Comércio da felicidade

Não podemos comprar a felicidade! Eu, mesmo nesse meio, tentava obter, em algum comércio da vida.

Não podia comprar a felicidade, mas mesmo assim eu a via sendo submetida à venda, de formas redondas quadradas, circulares.

A felicidade era encontrada fantasiadamente em cada esquina dos meus olhos. Pessoas a vendiam, gritavam, grosseiramente, loucamente, tentando lucrar sob a falsa alegria dada aos homens.

Comprem, comprem! Insistam e se vistam na sua felicidade garantida.

Era covardia ser feliz, adquirindo o que não se adquire. Era covardia pensar que, a felicidade, se compraria.

Entrando no meio do comércio da felicidade observava sua adequação fantasiada de diversas poses. Era fruta que se comia, era roupa que se vestia, era transporte que se locomovia, era amor que amaria, era rima que nem poesia, era nesse meio, nota de 30 que não existia, riqueza nem valia.

Entre o fracasso de nunca ter-la, perceber que comprá-la era mais triste ainda. Não conseguindo entender aonde encontrá-la de forma real e pura, aquele ambiente de venda da felicidade me fazia entristecer, me recolhendo a sair e fazendo empurrar meus ganhos goela abaixo dos meus bolsos.

Talvez em tempos inflamados em que nada parece sair dessa zona de feridas abertas tudo aparenta ser comprável, de alguma forma algumas almas se recolhem nessa falsa compra, nesse falso adquirir.

Possivelmente meu único desejo é fazer nascer dentro de mim essa tal felicidade. É esperar que o terreno do meu corpo saiba fecundar essa semente necessária a mim e a todos os outros homens da terra.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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