Ética no Cotidiano

Não pretendo dar nenhuma definição original ou inovadora. Como o tema é: “Ética no Cotidiano”, a definição que seguirá estará subordinada a este viés.
Parto da premissa que toda Ética, indispensavelmente, é a que se realiza no cotidiano, pois, qualquer forma de expressão ética que se dê fora dele não passaria de um mero discurso vazio e inócuo. Ética tem tudo a ver com as atitudes adotadas no dia-a-dia da convivência humana.

Para responder a questão: “o que é Ética?”, valho-me da analogia com a Gramática. Se perguntarmos o que é a Gramática a resposta, bastante simplificada, seria: a ciência que trata do uso das regras da língua falada e escrita para orientar a comunicação das pessoas no cotidiano.
A Gramática presta um relevante serviço à sociedade, na medida em que, para haver uma boa comunicação, ela é indispensável no dia-a-dia dos cidadãos. A língua é o principal instrumento nas relações humanas em sociedade e, entende-se por isso, a importância do seu correto uso por parte de todas as pessoas.
Analogamente compreendo que a Ética é a ciência que trata das regras das atitudes humanas para orientar as pessoas no cotidiano. Nesse sentido a Ética presta, como a Gramática, um relevante serviço à sociedade, pois sua função é a de orientar as pessoas para que suas atitudes favoreçam o entendimento e o equilíbrio nas relações humanas no dia-a-dia.
A função da Ética não é ser normativa, ou seja, definir regras e arbitrá-las para o uso social. Se partimos do pressuposto que Ética é ciência, ela, como toda e qualquer ciência, não é legisladora, mas orientadora. Para compreender-se tal proposição, costumo exemplificar com a Matemática que, em sentido lato, é a ciência da quantificação. A formulação: “1 + 1 = 2”, não é uma regra da Matemática, pois o valor dessa operação é anterior ao surgimento da Matemática como ciência. À Matemática, como ciência, coube-lhe a atribuição de reunir as regras de quantificação, ordenando-as dentro de um sistema que torne possível seu uso prático no cotidiano. O mesmo pode ser afirmado em relação à Gramática, pois ela não criou as regras, nem as impõe obrigatoriamente, contudo expõe de modo prático seu melhor uso na comunicação humana em sociedade. Não é a Gramática que me proíbe dizer: “nóis vai” ou “nóis fumo”. Ela apenas orienta que, segundo as regras da comunicação, tais expressões não são adequadas e compatíveis com as exigências no contexto onde se prima por uma qualidade de comunicação.
A Ética, portanto, é a ciência das relações humanas em sociedade com base no regramento moral existente. Assim como a língua falada é a anterior à Gramática e “1+1=2” é anterior à Matemática, a moral é anterior à Ética. Não é função da Ética impor, aos cidadãos, a moral existente, porém, orientá-lo a fazer uso adequado deste regramento para melhorar e aperfeiçoar as relações humanas pautando suas atitudes pela reflexão ética.

por Nereu Ruben Haag 

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