John Stuart Mill e a Democratização da Mídia

Neste breve texto gostaria de falar sobre alguns pontos do capítulo II da obra Da Liberdade, do filósofo inglês, da tradição do liberalismo, John Stuart Mill. Dentre os diversos pontos trabalhados no texto, alguns merecem atenção especial pelo fato de tratarem de temas extremamente atuais.
Num primeiro momento, gostaria de chamar a atenção sobre a ideia de se questionar para aprender. Quando Mill escreve sobre isso ele trata de elucidar que as verdades que são colocadas para nós devem sempre ser colocadas em xeque. Isso se dá pelo fato da evolução do conhecimento humano, ou seja, quando pequeno meus pais me trazem as verdades de sua época, nós, como pessoas de uma era mais avançada, com maior quantidade de informações, temos que colocar em questão essas ideias, afinal é nosso direito e dever de se ter liberdade de pensamentos.
Quando se fala em Liberdade de pensamentos, quer-se-á dizer que somos livres para pensar, questionar, estudar, tudo aquilo que está em nossa volta. Como dito, é dessa forma que o homem evolui intelectualmente, pensando sobre aquilo que lhe fora dado na família, fazendo, como disse Popper posteriormente, um falseamento das verdades que nos foram dadas, e assim às substituindo por outras.
Então, chegamos ao terceiro ponto, e talvez o mais importante: a Liberdade de expressão. Mill achava desnecessário falar sobre um tema tão atual, que é a Liberdade de imprensa. Podemos pensar o seguinte: ambos os termos estão totalmente interligados. Isso se dá pelo seguinte fator: só se tem liberdade de expressão, principalmente, quando se pode levar ao público todos os seus questionamentos e pensamentos. Por exemplo, quando se tem apenas uma voz falante na imprensa, enquanto as outras sofrem caladas, em hipótese alguma pode dizer que se há os dois lados da moeda. Como o povo irá questionar algo, se é apenas esse algo que está lhe aparecendo? Como saber se outra cultura é interessante se não existe espaço para as outras? E mais, como saber se um tipo de governo é corrupto se não se mostra os defeitos do outro?
Pois é quando se coloca diariamente na imprensa, quando se bate todos os dias na mesma tecla, não se deixa pensar, não se deixa questionar, não existe liberdade alguma nisso. Mill enxergou isso no ano de 1859. “Se a opinião é correta, privam-nos da oportunidade de trocar o erro pela verdade” […] ou seja, quando a imprensa nos mostra apenas um lado, que pode ser o errado, esquece de que o certo pode estar escondido. Algo que deve se pensar é: será que eles querem que vejamos o lado certo?
Mill usa o exemplo da religião para dar ênfase e exemplificar sua ideia: quando recebemos valores religiosos de nossas famílias, eles são colocados como unos e imutáveis. Mas e quando nos deparamos com um ateu, é fácil ou é difícil de aceitar que ele também segue um dogma? Mill coloca que os cristãos são obedientes a Cristo, e que sempre tentam orientar aqueles que não seguem seu mestre para vir a seguí-lo. Aí eu pergunto, onde fica a liberdade na religião?


[1] Acadêmico de Filosofia na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) Campus Erechim.
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