no hemisfério norte, apresentou-se com imensa dificuldade, que apesar do liberalismo interno à região européia, as taxas alfandegárias e de importação são altas, a exemplo da Inglaterra na década de 30 que havia taxas alfandegárias maiores que Alemanha e França, mesmo com uma perspectiva de economia de mercado ainda presente, durante os anos 50, no período de industrialização brasileira, preferiu-se desenvolver uma diplomacia comercial direcionada a Ásia e a África, já que a moeda brasileira foi e ainda é mais valorizada do que moedas da região.

O Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, assinado em 1947, no pós guerra, consolidou a submissão brasileira aos Estados Unidos perante questões militares, durante a década de 60, quando se discutia entre Brasil, Argentina e a África do sul a possibilidade de criação de um órgão internacional chamado Organização do Tratado do Atlântico Sul, os Estados Unidos colocaram-se contra.

Na década de 1980, o Brasil vislumbrou uma possibilidade de autonomia perante os Estados Unidos da América, ao vender petróleo a Líbia e ao Iraque, os Estados Unidos por meio da OTAN discutiu a possibilidade de criar sanções aos dois países e assim impediu esta troca comercial, por conta de conflitos econômicos e militares, nos quais o Estado brasileiro não apresentava interesses.

O Conselho de Defesa Sul-Americana é um dos meios de discussão entre os países da América do Sul para projetar sua defesa territorial, eliminando reptícios de dependência militar, política e tecnológica perante as potências do norte, apesar de uma política governamental, oscilada pro Governos de diferentes ideologias, é necessário discutir com maturidade uma agenda militar sul-americana com o fim de desenvolver a tecnologia das forças armadas locais, ao mesmo tempo em que a troca de recursos tecnológicos não gere condições de subordinações de um país para com outro dentro do bloco continental sul-americano.

O pensador André Martins indica a criação de um instituto denominado IBAS (Índia, Brasil e África do Sul) com a perspectiva de discutir e direcionar a política econômica e militar do hemisfério sul; a relação entre Brasil e África por via de transporte de bens materiais, seria facilitada pelo fato da costa africana defrontar-se ao litoral brasileiro, além de que navios de petróleo realizam seu percurso na Rota do Cabo, o que proporcionaria ao Brasil imersão geopolítica no comércio internacional de petróleo.

O texto desenvolvido tem por intuito estimular os debates a respeito da defesa nacional, segurança e rotas comerciais em meios acadêmicos e no cotidiano, tema tão renegado pela academia e políticos, dificilmente em eleições presidenciais brasileiras são discutidas as questões de defesa, as rotas marítimas e trajetos de voos de companhias comerciais estatais não são mencionados enquanto projeto econômico nacional, o Brasil é um país ao sul, que assim quanto aos demais países da região necessitam de investimentos na infraestrutura pra desenvolver-se.

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  • Marcus Valerio XR

    Excelente proposição. Esse seguramente é um caminho muito mais promissor para o Brasil. Só lamento que estejamos no momento sob a égide de um pseudo governo completamente comprometido com a sabotagem dos interesses nacionais e que fara de tudo para nos levar de volta à condição de colônica subserviente aos EUA.

    • Guilherme Melo

      Exato, é necessário fortificar as instituições militares e econômicas nacionais para evitar possíveis dependências externas.

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