Democracia: A Ditadura da Maioria

Sábios pensadores gregos já sonhavam e discutiam em praças sobre a política, sobre o governo ideal, sobre essa utopia inimaginável que também foi objeto de reflexão nos milênios que se seguiram e ainda hoje, filósofos, pensadores, religiosos, poetas e sonhadores objetivam chegar a uma boa ideia, porém sem sucesso.

Dos inúmeros modelos e sistemas governamentais, o que está mais em voga atualmente é a democracia, aliás, esse nome ambíguo pode remeter ao termo demos, que significa povo ou à figura do demônio, maligno ser que habita as profundezas, já que Teocracia é o governo de Deus, por intermédio da religião.

O sustentáculo desse regime é o povo, ideal imortalizados na maioria das constituições, como a nossa em seu Art. 1º, Parágrafo único: “Todo poder emana do povo (…)” (BRASIL, 1988). Ocorre que, somente em algumas cidades-estados gregas que, de fato, o regime efetivou-se, e isso só aconteceu graças a alguns fatores, como por exemplo o fato de a democracia ser direta e de que grande parcela da população não participava do processo (escravos, mulheres, crianças…).

De lá para cá, inúmeras foram as tentativas para estabelecer regimes democráticos mundo afora, porém, ouso dizer, tentativas sem sucesso. O ser humano, por meio de seu livre-arbítrio e defesa de seus interesses individuais, corrompe o ideal de contrato social proposto pelos filósofos contratualistas dificultando a transformação da democracia de jure em democracia de fato.

Encobertas pelas máscaras da história – normalmente distorcida pelos grupos dominantes, sem exceções – encontram-se sangrentas ‘ditaduras’, as ditaduras da maioria. Ditaduras concebidas pelas normas, que regulamentam o devido processo, caracterizam a maioria e legitimam a imposição das vontades de alguns sobre o povo esquecido e bestializado.

Não estou tecendo crítica, menos ainda defendendo o regime ditatorial, estou apenas instigando à reflexão, para que se pense mais sobre o assunto e não se saia por aí sustentando argumentos cegos embasados na ideia que nos é imposta. É válido lembrar que se o sistema ditatorial é corrompido, o democrático também é, apenas troca-se o sujo pelo mau-lavado pensando-se de fazer grandes avanços.

O problema, no entanto, não se encontra no sistema, mas sim nas pessoas. A reflexão filosófica é o único meio que pode tirar a humanidade irracional dessa caverna política em que se encontra. O que pensas sobre isso? Defendes cegamente algum princípio ou ideologia? És apenas mais um alienado pelas opiniões que lhe são impostas?

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Cleison Lucas Bonamigo

Cleison Lucas Bonamigo, nascido em 1998, acadêmico de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc Joaçaba. Interessado em Direito, Música, História, Política e Psicologia.

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