ESTUDOS SOBRE A SOCIEDADE – MÓDULO I: VAMOS FALAR SOBRE CULTURA – Texto 1: O que é cultura?

Cultura tem sido um termo um tanto em voga nos últimos anos. De mal utilizada a mal compreendida, não há dia que não a ouvimos – ao menos uma vez. Mas, enfim, do que se trata cultura, ou ao que ela remete?

Ao consultarmos o dicionário Aurélio, encontramos para cultura o seguinte significado: “antrpol. conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social”. Em outras palavras, cultura remete a todo conjunto de aspectos que dão identidade a um determinado povo – e atualmente a grupos específicos. Fato é que as relações sociais tem mudado, e com elas mudaram também as aplicações de termos utilizados pelas ciências sociais. Hoje dizer que cultura remete-se apenas as espeficidades de grupos geográficos específicos é, no mínimo, agir com ingenuidade.

Mas voltemos um pouco. A cultura não respeita as dimensões geográficas. O que conhecemos como país pode ser um aglomerado de povos culturais. Da mesma forma, dois ou mais povos podem ter aspectos culturais semelhantes. Vejamos o exemplo do Brasil. Vivemos em um país multi cultural. Existem aspectos bem específicos que variam entre a população gaúcha, mineira e baiana – apenas para dar alguns exemplos.  Por outro lado, como já dito anteriormente, povos com aspectos culturais semelhantes podem estar divididos em mais de um país. Exemplo disso são os países africanos que, através de seu processo de conquista e demarcação territorial – realizada pelos europeus – acabaram tendo povos inteiros divididos em dois ou três países.

Contudo, cultura não diz mais respeito somente a aspectos que determinam a qual povo pertencemos. É cada vez mais comum um movimento onde as pessoas decidem a qual cultura desejam pertencer. Fruto de uma geração que busca, cada vez mais, quebrar os antigos valores e tabus, o pertencimento a grupos específicos tem criado uma nova concepção de cultura e proporcionado ao termo uma certa flexibilização de seu significado. Afinal de contas, se hoje reconhecemos que determinada pessoa é gótica, punk ou geek é porque temos um padrão cultural pré estabelecido que nos permite identificar cada um destes grupos, semelhante ao grupo de características que nos permite identificar se fulano é gaúcho ou mineiro. Contudo, esses novos grupos que estão surgindo respeitam cada vez menos as fronteiras geográficas. Suas características são – salvo pequenas mudanças –  mundiais. Um punk será um punk, indiferente se está no Brasil ou no Japão. Existe um determinado conjuntos de características que os identificam. Essa é a nova realidade cultural que, cada vez mais, tem se fortalecido e derruba as diferenças culturais regionais, dos antigos padrões.

Entretanto, nem tudo são novidades positivas, no âmbito da cultura. Com as redes sociais, as pessoas tem tido cada vez mais espaço para conversar e se informar. E tem-se percebido que muitas das práticas que eram consideradas como aspectos culturais não passavam de abusos contra os direitos de determinados grupos sociais. Surgem assim termos pejorativos para a cultura. Ou termos que apontam práticas culturais que precisam ser combatidas. Percebe-se que o famoso “jeitinho brasileiro” nada mais é do que a instauração cultural de práticas de corrupção dentro da sociedade brasileira. Percebe-se que a imagem da mulher tem sido usada para promover determinadas marcas e produtos de tal forma pejorativamente que ela estava sendo reduzida a mero objeto sexual. Percebe-se que existe uma forte tendencia a culpar as vítimas por atos de violência –  a mulher estava “pedindo” um estupro, o casal gay estava “pedindo” uma surra, o negro estava “pedindo” para ser expulso do banco. Praticas comuns, não só no Brasil, e que retratam o quanto pode ser danosa uma cultura que propaga ódio, violência e desprezo.

Por fim, temos a apropriação cultural pela mídia. Fato é que vários eventos culturais – e aqui citamos apenas o carnaval – tem sido utilizado pela mídia de forma tão pejorativa que o real sentido e significado do evento perdeu-se. Mas isso trataremos em outro texto, futuramente.

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Ricardo Luis Reiter

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Áreas de interesse: filosofia social, política, ética, escola de Frankfurt, filosofia da religião.

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