Consciência Social – Parte III: Ataraxia

Consciência Social – Parte I: Da Utopia ao Pessismismo por Renan Peruzzolo

Consciência Social – Parte II por Ricardo Luis Reiter

Do grego “ataraktos”, imperturbado, ou seja, a=não; tarassein, tarak=perturbar. Ataraxia está conectada às correntes filosóficas gregas, principalmente, ao estoicismo e epicurismo, onde compreendem-se, respectivamente, filosofias de vida baseadas em ordenar aquilo que pode-se controlar e ser indiferente e/ou aceitar questões que não estão ao nosso alcance; e obter prazer de forma ética e tornar tais desejos, racionais, afastando-se assim do sofrimento e das paixões irrefletidas. Isto é, Ataraxia, até então, seria uma forma de vida sem perturbações, inquietações, obtendo a felicidade por meio da consciência racional sobre as paixões e desejos.

Contudo, o ser humano, no meu entendimento – que fique claro – já age de tal forma, até certo ponto, mas sem ter conhecimento de tal situação. Explico o porquê do “até certo ponto”.

A ataraxia seria um espírito superior da condição humana, ou seja, seria preciso passar pelo crivo das perturbações e desenvolver a ideia-entendimento das dificuldades existenciais/sociais para, então sim, aceitar a condição de existência finita e, por vezes, entender que um soldado solitário não vence a guerra.

No entanto, nos tempos atuais, pula-se a parte da tentativa de compreensão de como “tudo” funciona e levar um “choque de realidade”, saindo do campo metafísico para, com cautela, tentar trazer a teoria para prática, para morrer na praia e ficar à mercê do mal entendido. Em outras palavras: As pessoas querem que as coisas deem certo, mas fazem errado, e ainda persistem no erro. Exemplifico.

Se o indivíduo tem R$100,00 para a semana, ENTENDA, você tem cem reais! Após tomar a ideia de que você não pode gastar R$101,00, procure ver o que é prioridade. Se você tem um cérebro, use-o! Pergunte-se: Eu quero? Eu posso? Eu devo?

O exemplo é pra lá de tosco, todavia, se compreendido, é fidedigno a ideia de que as pessoas se acham donas de si, mas não são capazes de pensar, ou seja, têm preguiça; isto é, são guiadas pelas paixões e desejos sem perceber-se que “cavam o próprio buraco”.

E nesse sentido, aproveito para emendar outra questãozinha…

Parece-me que na escala atual dos valores, um dos primeiros, como meta individual, é atingir um certo e denominado “conforto” e ou comodidade, podendo, também, ser entendido como uma facilitação das “dificuldades” cotidianas.

Compra-se um carro para facilitar o deslocamento e otimizar o tempo; Constrói-se lajes e calçadas para não ter de cortar a grama, haja vista que é uma incumbência a mais no dia a dia; Compra-se máquina de lavar roupa, louça, afinal, é um trabalho a menos; Encomenda-se marmita ou almoça-se em restaurante/fast food, porque não há tempo para se preparar o próprio alimento; terceiriza-se a educação dos filhos, porque ninguém suporta uma criança após um dia inteiro de trabalho, que aliás, muitos sentem-se satisfeitos somente às sextas-feiras e no período de férias… Pergunto-lhe: O que você está fazendo? Acompanhe o raciocínio: A morte é implacável à vida; Nossa existência é relativamente breve; Aí, decidimos por desperdiçá-la em futilidades e abreviá-la numa lógica que nem o próprio indivíduo entende e sabe explicar o por quê?

Sou levado a acreditar, portanto, que sim, há muita psicologia do inconsciente envolvida; que sim, não é para haver sentido, mas sim, gerar lucro e “girar” a economia.

Invertendo a suposta lógica dos parágrafos anteriores, suponho que – como proposto por um pensador de relevância histórica – é preciso partir da realidade para se refletir e, possivelmente, teorizar a mesma; ou em termos mais adequados, questioná-la, racionalizá-la. Só assim aprender-se-á a modificar tal situação. Ou seja, como já dito por Paulo Freire, “A leitura de mundo precede a leitura da palavra”. É preciso que propicie-se a tornar possível ligar os pontos para gerar-se a ideia de consciência (1. Sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de seu mundo interior. 2. Sentido ou percepção que o ser humano possui do que é moralmente certo ou errado em atos e motivos individuais). Isto é, que a ideia-entendimento da unicidade – e não dicotomia didática – que permeia a realidade, seja compreendida, respeitada e vivenciada. – Mas o que isso quer dizer, fica para a Parte V.

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Renan Peruzzolo

Reside em Concórdia - SC; Graduando de direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Interessa-se por assuntos referentes à Ciência Jurídica, Filosofia, Ciências Sociais, Economia, Relações Internacionais, Geopolítica, História e Psicologia/Neurociência.

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