Conflitos do Ego

Acredito que o nosso centro da moralidade está enraizado na alma e expõe o nosso perfil externo e nossos comportamentos que são um reflexo das experiências vividas.

Mas vou falar de um personagem que habita todas as mentes humanas no mundo; o “EU, EGO.” Posso afirmar por mim mesmo, por você, que uma infinidade de EUs já habitaram seu corpo físico, periférico, alma e espírito que são seres distintos num só agrupamento corpóreo. Vivemos em conflito constante entre os EUs para vencer essa guerra invisível em dois planos diferentes, o físico e o espiritual. Será sempre uma luta ao extremo, mas quando vencemos e expulsamos os EUs rebeldes, mudamos e reciclamos nossos novos EUs, nos readaptando a um novo caminho.

Somos extremamente sensíveis, capturamos e absorvemos tudo em nossa volta dentro do contexto chamado universo, somos a mais nobre e perfeita partícula nesse sistema universal infinito em constante expansão, viajando no tempo desse plano terrestre. Somos impulsionados por uma energia que nos atrai ao infinito numa busca desenfreada para alcançar um desconhecido destino final. Temos vida espiritual, pensamos, criamos, julgamos, vivemos num corpo orgânico, num planeta orgânico, mas com uma diferença, carregamos dentro de nós a partícula do criador, a partícula do amor incondicional.

Somos um agrupamento de moléculas devidamente organizadas para viver uma experiência única, num lugar especial e descobrir o que somos e para quê fomos criados.  Somos lançados para dentro das mais diferentes experiências, onde alguns conseguem se sobressair e entender a sua existência e outros se confundem e se perdem, sem nunca entender o porquê nasceram.

Voltando ao nosso cotidiano, percebemos que as experiências diárias que fazem parte do nosso crescimento e formação, são as essências vitais que nos mantêm vivos. Todo ser humano, um dia, vai se deparar com um momento trágico em sua vida; a dor da traição, da perda, a dor do abandono, do amor mal correspondido, trazendo consequências e ferindo muitas vezes o seu EU de uma quase morte.  É nesse momento que percebemos que somos seres vivos e precisamos lutar para sobreviver. Nesse difícil momento seu cérebro se fecha, não pensa, não assimila o momento, pelo fato que todo um processo de identidade dos EUs positivos foi afetado e o córtex pré-frontal fica paralisado.  É uma área do cérebro responsável pela nossa capacidade de raciocinar e emitir julgamentos elaborados. Ele atua dessa forma nos dois sentidos, quando nos apaixonamos e quando temos uma grande perda ou derrota. É daí que vem a expressão “o amor é cego”.  É um mecanismo físico que permite que a química atue na condução dos sintomas extracorpóreos e espirituais.

Quando acontece algo grave, como uma traição, ela rompe a linha que harmonizava dois grupos distintos de sentimentos em dois corpos diferentes, interrompendo uma história que estava sendo escrita e parte dela já registrada no destino dos EUs, criando uma ruptura na aura da proteção espiritual, afetando alma e o corpo físico de ambos, sendo que se abriu uma passagem (buraco) no corpo periférico, para dar entrada dos EUs negativos que nos circundam e ocupam tudo em nossa volta (conhecidos por muitos como demônios); o ódio, vingança, tristeza, apatia, suicídio, vícios e tantos outros. Somos transformados em um novo ser que irá evoluir gradativamente, carregado de lembranças negativas.

Deixamos de ser o EU feliz, realizado, próspero, apaixonado, confiante e nos tornamos, então, em EUs de tragédia, do vício, do ódio, vingança, do suicídio e nos fechamos em nós mesmos, alimentando e corroendo a nossa alma, com alucinações, maquinando vinganças para atingir o agressor que nos desrespeitou e rejeitou. Estaremos enganando a nós mesmos quando pensamos que o nosso ódio de vingança estará atingindo o nosso opressor com mesma intensidade com que ele nos atingiu, mas não temos poder para isso e certamente todo esse ódio vai rebater e voltar, nos atingindo e ferindo por duas vezes, agravando mais ainda o nosso estado. Enquanto não se libertar desses traumas, que são seus e só você pode controlar, estará mergulhado num caminho sem volta, porque jamais atingirá o seu algoz, que provavelmente goza a sua nova vida sem remorsos e com muita naturalidade, restando para você somente o perdão, perdoar para que essa dor se torne suave como a brisa e te liberte para novas experiências em novos EUs, livrando-te em permanecer preso nesse tempo de trevas e dor.

Não sei quais eram os EUs predominantes entre seus destinos? Estavam realmente unidos da mesma forma que seus pensamentos e desejos?  Projetos que são tomados por paixões desenfreadas avançando sem esperar as respostas do tempo, desrespeitando diferenças com o passar do tempo vão se revelar incompatíveis desgastando-se em conflitos que fogem do seu entendimento por alguma razão sentimental, ou um trauma de infância, que deixaram marcas esquecidas no subconsciente das lembranças, como um pai violento ou uma mãe ausente.

