Consciência Social – Parte VII: um desfecho(?)

Quando, conversando com Renan Peruzzolo, surgiu a ideia de escrevermos este conjunto de textos que recebeu o rótulo pretensioso de Consciência Social, possuíamos claramente uma ideia muito diferente de textos e conteúdos do que os que aqui foram apresentados. Interessante este processo de escrever, onde abandonamos nosso porto e deixamo-nos levar. Foi, sem dúvidas, uma experiência interessante…

Neste conjunto de seis textos, muitas perguntas foram levantadas, e poucas foram respondidas. Entretanto, mais do que responder, nosso interesse sempre foi questionar. Porque, afinal de contas, Consciência Social trata-se justamente deste processo dialético: nada do que foi escrito explica o que é Consciência Social, mas tudo o que foi questionado é fruto dela. Interessante paradoxo este que se apresenta. Não sabemos definir, mas percebemos as consequências.

Portanto, ouso afirmar que Consciência Social trata-se de um exercício de interpretação. E como qualquer interpretação, pressupõe leitura. Mas cabe-nos ainda uma pergunta: o que estamos interpretando? Ora, a realidade… Ou melhor, a linguagem utilizada para definir o que é realidade. Ou ainda, os interesses por detrás dos discursos.

Sim, discursos. Acredito que esta seja a grande palavra da humanidade. Discursos movem massas, sensibilizam pessoas… Discursos manipulam, mentem, alienam. Com belas palavras, Hitler comoveu a Alemanha. Com seu discurso, Luther King Jr. foi eternizado. Discursos têm poder. Discursos encantam, comovem. Discursos.

Discurso é o que estou fazendo aqui, buscando convencer vocês. Estranho paradigma novamente. Discurso contra o discurso.

Temos vivido em uma época estranha. Muito se tem falado, pouco se tem pensado sobre o que é falado. Muito se tem agido, pouco se tem refletido ou pensado sobre as causas de nossas ações. E é aqui que brota e germina a semente da Consciência Social, porque ela nada mais é do que a “pulga atrás da orelha” em relação a forma como o mundo nos é apresentado. É aquele questionamento, aquela inquietação, a angústia que nos leva a desconfiar de que algo está sendo oculto.

Portanto, e aqui finalizo, caro leitor crie o hábito de duvidar. Duvide de discursos prontos. Duvide de atos políticos com bandeiras partidárias. Duvide de professores, médicos, advogados. Duvide. Mas não apenas por duvidar. Duvide e busque entender o que está acontecendo. Duvide, mas busque tomar consciência da realidade a sua volta. Afinal de contas, você é o ator principal de sua história. Não contente-se em ser mero coadjuvante…

Caso você tenha perdido algum dos textos ou queira relê-los, aqui estão eles:

Parte I: Da Utopia ao Pessimismo por Renan Peruzzolo

Parte II por Ricardo Luis Reiter

Parte III: Ataraxia por Renan Peruzzolo

Parte IV: Um passo político por Ricardo Luis Reiter

Parte V: Problemas complexos, respostas complexas por Renan Peruzzolo

Parte VI: A naturalização da violência por Ricardo Luis Reiter

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Ricardo Luis Reiter

Bacharel e Licenciado em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Áreas de interesse: filosofia social, política, ética, escola de Frankfurt, filosofia da religião.

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