Behaviorismo na educação

Um estudo sobre a psicologia dentro da educação formal do indivíduo.

A educação de uma maneira geral é um assunto difícil de tratar. As convergências tanto de termos como ensino, educação e aprendizagem resultam em diferentes caminhos dentro de uma discussão – tal qual, não parece ter fim – quanto também as suas práticas. É interessante a proposta de uma denominação que não seja basicamente comum entre essa área. Parece, cada vez mais, emergir a necessidade de buscarmos uma distinção entre essa ciência para que possa trazer melhores frutos em nossos trabalhos, direitos e aplicações dentro de uma política formal da sociedade. De qualquer modo, essa construção é um dever nosso ao longo de nossas carreiras, e uso esse termo porque mesmo que a educação não seja sua área de atuação, é inevitável o seu envolvimento no processo de formação humana; seja em seu trabalho em prol de melhorar a vida da sociedade, seja como pais e responsáveis que convivem com os mais jovens. Todo o processo de ensinar & aprender está contido na essência humana.

Ensinar e aprender é também uma grande questão de estudo em outras áreas, como por exemplo, a psicologia. Esta por sua vez, parece ter avançado em direção a instituição escolar tornando-a visivelmente presente na aplicação para com os alunos. Mesmo sendo um campo relativamente novo, a psicologia trouxe imensas colaborações para dentro da escola, cada qual adequada ao seu tempo, porém, nunca perdendo seu ato primordial de observação e reflexão que, mais aprofundada resulta em uma prática afim de consolidar ou não, um ato.


Em primeira instância, vamos tratar sobre o behaviorismo, uma corrente forte e amplamente usada qual às vezes de modo imperceptível. Também conhecida como Teoria Comportamentalista, o behaviorismo ocupa papel importante na educação formal.


Desenvolvimento da Teoria: caminhos de John Watson, Pavlov e Skinner

Na segunda metade do século XX a ciência já não comportava as mesmas concepções, fez-se necessário uma profunda reavaliação de tal e que incluiu a psicologia. O funcionalismo foi de caráter mais evolucionário dentro dessa necessidade, pois os líderes não desejavam mudar o passado escrito, mas sim buscar uma nova psicologia qual abordasse estímulos e respostas; o comportamental, onde houvesse bases observáveis e passivas de descrições objetivas ou, resumindo, uma psicologia cientifica. Isso diferenciava a teoria das anteriores que eram de caráter subjetivo e qualitativos, com suas emoções e consciência. O principal líder do movimento da nova teoria foi John B. Watson, que rejeitava todo e qualquer conceito mentalista, pois as introspecções a respeito da existência da consciência eram para ele, irrelevantes. Para Watson, a psicologia deveria ser puramente objetiva, uma ciência natural e experimental, investigando o comportamento tanto humano quanto animal. Essa reflexão é importante salientar, visto que uma das metas dessa corrente é a previsão e controle do comportamento de modo geral. A ideia do behavior já haviam sendo desenvolvidas aos poucos, ou seja, não foi exatamente criada por Watson, mas sim organizada e formalizada por ele por estes três conceitos principais:

  • a tradição filosófica objetivista e mecanicista;

pautada apenas no enfoque do visível, audível e palpável. Essa visão materialista parece fazer enxergar ao humano como de fato uma máquina, onde a ideia de Watson se aplica ao compara-lo em meios de funcionamento; apresentando determinado estímulo emocional ou condicional é possível obter uma resposta previsível. Um exemplo prático deste é encontrado no marketing,  quando a propaganda de tal X usa os pontos fracos do Y para criar uma insatisfação e assim se mostrar mais adequado que o adversário.

  • a psicologia animal;

principal antecessor do programa de Watson, foi utilizada durante a primeira década do século XX e foi resultante da teoria evolucionista, uma tentativa de demonstrar (1) a existência da mente em organismos inferiores e (2) a continuidade da mente animal e humana. Seguindo essa linha, Pavlov com seu trabalho sobre aprendizagem e transferência de ideias subjetivas para eventos psicológicos quantificáveis e objetivos, proporcionou a oportunidade um método de estudo para controle e modificação do comportamento. Esse método consiste no condicionamento. O experimento tornou possível observar que um estímulo originalmente neutro após emparelhar-se repetidas vezes, acompanhada em seguida de uma recompensa ou semelhante, produz em efeito determinada reação.

  • a psicologia funcional.

é a psicologia que mais apresenta objetividade apesar de não ser totalmente objetiva. Aos poucos sua estrutura foi se tornando adepta das ideias onde não devia se limitar apenas ao estudo da consciência. Com isso a estrutura de Watson foi ganhando importância ao propor então o comportamentalismo que acabou conversando muito bem com algumas dessas ideias predecessoras como de Walter Pillsburry e William Montague. 

Behaviorismo de Watson: objeto de estudo

Procurando adaptar métodos, aprimorando a natureza cientifica à necessidade, Watson insistiu que era preciso limitar-se ao estudo objetivo do comportamento com métodos de investigação rígidos. Incluí-se então a observação, método de teste e método de relato verbal além do método de reflexo condicionado.

