Futebol Político

Assistindo a um jogo de futebol, o que raramente faço, transmitido pela televisão, deparo-me com uma reflexão pertinente. Logo me surge certa semelhança entre a realidade brasileira atual frente à questão ético-político-social e o jogo de futebol e afins.

Percebo por várias vezes a conduta incorreta de jogadores, que mesmo agindo de forma inapropriada e violenta, frente ao juiz, tem a petulância de fazer apontamentos não condizentes com a conduta.

O juiz, por sua vez, parece muitas vezes, julgar lances de forma pessoal, agindo de forma parcial, mesmo com a evidência de provas que afirmam o contrário do lance. Os bandeirinhas e muitos outros, encarregados de interferir nos julgamentos injustos, parecem estar ali também para fins escusos.

O torcedor, movido pela emoção, parece estar cego. Cospe e grita palavras de “ordem”, xingamentos, é a exímia figura de justiceiro. Sabe ele como se deve atuar dentro de campo, como administrar o time e o clube e, consequentemente, como arbitrar a partida.

A mídia, encarregada de transmitir e comentar o jogo parece, como sempre, o fazer de forma tendenciosa. E se não bastasse, comerciais que incentivam a cultura de massa, ou seja, nenhum pouco racional, são colocados, me parece, em hora oportuna.

O futebol, assim como muitas outras coisas, se tornou mercado. Aqueles que ganham para isso tornam-se descaradamente mercenários, pouco se importando com a “bola no pé”.

Constrói-se um espetáculo, não falta nada. Como se não bastasse, o caro telespectador, com um pouquinho de senso crítico, percebe um discurso muito reflexivo e nunca visto antes ao final do da transmissão, como por exemplo: “É isso aí, ‘graçadeus’ consegui empurrar a bola na rede, fiz o que o ‘pressor’ pediu, ‘graçadeus’. Vamos continuar ‘trabalhando’ essa semana aí, foco, força e fé. ‘graçadeus’!

Isso quando as emoções não vêm à flor da pele e toda a racionalidade humana se expressa em uma pancadaria generalizada.

O objetivo dessa crônica – se isso era para ser uma crônica – não é dizer ao caro leitor para não assistir aos jogos e/ou não praticar esportes, muito pelo contrário. Contudo, na minha opinião – e que fique claro, na minha opinião – o indivíduo que sabe de cor o hino do seu time, a escalação titular do mesmo, mas que desconhece que suas atribuições como cidadão vão muito além do voto e, sobretudo, enche o peito para falar de política, me faz concluir que, de fato, merecemos nossos representantes. Cartão vermelho para você.

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Renan Peruzzolo

Reside em Concórdia - SC; Graduando de direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Interessa-se por assuntos referentes à Ciência Jurídica, Filosofia, Ciências Sociais, Economia, Relações Internacionais, Geopolítica, História e Psicologia/Neurociência.

  • Rogerio Augusto Bilibio

    O futebol é campo fértil para mil reflexões. Nele se pode perceber como os movimentos da sociedade são monitorados pelo interesse, não pela ética.

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