…do nada, nada pode nascer…

por Bruna Bacellar

Caro leitor, já parastes um dia para analisar-te junto aos milhares de tudo a sua volta? Alguma vez pensou de onde tudo vêm? De onde tudo surge? Para onde tudo vai?

No intrigante livro “O mundo de Sofia” um misterioso remetente, que mantém contato via cartas, lhe faz perguntas que tornam sua mente pura dúvida e curiosidade, também fazendo com isso, o leitor se questionar sobre tais. Uma das perguntas que o remetente faz inicialmente é: ‘’Haverá um elemento primordial a partir do qual tudo é gerado?”. Com isso, nós dizemos que o tal elemento primordial era chamado de “Arché”.

Desde tal tempo, os filósofos da natureza começaram a pensar de um modo mais “científico”. Os três filósofos de Mileto já pensavam assim. Tales de Mileto acreditava fortemente que a água era origem de tudo, talvez pensasse que tudo começa na água e como rãs surgiram à luz do sol depois da chuva, ou como a água pode se tornar gelo e vapor e depois água novamente. Seguindo essa mesma linha de pensamento, Anaximandro que viveu em Mileto também, já acreditava que o mundo era apenas mais um dos muitos que nascem de algo e perecem em algo que ele denomina como Infinito. Sendo assim, ele não acreditava numa substância determinada e talvez tentasse dizer que a partir do qual tudo é criado, aquilo tem de ser diferente de tudo o que é criado. Visto que tudo o que é criado é finito, o que lhe é anterior ou posterior tem de ser infinito.

Para Anaxímenes, o elemento primordial de todas as coisas era o ar. Ele conheceu a teoria de Tales sobre a água e fez a pergunta: “Mas de onde surge a água?”, para ele o ar era condensado e ao chover, a água é ainda mais condensada tornando-se terra, e o gelo derretido “expele” terra e areia. O fogo era ar rarefeito, por tanto, todos esses elementos ditos teriam origem no ar.

A aproximadamente 500 a.C. viveram em Eléia, os Eleatas, e o mais conhecido era Parmênides; já para ele tudo o que existe, existiu sempre. “Do nada, nada pode nascer. E nada do que existe pode tornar-se nada”. E assim, evoluindo ainda mais seu pensamento, ele diz que nenhuma verdadeira transformação era possível; Aquilo só pode se transformar naquilo que já é.

Você leitor, o que pensa sobre a idéia destes filósofos? O que entende sobre racionalismo? Para Parmênides os sentidos nos fornecem uma imagem falsa do mundo, e ele assim por si só, desmascarava as “ilusões sensoriais”. A grande e forte confiança na razão humana é designada “racionalismo”, mas por quê? Questione sobre isso e as outras milhares de perguntas duvidosas, olhe-se no espelho e reflita sobre quem você é realmente, se existe verdadeiramente e de onde você surgiu; Do que tudo é feito? Heráclito diz “Tanto o bem quanto o mal ocupam um lugar no todo”.

Sem esse jogo permanente entre os contrários, o mundo terminaria. Ele diz coisas sobre Deus, mas que Deus? Para ele “Deus” é algo que abrange tudo. E para você, qual o elemento primordial para todas as coisas? De onde tudo surgiu? O que seria Deus? Como tudo termina? E… Nós, existimos mesmo?


Bruna Bacellar é estudante do primeiro ano do Ensino Médio em colégio de região periférica de Porto Alegre. Relata ter o costume de escrever há algum tempo, já tendo começado um livro, escrever versos e publicar seus textos em um blog seu (já abandonado). Segundo a aluna, escrever é uma consequência do gosto pela leitura.

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