Cardápio humano

Mastigar a vida do outro, assim alguns a fazem. Digamos que o ser humano, deturpado na constante fome alheia, cativa-se a se alimentar do que o outro vive. Não claramente falo de um alimento tirado da terra ou de nem um industrializado (alimento). Aos que sentem fome de vidas alheias, o sucesso ou derrota do seu próximo é mais que um prato cheio e repleto dos sabores que lhe salivam a boca.

O sucesso, a boa vida ou todo o seu reverso, contendo ou não o que muitos seres humanos fazem é tratar a vida do outro como um cardápio sugestivo diário, ao qual está sempre a escolher o que degustar.

Viver na fome avassaladora da vida do próximo acaba se tornado uma doentia saciedade por “gordices” alheias. A sua vida acaba se envolvendo a um complexo de “obesidade” de acômodo pessoal, se dedicando de forma errada nos prazeres ou desprazeres do seu vizinho. Devorando, assim, o cotidiano do seu próximo com garfo e faca, um cardápio nada nutritivo para si, deixando assim a sua própria vida às moscas, criando uma desnutrição dos seus objetivos, perdendo sua valia e seus planos. De alguma forma adoecendo de tantos acúmulos indesejáveis.

Prosperar o seu espaço aqui neste plano é uma grande conquista, porém abandonar sua própria vida e se satisfazer com o que o outro fez ou deixo de fazer é perda de tempo, é se alimentar de um cardápio que no final só causará indigestão a si mesmo.

É degradante a partir do momento em que o ser humano se deixa esquecer. Um abandono de si, em que o corpo se decai, a invalidez da razão se pendura a uma desnutrição irracional entrando em descaso, se apropriando com o tempo, desfigurando um ser humano a viver da vida do outro.

No final disso tudo o que se perde é o tempo para aprendizado de si mesmo nessa avaliação alheia. O ser humano anda se esquecendo de se avaliar, se esquecendo de se amar, na procura de aprimoramento pessoal. Porque no final disso tudo haverá o dia em que se perguntará o porquê do corpo e a mente tão cansada de não ter feito nada por si, mas ter feito de tudo para desbravar a vida do próximo. Aí já será tarde…

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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