Eu sou de palavra

 

O homem de palavra constava em sua bagagem milhares de adjetivos, o homem de palavra carregava consigo, conteúdo de ética de comprometimento, o homem de palavra era a palavra.

Ao contrario do homem sem palavra, esse era vazio, pálido de senso, camuflado de desrespeito.

Ambos não se conheciam nunca se esbarraram. Um dia houve a tromba, a manifestação de imediato foi curiosidade dos dois lados, a que mundo cada um pertencia. De um lado um alto sistema de verdades, do outro o baixo nível de desconfiança.

Frente a frente se consumiram, se entreolhando, quase uma analise de perfil. Por fora o homem de palavra demonstrava pose de si, e administrador da suas palavras, penduradas não somente no corpo, mas internamente.

Porem já o temido homem sem palavra era externamente em meio à desconfiança, o conteúdo se desgrudava de si, como se nada fosse tão verídico e não confiante, era de falso apoio, tais palavras queria correr daquela estrutura, desgrudava-se daquele corpo, imundo em inverdades.

O homem de palavra olhava preocupado para aparência do homem sem palavra, as palavras gritavam no corpo dele, sendo assustadores aquelas sensações. Rasguem-me pra longe deste monumento pobre de verdade! Diziam as palavrinhas decaídas quase despregadas.

O homem sem palavra cobiçava o seu vizinho cheio de tantos termos fortes em seu corpo, enfeitando-o com firmeza e independência. Os sugava de uma forma belíssima, o abraçava de um aconchego, pediam colo, pedia permanecia. Ao avesso dele.

Ambos se perguntavam como será ter palavra, e não ter-las?  Como será ser dono da sua responsabilidade, e como não assumir seus danos? Como responsabilizar por aquilo dito por ti e não ser merecedor da palavra lançada?

Existem homens com palavras, já outros nem conseguem levar dentro de si uma bagagem de vogais.

E você? Tem palavra ou não tem?

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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