Fábrica de suicidas

O maquinário existe, seríamos montados pelas mãos do holocausto mental humano.

Saber quando iríamos ser expostos nos causava um delírio intrigante. Pequenos ou grandes distúrbios distribuídos pelo mercado da morte. De alguma forma, esses eram personagens montados e construídos para serem danificadores de nós mesmos.

Eu fazia parte dessa maquinaria. Eu era a junção de peças quebradas. Eu era um surto sendo multiplicada seguidamente.

Eu era mercadoria feita para diversão das loucuras humanas, eu era o brinquedinho da insanidade. Eu era o petisco da vez, que seria mastigado mil vezes até ser engolido facilmente pela sua mente.

Nossa mente digere, digere sintomas doentios regulamente, com um desejo que essa realização seja tudo que se necessita no momento. Como se essa fosse a saída da sua problemática. Vesti-la e consumi-la era sua regra na vida.

Complicadamente fabricado, eu me deslocava nas prateleiras nesses instantes. Sendo visualizado por muitas vistas vazias e adoecidas, adoecidas pelos seus próprios medos.

E uma alma foi hipnotizada pela minha estrutura degenerada, fui pega, raptada por suas mãos e colocada na sua lista breve de insanidades.

Sentia-me levada, e lá estávamos nós. Eu sendo uma mercadoria fabricada pela mente humana, sendo uma veste, sendo seu cardápio. Eu era a indisposição do homem à venda. Eu era o seu descontrole comprável.

Cada um sabe viver do que produz. Somos dono da nossa própria produção mental.

Ou vivemos para fabricar o bem mental, ou seremos induzidos a comprar a nossa própria ruína.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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