É chato, mas necessário.

por Giovanni Novelli¹

O cidadão brasileiro passa por um momento obscuro em sua história, por conta de medidas tomadas pelo governo atual. É quase que um axioma afirmar que toda população está insatisfeita com a tomada de decisão provinda de nossa capital federal.

Querendo ou não, lembro-me da máxima proferida por Thomas Hobbes dentro de sua principal obra (O Leviatã) a respeito do poder concentrado nas mãos de um governante: “O soberano de uma república, seja ele uma assembleia ou um homem, não está absolutamente sujeito às leis civis. Pois, tendo o poder de fazer ou desfazer as leis, pode, quando lhe apraz, livrar-se desta sujeição revogando as leis que o incomodam e fazendo novas”.

Tal aforismo escrito em 1651 nos estremece até os dias atuais por conta de uma centralização do poder nas mãos de poucos. Sendo assim, percebemos que estar à mercê da vontade do(s) nosso(s) governante(s) não é nada satisfatório. Todavia cria-se um ciclo vicioso de desagrado ao falar sobre os tAemas relacionados ao congresso nacional.

Não deve-se culpar as pessoas que não querem ouvir falar de política. Esse descrédito é facilmente apresentado nos resultados das últimas eleições (na qual o crescimento de votos brancos e nulos cresce de uma maneira assustadora). No entanto, ao ignorarmos totalmente os acontecimentos de Brasília, pagaremos o preço de sermos governados por quem é inferior (como dizia Platão).

Ao tomarmos a decisão de não debater e de não nos manifestarmos, seremos eternos coniventes com a conjuntura nacional. Na realidade, a maneira com que se perpassa os acontecimentos, não podemos nos fazer de surdos e mudos em um momento como esse. Tal comodismo ocasiona tamanha perplexidade e com um receio a ponto de concordar com Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo): “A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”. Tal pensamento nos demonstra a ilusão que é feita através da publicidade governamental (apresentando a atualidade como se tudo estivesse muitíssimo bem).

Seja quem for ou de onde for, devemos agir para que a nossa geração e as próximas participem do debate político-ideológico. Não é simples, mas é algo extremamente necessário. A consciência moral deve ser desenvolvida e utilizada como bússola para as melhores deliberações e tomadas de decisão (tanto da população, quanto de seus governantes).

Não é à toa que Vitor Hugo afirmava o seguinte: “Entre um governo que faz o mal e o povo  que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa”.

Não seja cúmplice! Seja a mudança que quer ver no mundo!

¹ Giovanni Novelli é acadêmico de Filosofia pela Universidade Federal do Paraná

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Giovanni Novelli

Acadêmico de Filosofia pela Universidade Federal do Paraná. Preocupado com as questões éticas, políticas, econômicas e sociais da atualidade.

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