“Burrocracia” – Breve crítica aos sistemas

Segundo o dicionário Michaelis, Bu.ro.cra.ci.a, 1. Administração dos negócios públicos sujeita a regulamentos rígidos e a uma rotina complicada e lenta; 2. Por ext. Administração com excesso de formalidades e papelada. Segundo o dicionário etimológico, “Buro”, do francês “Bureau” (Escritório) + “Cracia”, do grego, poder/administração.

Como disposto pelo significado objetivo do conceito de burocracia, pode-se ter uma ideia do que se trata; e garanto que você já sofreu ou ficou fulo da vida com a tal supracitada.

Sempre tive contato próximo com profissionais e, diga-se de passagem, com a classe do magistério (explico adiante o porquê desse comentário); atualmente cursando bacharelado em direito – mas sempre com um pé firme na filosofia – percebo certas situações que, ao passo que me indignam, não consigo encontrar soluções para resolvê-las – um dos problemas da vida em sociedade.

A burocracia, no meu entendimento, desenvolveu-se com o fim de formalizar e dar segurança às relações e processos sócio jurídicos entre as pessoas, advinda da ascensão do Estado. Ou seja, uma normatização em forma de tramitação que se apresenta por um processo com vários procedimentos. Percebam que até a minha explicação sobre o assunto toma ares burocráticos.

Assim sendo, o que quero com esse texto? Sob a égide da reflexão puramente livre de burocracias acadêmicas e tecnicismos, propor a seguinte ideia: A burocracia está nos deixando burros! (?) – no sentido corriqueiro e pejorativo da terminologia.

Acompanho alguns profissionais da educação e fica evidente perceber tal afirmação quando deve-se observar regras, provindas dos altos escalões, que prezam, sem hesitar, princípios técnicos e burocráticos em primeiro plano, ao invés da efetiva aprendizagem. Ou seja, o objetivo de apresentar resultados – facilmente burlados – como notas e baixos índices de reprovação, são muito mais importantes do que o aluno aprender e saber o que ele está fazendo quatro horas – ou mais – do dia sentado numa cadeira, dentro de uma sala de aula.

Percebe-se que, só com esse parágrafo anterior, pode-se trazer várias questões-problemas que provêm de tal situação, como, por exemplo, (1) A desmotivação dos alunos para com a escola; ou seja, “comer” o livro parece ser mais significativo para o aprendizado do que criar uma significação para tal conhecimento; (2) O tempo desperdiçado pelos professores em prol do preenchimento de “diários” e afins, por vezes, mais de uma vez, visto que há estados que o sistema é digital, mas na escola não há internet suficiente para o preenchimento durante a aula, assim, exigindo do professor anotações em papel para, posteriormente, digitar no devido “portal” – você pode encontrar facilmente na internet críticas relacionadas a esses problemas no sistema educacional. Resumindo, é uma catástrofe total e, diga-se de passagem, um círculo vicioso. [Sugestão de Filme: “Detachment” (O substituto, 2011, 1h40min); Filme completo dublado: https://www.youtube.com/watch?v=Q56IneXPCVk].

O mesmo acontece com o sistema judiciário que trata as pessoas como meros números processuais e não se dá conta de que interfere de forma contundente na vida dos indivíduos. É preciso que nos questionemos: A Justiça serve à sociedade ou o a sociedade serve à Justiça? Ou melhor, as pessoas servem ao Estado ou o Estado não passa de uma forma de organização para facilitar a vida em sociedade?

Ao passo que a burocracia pode nos ajudar e nos dar segurança, não se pode colocá-la em primeiro plano, tomando tal como objetivo fim das relações e situações que permeiam nosso cotidiano. É preciso buscar a essência do porquê fazemos aquilo que fazemos. Como alcançamos isso? Usando o cérebro em prol da facilitação – ou, no mesmo sentido do texto, desburocratizando a vida.

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Renan Peruzzolo

Reside em Concórdia - SC; Graduando de direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Interessa-se por assuntos referentes à Ciência Jurídica, Filosofia, Ciências Sociais, Economia, Relações Internacionais, Geopolítica, História e Psicologia/Neurociência.

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