Efemeridade da vida e do homem: Reflexão a partir da obra de Goethe

O grande escritor alemão Goethe em sua obra magna ‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’ nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida quando rodeada de sofrimentos. O livro, essencialmente, fala do amor, mas é possível estender as aflições do jovem Werther à todas as áreas da vida, onde nos deparamos diariamente com dificuldades.

“Não quero por mais tempo provar o veneno amargo que o destino mistura na taça da vida”, Werther quer pôr fim a sua “miserável” existência; podemos sentir o poder dessas palavras ao relacioná-las ao sábio pensamento médico, “a diferença entre remédio e veneno é a dose”. Sei que parece absurdo, mas, na realidade, o veneno do destino, pode ser a força propulsora para uma vida melhor. As dificuldades e sofrimentos são meios pelos quais passamos para nossa evolução mental e espiritual, pelos sofrimentos podemos refletir e compreender coisas que nos parecem intangíveis.

A vida é um amontoado de acontecimentos, devidamente ordenados, dos quais fazem parte as alegrias e sofrimentos, portanto, temos que entender a instabilidade do personagem em optar pelo fim da vida, quando o que o destino lhe oferece é, na verdade, o recomeço.

Mas, deixando de lado a instabilidade psicológica de Werther, vamos a um ponto essencial. Ele nos dá uma grande e real lição acerca do homem. Em suas palavras: “E o homem! Encerra-se em sua estreita choupana, ali se acomoda e pretende reinar sobre todo o universo; porém só na sua imaginação resida aquela soberania. Pobre insensato, fraco mortal, tu queres medir tudo pela tua própria pequenez”. Essas palavras guardam o sábio ensinamento da pequenez e insignificância do homem em frente ao Eterno e ao infinito.

Somos seres biologicamente e intelectualmente limitados, existências que vagueiam em busca de algum sentido, quase sempre não o encontrando e quase sempre acreditando que temos alguma grandeza ou alguma autoridade sobre o mundo. “Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia” (SHAKESPEARE) não nos esqueçamos, que, somos apenas ínfima e insignificante parte de um todo muito maior, que jamais teremos ou chegaremos próximo de conhecer ou dominar toda a Criação, e de que, além de nosso legado, se este existir, só deixaremos nesse mundo, perdoem-me, nossas fezes.

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Cleison Lucas Bonamigo

Cleison Lucas Bonamigo, nascido em 1998, acadêmico de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc Joaçaba. Interessado em Direito, Música, História, Política e Psicologia.

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