Livre-arbítrio, bom ou ruim?

Primeiramente, caro leitor, gostaria de fazer uma breve introdução ao livre arbítrio, começando com a etimologia da palavra, para quem ainda não entende qual o real significado da palavra, o sentido e a relação dela no nosso cotidiano. Podemos dizer que nossa vida é basicamente baseada no livre arbítrio, pois ele representa todas as expressões de liberdade de escolha que temos, ou seja, a capacidade de livre escolha pela vontade humana. A palavra não tem uma data ou origem única, representa significativamente crenças religiosas ou propostas filosóficas de diferentes modos, marcados na maioria pelas doutrinas do determinismo teológico ao redor do mundo. Porém, inconscientemente, estamos fadados sempre a alguma liberdade – ao menos a de pensamento. E saber reconhecê-las e categorizá-las é tão importante quanto ser livre. Então durante o texto irei dividir o livre arbítrio em três concepções a se considerar, livre arbítrio inserido na natureza humana, na vida em sociedade e na base teológica.

Na natureza humana o livre arbítrio é restringido, assim como em sociedade, pois o total direito de escolha uma hora nos colocaria em um dilema, fazer o que queremos, o que podemos ou devemos. A natureza humana é normalmente representada com objetivo de sobrevivência, podendo assim nos apresentar diferentes teorias, se somos ou não pessoas boas em natureza. O instinto ligado aos seres não significa livre arbítrio, pois os instintos não necessariamente precisam da capacidade de estabelecer escolhas diferentes, e normalmente é ligada a preservação de espécie. Um exemplo básico taxado nos instintos humanos seria a nossa liberdade de pensamento, quanto trazemos conosco a ideologia, não quer dizer que podemos implantá-la  no nosso meio de vida, o simples “querer” torna-se muito subjetivo.

Agora em sociedade o papel do livre arbítrio toma um rumo diferente  quando consideramos a liberdade humana. Enquanto inseridos em sociedade, assinamos o que chamamos de contrato social, na teoria, trocamos nossa liberdade pela proteção do estado, ou seja, aceitamos o limite de não podermos infringi-lo ou seremos punidos. Entra o detalhe citado acima, até podemos fazer aquilo que queremos, mas caso não seja permitido perante sociedade, seremos responsabilizados pelos nossos atos. Uma sociedade considera as pessoas responsáveis pelas suas ações, o que requer o livre arbítrio, mas cria-se assim uma responsabilidade moral acima de nossa liberdade de escolha. Ou seja, inseridos em sociedade nossas liberdades são limitadas aos direitos das outras pessoas. O próprio direito de liberdade é colocado em jogo, ou seja, o livre arbítrio é ditado dependendo de onde é inserido.

Qual a primeira relação que vem a sua cabeça quando ouve a expressão Livre Arbítrio? A maioria das pessoas já relaciona automaticamente ao livre arbítrio concedido aos humanos na criação de Deus. Então vamos dar também um enfoque na classificação teológica já nos perguntando, por que Deus daria a liberdade de escolha a nós humanos, inclusive a liberdade de acreditar ou não na existência dele?

Deus criou os humanos à sua imagem. (Gênesis 1:26) Ao contrário dos animais, que basicamente agem por instinto, nós somos um reflexo de nosso Criador no sentido de que somos capazes de demonstrar qualidades como amor e justiça. E, assim como ele, nós temos livre-arbítrio.”

“Nosso futuro depende, em grande parte, de nossas escolhas. A Bíblia nos incentiva a ‘escolher a vida por escutar a voz de Deus’, ou seja, por escolher obedecer aos seus mandamentos. (Deuteronômio 30:19, 20) Essa oferta não faria sentido, ou até mesmo seria cruel, se nós não tivéssemos livre-arbítrio. Em vez de nos obrigar a fazer o que ele diz, Deus nos faz o comovente apelo: “Oh! se tão somente prestasses realmente atenção aos meus mandamentos! A tua paz se tornaria então como um rio.” — Isaías 48:18.”

Agora, caros leitores, através da bíblia consideraram Deus todo bondoso por permitir a nós o direito de escolha, não é? Agora, pense comigo, considerando que a fonte de todo mal surge do livre arbítrio, pois junto com toda liberdade de escolha, surge a liberdade de fazer o mal também. Deveríamos considerar assim Deus todo bondoso sabendo que permitiu que o mal se instaurasse na terra através do livre arbítrio? Ou o fato dele não ser bondoso caso não nos permita o direito a liberdade?

Claramente uma teodiceia instaurada, mas continuando, Deus não é todo poderoso, não controla tudo? Esse argumento não pode ser levantado quando tratamos do livre arbítrio, pois se opõe a todo significado de cuja palavra. Se Deus todo-poderoso controla tudo, qual o sentido de pensarmos que temos o total direito e liberdade de nossas escolhas? A bíblia apresenta uma passagem tanto quanto interessante sobre isso:

“De fato, a Bíblia ensina que Deus é todo-poderoso; ninguém pode impor limites ao seu poder. (Jó 37:23; Isaías 40:26) No entanto, ele não usa seu poder para controlar tudo. Por exemplo, a Bíblia diz que Deus ‘exerceu autodomínio’ para com a antiga Babilônia, uma nação inimiga de seu povo. (Isaías 42:14) De modo similar, por enquanto, ele escolhe tolerar aqueles que fazem mau uso do livre-arbítrio e prejudicam outros. Mas Deus não vai tolerar isso para sempre. — Salmo 37:10, 11.”

A onisciência e onipotência de Deus estão sempre em conflito com o livre arbítrio. Mas levando em consideração o argumento de Deus todo-poderoso, também podemos facilmente refutá-lo. Deus seria capaz de criar algo mais “poderoso” que ele? Caso sim, ele não seria mais o todo poderoso, pois criou algo maior que ele. E caso não, Deus não seria onipotente por não conseguir criar esse algo. Encontramos argumentos lógicos para defender nossos ideais, mas até agora só confundimos mais ainda se realmente o livre arbítrio é uma “bênção” concedida a nós ou apenas um meio pra manifestarmos todo nosso mal.

Vejamos como toda relação, tanto filosófica quanto teológica, é realmente muito frágil na relação com o livre arbítrio. Será o livre arbítrio uma bênção concedida a nós? E por que trocaríamos ela pela proteção e pela propriedade privada?  Não temos tantas respostas antropológicas, as questões da vida são um mistério, mas é graças às liberdades de nossas escolhas que nos permitem indagar essas questões. Assim, consequentemente, toda nossa vida se faz grandiosa por podemos ser quem quiser e fazer o que quisermos traçando nosso próprio destino, ou será que não?

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Talison Tecchio

Talison André Tecchio, natural de Concórda-SC nascido em 06/10/1998. Atua como colunista na área acadêmica do site e também como editor/produtor e organizador do canal do youtube filosofia do cotidiano.Formado como técnico em Agropecuária no Instituto Federal Catarinense (IFC) concórdia e atualmente cursando Medicina Veterinária no IFC- campus concórdia. Além das ciências naturais tem Interesses de leituras nas áreas de psicologia, antropologia e astronomia.

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