Eu sei me afogar quando preciso.

”Às vezes eu mergulho dentro de mim, por existir lagos, mares e oceanos capazes de me refrescar. Essa capacidade eis que aqui fora são inacessíveis, ou se existem são oceanos quase a ponto de ressecamento.
Extintos eles se vão… Ficam a morrer a se fazer doentes e secam. As paredes mostram-se rachadas, trincadas, as velhas rachaduras unindo-se às novas que manifestam em minha desordem, porém ninguém sabe a inundação que existe em mim, em você.
Nada nasce aqui fora. Nem emoções nem sentimentos, nem sementes podem ser plantadas, aqui fora elas morrem, aqui fora elas secam, aqui fora somente o corpo dorme, dorme permanentemente.
Internamente, eu me afogo. Me enche a boca de águas turbulentas, águas vorazes.
Quando chego à beira da minha alma eu me deleito a tentar pisar nas bases de terreno ainda existentes em mim, em você. Mas desisto desta ousadia e volto a nadar dentro de mim, me periciando a morrer afogada.
Externamente a lados ressequidos onde nem toda gota alcança, onde nem todo sentimento se faz apegar, eu sinto terra seca me domar, me adornar. Por fora, por fora se agarra… Somente.
Às vezes eu mergulho em mim quando me abandono da humanidade. Durante os intervalos do meu silencio, nesses momentos eu me banho internamente, e não me enxugo não me dou o prazer de me secar por dentro.
Me seco ao vento, pois dentro de mim há ventanias que destroem às vezes ou me alivia, com seu toque… Afogadamente”.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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