Melhor ou Pior

Tenho um amigo, que por algumas atitudes parece não ser, mas pelas poucas convicções acabei o aceitando como tal, ele sempre está a dizer que tudo vai piorar sempre, e lá vem uma avalanche de reflexões que em nossas vidas podem ou não passarem despercebidas, tais circunstâncias e me questiono: até aonde fui feliz? Ou sou feliz? Ou vou deixar de ser?  Na infância passamos por momentos de insegurança que são ancorados pela presença dos pais, já na juventude ficam lacunas entreabertas sem respostas em que na qual nem os pais poderiam responder sendo atribuída a eles uma condição de semideuses e partindo do pressuposto que a infância passou ilesa dos traumas, surgem então na juventude os primeiros vazios existenciais e estou a pensar está melhorando ou está piorando?

 
Bem, então começamos a ter lampejos de consciência da temporaneidade e a perceber que não ter dores na alma ou no corpo é um indicativo de felicidade, percebemos em parte nossa localização no universo e começamos a calcular riscos e probabilidades. Ainda não contamos a quantidade de amigos, só sabemos que a temos e que vão estar juntos sempre, e aí então para nossa surpresa começamos a perceber que não eram nossos amigos, e continuo a pensar está melhorando ou está piorando?
 
E nossa rotina agora é de trabalho, temos que sobreviver já não enxergamos nossos pais e nem o nosso país, aquele ideal contido na juventude para uma família ou uma nação próxima da perfeição passou a ser uma lembrança diminuta tão somente embaixo de nosso teto, mas pensamos estar evoluindo, e continuo a pensar está melhorando ou está piorando?
 
Então por alguma razão estamos nesta via vital de mão única e é aí que entra Deus com sua onipotência, onisciência e onipresença, Esse Deus que até então parecia desnecessário passa a ser imprescindível porque a vida ordena a sermos treinados a pensar em um sentido divino não para entender mas para aceitar e justificar nossa presença neste espaço entre nascer e morrer,  e continuo a pensar está melhorando ou está piorando?
 
Nascemos com várias pessoas nos esperando e se tivermos sorte e competência, vamos ter algumas na hora de nossa morte. Se dado nos fosse a opção isenta do pecado de encerrarmos o ciclo de nossas vidas no momento em que achássemos o mais glorioso com certeza não a faríamos porque a esperta esperança aflora como salvação. E continuo a me perguntar está melhorando ou está piorando?
 
Bem continuemos a caminhada – fazemos todas as dietas possíveis para viver 100 anos e ganhamos uma medalha no peito de velho saudável e solitário e para o ciclo ficar completo vai ter alguns filhos ou parentes preocupando-se não somente com o início do fim, mas com o que vai ficar de herança e poderá ser reaproveitada imediatamente em beneficio individual de quem espera ansiosamente pelo nosso fim. E continuo a perguntar está melhorando ou está piorando?
Então eu diria que a vida é uma curva na estrada e no momento que entramos na curva (vida) a força centrifuga (morte) nos puxa para o caos ou a salvação, e a curva está ali você vê e a força você sente, a estrada está aqui esperando nossas atitudes para um traçado distante da perfeição, mas que poderá estar perto do coração, ao percorrer uma longa reta olhamos para trás com poucas emoções porque o que nos dará sentido às nossas vidas serão as curvas com sua força intrínseca, e continuo a perguntar está melhorando ou está piorando
 
Então quando eu estiver sozinho jovem ou velho e sem curvas, devo sim reconstruir e recomeçar esta estrada e a minha “relativa e única” interpretação deverá dar um novo sentido e um novo recomeço à vida.
E agora quem deverá dizer se está melhorando ou piorando é você porque estou falando com tua percepção e não com meu ideal.
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