HEDONÍSMO, ou no que estamos nos tornando?

Até onde nosso egoísmo tem nos levado… Estamos nos condenando a uma vida vazia, sem significado e não temos nos dado conta disso. Temos gastado nosso tempo vendendo-nos a preço irrisório na vil esperança de, um dia, alcançarmos uma situação financeira que nos permita viver uma vida regada de prazeres. Mas, acontece que, esta vida nunca chega, quanto mais temos, mais desejamos ter e, no final, estaremos sentados sobre uma pilha de insignificâncias, sozinhos e solitários.

Temos defendido que tudo é relativo. Que a sociedade deve respeitar cada indivíduo em sua totalidade e individualidade. Temos questionado e derrubado – um por um – cada pilar moral de nossa sociedade. E não me entendam mal, eu reconheço os avanços positivos que estes novos tempos têm nos trazido. Avançamos e derrubamos, diariamente, o preconceito, a homofobia e o machismo. Porém, parece-me que – desculpem meu pessimismo – abrimos os portões do Inferno para resgatar algumas poucas almas e não conseguimos mais fechá-las. estamos claramente perdendo o controle sobre a sociedade. Para não soar tão esperançoso – alguém sempre dirá que não deve ter controle social -, devemos perceber que caminhamos para a barbárie generalizada e o caos. Esse é o futuro que nos aguarda.

Em um futuro bem mais próximo do que desejamos , estaremos aceitando barbáries como pedofilia ser orientação sexual e não crime, até porque isso já se tem discutido hoje em dia. Mas hoje ainda temos valores e padrões que não permitem que discussões deste tipo se mantenham isentas ou livres de represálias. Contudo, é bem provável que em um futuro próximo nossos filhos e netos poderão usar os mesmos argumentos que usávamos para convencer nossos avós sobre a questão LGBT, defendendo a liberdade sexual de um estuprador, de um pedófilo, de um necrófilo e assim por diante.

Mas, por quê?

A resposta é simples, mas não fácil de aceitar. O sistema gerou a necessidade de uma vida regrada pelo prazer. Entretanto, a questão que deve ser discutida é justamente quem ou o que refreará a busca humana por prazer quando relativizarmos todos os códigos morais? O que impedirá um pai de estuprar sua filha ou filho, alegando que o amor de pai já não o satisfazia mais? Quando não houver mais nenhuma instituição para definir certo e errado, como nos guiaremos? Parece absurdo? Analisem as sociedades do norte da Europa. Aquelas que se tornaram laicas, que fecham presídios por não terem mais quem prender. Aquelas sociedades que todos desejamos que o Brasil imite e – um utópico dia – alcance. Perceba que nestas sociedades não existe mais violência… ou será que existe e ela apenas mudou de rosto? Afinal de contas, não é nem um ou dois casos de surtos psicopáticos acontecerem nestes países. Ou de pais presos por manterem as filhas em cárceres privados, servindo como escravas sexuais… Como explicar esse fenômeno? Ou será mera coincidência?

Por fim, temos criado uma geração que com 12 anos tem 4 mil amigos no Facebook. Uma geração que a cada dia posta fotos mais ousadas em busca da satisfação e do alcance daquele prazer extremamente vil de ser popular. Já vi fotos de alunas e alunos de 12 anos no Facebook com roupas íntimas e em poses um tanto quanto eróticas. Estas fotos alcançaram, de fato, um grande número de curtidas. Mas, o que farão agora para que as próximas superem as anteriores? Qual é o limite na internet entre o ousado, o ridículo e o obsceno? Pergunto-me onde estão os pais dessa geração. E hoje, dia 08/07/2017 encontrei-os no pátio da escola, durante uma festa de São João vendo seus filhos e demais alunos escutando e dançando funk do mais baixo nível. Alguns resmungaram em desaprovação. Nenhum fez nada.

Não estou querendo defender um sistema retrógrado, rígido em sua moral. Mas é preciso questionar-se sobre o rumo de nossa sociedade. Porque no fundo, tudo isso é – na verdade – um discurso sobre egoísmo. Defendo a quebra de todos os tabus, de toda ética e moral porque, em última instância, o meu único interesse é ser aceito, nem que para isto precise inventar rótulos tão vazios que nada dizem, como por exemplo, pansexual. Chegamos ao ponto de inventar palavras, porque as nossas nada mais dizem. Caminhamos a passos largos para a torre de Babel.

Estamos cada vez mais, tornando-nos bárbaros.

“Eu não discuto, eu chuto! Eu não debato, eu bato!
Não sei bater papo mas resolvo no sopapo”

-Gabriel, o Pensador.

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Ricardo Luis Reiter

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Áreas de interesse: filosofia social, política, ética, escola de Frankfurt, filosofia da religião.

  • Petra Jacobino

    Ótima reflexão amigo!! o/
    Penso muito sobre o porque da nossa necessidade de classificar tudo, e seu texto me levou a refletir que essa necessidade pode ser, na verdade, de se identificar com tudo. E, na medida em que somos mais diversos, queremos nos agrupar com iguais. Toda evolução tem momentos de ignorância, aliás, são esses momentos que permitem a nossa evolução pessoal e como células de um corpo maior chamado sociedade, humanidade!!!
    Agradeço muito pelo seu texto!! Mas não esqueça que, diferentemente do que a mídia de massa quer nos fazer acreditar com seus noticiarios, a maioria de nós é de gente comum, tentando evoluir um pouquinho ali, um pouquinho aqui, somos todos aprendizes, ignorâncias fazem parte desse caminho!!!
    Sinta-se abraçado!!!! o/

    • Ricardo Luis Reiter

      Mui grato pelo comentário Petra. Concordo e tenho ciência que a maioria da população tem o desejo de buscar mais… Contudo, cansa-me ver toda uma geração largada as traças… Nossos jovens estão sem rumo… Os adultos gastaram a vida atrás do sonho americano e, agora aos 50, viram que a perderam… Ambos rendem-se aos vícios na vil esperança de encontrar prazer nessa vida doentia… E assim caminhamos, buscando prazer em cada possibilidade, em cada fuga desta miserável vida que levamos…

  • Álvaro Souza

    Essa discussão é bem antiga! E o que me espanta é o quanto ela foi deixada de lado. O Utilitarismo de S. Mill venceu afinal, mesmo após Kant ter tentado abrir os olhos da humanidade. A democracia é um fracasso, baseada no utilitarismo, toda a ciência é praticada por base da razão instrumental. Tudo deve ter uma função e felicidade realmente se tornou +PRAZER & -DOR. Não tenho mais esperança, quero ficar bem longe disso, com alguns livros, sentado, numa montanha distante, solitário. Olhando-os se comerem! Caso alguém tenha uma ideia melhor, estou aberto a discuti-la. Desesperado, enxergo o precipício bem próximo!

    • Ricardo Luis Reiter

      Infelizmente, compartilho do mesmo sentimento. Grato pelo comentário…

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