ERA UMA BOA PESSOA

“Que pessoa boa!!!”

“Porque foi acontecer isso com ela?!”

“Aquela sim era uma pessoa exemplar!!!”

“Hoje quero homenagear uma pessoa que eu admirava muito e nos deixou!!!”

Com certeza você já ouviu muitas declarações deste tipo, em um período que é bacana propor desafios, nada seria mais justo e com o devido respeito de quebrar a tradição de louvores às mortes diárias e propor o desafio pessoal de exaltação ao próximo vivente.

Porque a individualidade, a timidez e a indiferença se fazem presentes aos vivos e a união, a bondade e a caridade se fazem presentes aos mortos? Sendo estes indiferentes aos atos recebidos…

Protágoras de Abdera (em Grego antigo Abdera, 480 a.C – Sicilia, 410 a.C) foi um sofista da Grécia Antiga, responsável por cunhar a frase. “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Nenhum de nós deixamos de ser fruto do nosso tempo segundo o filósofo citado, e como consequência vimos o mundo como representação de nós mesmos – sentindo talvez o sabor enganador da vida eterna terrena, nos recolhemos ao nosso mundo interior e pouco valorizamos os vivos, e o nosso tempo hoje parece que deixou de ser uma representação pessoal e passou a ser uma representação coletiva das mazelas humanas.

Schopenhauer foi considerado um dois “pais” do pessimismo na filosofia  por ver com clareza as coisas do seu tempo, mas muita sabedoria continha em seus ensinamentos, com respostas inspiradoras ao questionamento da existência humana, talvez ele não imaginasse que sua profecia localizada tornar-se-ia um drama mundial aonde não conseguimos ver ou perceber nossos próprios valores, adiando momentos de felicidade para um futuro que nunca irá existir. E agora o que vamos fazer além de tecer elogios aos mortos? Existe uma sobrevida para a humanidade ou para as atitudes humanas?

Novamente Schopenhauer em cena agora menos pessimista – Ele não acreditava em que a razão poderia definir o homem e sim seu corpo e seu sentimento acompanhado da vontade, sendo a manifestação da vontade a mais importante do mundo e presente em homens e animais tenham eles razão ou não, minimizando assim nossas diferenças e nos aproximando um dos outros em essência, e para nosso lenitivo  é bom salientar que muitos dos que nos antecederam já preocupavam-se com nossas relações, e agora não é o momento de saber se a “razão” está com os mortos ou com os vivos e sim que a humanidade desperte a “vontade” e a coragem de tornar o amor a principal ferramenta de nossas decisões.

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