Essas experiências foram esvaziando a pureza da sua alma e seus EUs positivos, afetando sua conduta cognitiva para sempre, exportando para o relacionamento adulto uma abertura sentimental no corpo periférico que poderá despertar o trauma para situações idênticas na vida atual dos dois, revelando sentimentos de indiferença, do desapego, de fuga do compromisso e da infâmia. A pessoa que fere seu parceiro com traição e com violência no mundo físico, causará muita dor e desiquilíbrio e, de certo modo, passará a tesoura a um terceiro indivíduo que cortará essa linha ou fio que os ligava e mantinha a harmonia. Mas essa ligação no mundo espiritual nunca será cortada porque foi eternizada entre dois espíritos que são eternos, porque tudo que destruímos no mundo físico terá consequência no espiritual. Tanto que de alguma forma a pessoa que traiu continuará ligada a esse laço do destino, porque parte dessa linha (corda) continuará presa a ela no mundo espiritual e material, arrastando-a por onde andar, exposta aos EUs estranhos que pisarão nela desestruturando sua caminhada e criando obstáculos enquanto viver nesse mundo.

O corpo físico e o corpo periférico, que são a nossa matéria visível, são interligados ao espírito e só pertencem a você para poder viver as experiências desse plano terreno que é temporário. Existem tantas pessoas infelizes, colocando suas expectativas de vida em coisas fúteis e materiais, não percebendo que são passageiros acidentais e que vieram para esse plano, que por alguma razão o destino os escolheu para nascer lutando contra milhões de outros indivíduos em forma de espermatozoides e óvulos. Milagrosamente fomos selecionados e materializados nesse corpo que será nosso templo de aprendizado, de meditação e de experiências boas e dolorosas,  porque, quando nascemos, nos vemos mergulhados num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para a outra, dos trabalhos, das experiências e das provas no caminho infinito do tempo.  Estamos aqui para viver, aprender com nossas decepções e perceber em meio aos conflitos, que a terra é uma escola de lutas regeneradoras ou expiatórias onde podemos no consorciar várias vezes sem que essa união seja com uma alma de sua preferência. Não somos um mero ser que um dia nasceu vazio de conhecimento e que muitas vezes não consegue entender o porquê de sua existência.

Temos uma forte ligação com a matéria, que nos deixa enfeitiçados por novas e constantes experiências prazerosas, que respondem através de nossas atitudes interferindo no nosso crescimento espiritual, que através dos EUs positivos nos devolve em forma de dor o que plantamos para nos ensinar que não somos donos da vida de ninguém, mas somos responsáveis por nossos atos e não temos o direito de colocar pedra de tropeço no destino de outro ser. Quando estamos juntos de alguém que amamos, unimos nossas almas em um só corpo físico e espiritual, almas de personalidades distintas, entrelaçadas com o compromisso de preservar a harmonia para que a incompatibilidade de seus EUs não gere conflitos, desenvolvendo meios eficazes de apaziguá-los com paciência e sabedoria, porque só o amor de almas fortemente unidas vai poder gerar almas gêmeas. Porque almas gêmeas não existem, não evoluem e nem perduram separadas pelo tempo, perdidas em vidas passadas, elas precisam ser forjadas no fogo, na convivência diária, na dor, na renúncia, na compreensão, no amor incondicional, puro e verdadeiro que não vive do ego e que vem de dentro da alma do íntimo, do coração, ignorando tudo que é negativo, eliminando tentações de EUs destruidores que flutuam constantemente em volta da nossa aura corpórea, esperando um momento de fraqueza para atacar e invadir a harmonia das almas e desestruturar a relação.

Quando vencemos todos os conflitos entre nossos EUs, das diferenças emocionais, dos traumas, abrimos e limpamos as nossas gavetas e armários espirituais, eliminando nossas mágoas e sentimentos negativos,  perdoando sem dor, aí sim encontraremos o verdadeiro amor, para seguirmos em frente e envelhecer juntos, então nos identificar como verdadeiras almas gêmeas, até o dia que a morte nos separe.

Qualquer semelhança do texto com a sua vida pode ser mera coincidência. Somos seres individuais e desenvolvemos nossos próprios caminhos. Acreditamos naquilo que vemos e sentimos. Não somos obrigados a seguir e crer nos preceitos da moralidade. Somos livres para pensar, temos uma mente aberta e criamos nossos próprios conflitos num mundo onde os valores se distorceram em favor das facilidades momentâneas que alimentam o Eu/EGO que pode nos conduzir a vários desfechos. Mas quem decide é você.

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Foto de perfil de Flávio Luís Schnurr

Flávio Luís Schnurr

Descendente de pais russos; artista; escultor; designer e escritor. Procura viver dentro da realidade sem perder seus princípios de vida na mais absoluta verdade. Catarinense radicado em Curitiba há mais de 30 anos.

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