Procrastinação e indiferença: Dois males cada vez mais presentes.

Lendo um dos livros do grande romancista John Green, me deparei com uma frase que jamais esqueci, em poucas palavras, induziu-me a uma reflexão profunda, que pretendo compartilhar. “A vida é um pequeno instante entre duas eternidades”.

Sabemos que o tempo é curto, precioso e imprevisível, portanto quero chamar a atenção para dois pontos essenciais: o “deixar para depois” e a indiferença.

A sabedoria popular há muito já diz “não deixe para amanhã, o que se pode fazer hoje”, de fato, cada instante que temos disponível nesse mundo deve ser bem aproveitado de forma consciente, para que tenhamos uma existência digna, benéfica e justa, parafraseando o grande Aristóteles. Por mais que a preguiça ou outros afazeres supérfluos nos tirem o foco, é útil que saibamos dosar nosso tempo, jamais deixando o que é possível agora para depois, pois depois pode ser tarde, deixando para depois, nossos melhores momentos e experiências também são postergados e a nossa vitalidade vai se esvaindo.

Outro mal que quero abordar é a indiferença. Segundo Mia Couto “Nunca o nosso mundo teve ao seu dispor tanta comunicação. E nunca foi tão dramática a nossa solidão”, essa solidão que nos deixa, paradoxalmente, cada vez mais próximos e mais distantes. E indiferentes.

A indiferença acabou com todo o sentimentalismo do ser humano, tornou-o desdenhoso, a indiferença “faz do outro qualquer coisa, menos ser humano” (Israel de Sá), reduz o conteúdo emotivo das relações interpessoais, reduzindo-as a meras relações protocolares extremamente indispensáveis, de outro modo, são evitadas a todo custo.

O Papa Francisco recentemente manifestou-se na Praça de São Pedro com a seguinte pergunta aos fiéis católicos: “Quantas vezes vemos pessoas que cuidam de gatos e cães e depois deixam sem ajuda o vizinho que passa fome?” Dessa perguntar, como o Pontífice citou, podemos repensar nosso conceito de piedade e de indiferença.

O grande sociólogo polonês Zygmunt Bauman com sua Teoria da Modernidade Líquida pode ajudar-nos a compreender a dissolução das relações interpessoais, transformadas em relações líquidas, vazias, em conformidade com uma existência humana cada vez mais superficial, cada vez mais vaga.

Que fique para nós a reflexão: Estamos aproveitando nosso precioso tempo? Estamos fortalecendo ou terminando com nossa humanidade? Somos servos levados pela liquidez imposta por alguns e por algumas circunstâncias? Qual é o limite de nossa indiferença? O que podemos fazer agora, por nós, pelos nossos próximos, pelo mundo?

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Cleison Lucas Bonamigo

Cleison Lucas Bonamigo, nascido em 1998, acadêmico de Direito da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc Joaçaba. Interessado em Direito, Música, História, Política e Psicologia.

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