Cabeças de Garrafa

“Muitos a apertavam eram irritante sua maneira de fazê-la manter-se em um estado ambiente de fervura interna, sempre que a bebessem…

       Aquele descuido de momento que a fazia esfriar parecia mais comum a ela do que aqueles momentos no qual se ocupava de conceitos e ideais borbulhantes. Para ela era infalível vê-la incapacitada. Não caberia a ela o papel de ser a garrafa que não sabe aquecer.
       Incumbida de tanto apertões, de tantas mãos sobre sua mente parecia não poder pensar por si só, por vezes aquela dona somente desejaria se afrouxar. Não teria necessidade de manter-se em temperatura tão elevada por conta de gosto da maioria.
       É como se… o que continha dentro dela… nunca tivesse a oportunidade de colocar os olhos pra fora do garrafão e expor seus aromas, seus gostos. Quando  surgia a oportunidade,  mãos a apertavam. Colidindo sua mente a voltar à escuridão dentro de si.
       Mas ai é que está e se… Seus sabores fugissem ao abrir da tampa? Será que o sabor se mantém no paladar de quem o experimenta? Ou no exato preparo do despertar sabor novo?
       Tantas perguntas com tantas possíveis respostas. Ela só não quer ser tão pressionada, não quer ser sufocada. Não deseja ser tão manipulada forçadamente. Ela sabe o que carregar dentro de si e o que em si pode suportar.
       Exato o momento em que houve um descuido, as mãos apertaram tanto aquela garrafa que sua cabeça se rachou por um bem. Liberando seus sabores internos, exalando sua pessoa, por si só haveria se quebrado, mas se reconstituído ao exato momento para o mundo.
       Existe um lado da humanidade que gosta de sair das linhas exatas da mesmice, sei claro, nem todo mundo gosta de café morno, mas quem disse que todo mundo tem o mesmo paladar? Ir contra as regras do mundo humano e suas modinhas é saber ser liberto de coragem e ser liberto de vontades próprias. É ser você.
       Se permitir estabelecer para o mundo ao seu modo é ser menos cabeça de garrafa. ’’
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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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