Sobre a observação, propôs que deveria servir de amostragens do comportamento e não como indicadores de qualidade mentais. pois não acreditava que pudesse ser medido a inteligência nem a personalidade, enquanto era possível medir as respostas de tal indivíduo à situação do estímulo submetido. Em relação ao relato oral, afirmava que tais reações, por serem observadas de forma objetiva, eram então significativas no behaviorismo tanto quanto as respostas motoras. Já sobre reflexo condicionado, Watson sensibilizou afirmando que distúrbios emocionais adultos são provocações das respostas de condicionamentos estabelecias ainda na infância. Ou seja, um programa de condicionamento adequado na infância caberia por evitar adultos desequilibrados. Para tal, o Caso Albert foi essencial. Apesar da rápida disseminação das ideias, Watson levou algum tempo para que as mesmas se consolidassem de fato na psicologia, constituindo assim a primeira fase do behaviorismo comportamental.

Neobehaviorismo

Compreendeu aproximadamente o período de 1930 e 1960, englobando trabalhos de Tolman, Hull e Skinner. Entre eles haviam em comum a estrutura que levaria a mudar e elevar os conceitos do então atual behaviorismo: estudo da aprendizagem, comportamentos entendidos pelas leis do condicionamentos e o princípio do operacionismo.

Edward Chace Tolman

Criador do behaviorismo intencional, combinou o estudo objetivo já praticado com a ponderação, intenção, ou mesmo orientação do propósito no comportamento. Foi criticado pelos watsonianos acusado de então de que ao atribuir essas qualidades, estaria assim sendo remetido à consciência – conceito mentalista não aceito. Ademais, Tolman refutou a ideia, afirmando que não tentava impor tal conceito na psicologia mas sim demonstrar que a intencionalidade pode ser definida em termos comportamentais objetivos sem recorrer à introspecção ou sensações dos indivíduos. Resumidamente, acreditava que cada ação visava um objetivo.

Clark Leonard Hull

Clark Hull e seus seguidores dominaram a psicologia americana entre as décadas de 1940 e 1960. Contrapondo-se a Watson, afirmava que o behaviorismo era muito mais complexo e considerava a premissa de Watson ingênua e imatura. Hull partia do principio que os seres humanos eram como máquinas. Sua concepção de behavior pautava-se na objetividade, no reducionismo e mecanicismo baseado na linguagem mais precisa da matemática. Era então, consequentemente, quantitativa. Criou métodos úteis a pesquisa cientifica, entre eles o método hipotético-dedutivo, que consistia em estabelecer postulados a partir dos quais pudessem ser testados por meio de experimentos. Outro ponto importante de sua teoria foi a ideia de impulsos, que seria o estímulo obtido por um estado de necessidade do organismo. Dessa forma, seria então a sua redução ou satisfação a única base para o reforço.

Burrhus Frederic Skinner

Um dos principais nomes da psicologia e é claro, destaque do behaviorismo, Skinner tinha uma visão diferente dos seus então contemporâneos. Skinner defendia um sistema empírico, sem muita preocupação com a estrutura teórica. Dedicava-se ao estudos das respostas e a descrição, não à explicação do comportamento. Não especulava o ocorrido dentro do organismo em relação ao estímulo e resposta – mesmo sem duvidar das condições mentais e físicas, porém, levava em consideração o estudo do individuo sem necessidade de um grande grupo estudado para comparações, padrões e testes para se provarem realizados. Também é necessário salientar que os condicionamentos de Skinner são diferentes de Pavlov. Para Skinner, é por meio do condicionamento operante que o meio modelará o repertório básico qual mantemos e no caso de uma modificação no ambiente, o comportamento se ajustará rapidamente para se adquirir novas respostas, deixando de lado as antigas.O reforço intermitente e o reforço contínuo também são ótimos alvos de discussão dentro não apenas da psicologia, mas sim da sociedade.

Skinner na educação: razões da prática

Até o momento abordamos uma linha quase histórica sobre esta corrente na psicologia, pontuando autores e teorias mas, ainda não chegamos ao ponto educacional. Isso porque, os precursores que indicamos até o momento não obteve relevância significava nesse âmbito. Mas Skinner veio a mudar isso. Podemos mesmo dizer que sofria de uma flexibilidade grande e até mesmo mais humana em relação aos outros, mesmo aplicando o behavior; que parece ser uma ideia quase oposta. É aí que nasce a grandeza da aplicação de seus estudos dentro da instituição escolar. A estrutura que Skinner desenvolveu não ignorou o ser, pelo contrário, sua teoria mesmo que repleta de métodos não excluía a essência social, ela incluí-se na mesma.

Educar é estabelecer comportamentos que serão vantajosos para o individuo em um tempo futuro, isso porque a educação dá ênfase à aquisição do comportamento em lugar de sua manutenção.

Skinner, 2003 p. 437-438 in Teorias da Aprendizagem

Dado o primeiro momento, é a família que atua como agência educacional ao ensinar a criança andar, falar, comer e vestir-se de acordo aquela dada sociedade. Se utiliza reforçadores primários, como alimentos disponíveis e também de reforçadores condicionados como atenção, aprovação entre outros desde que o mesmo se adeque e seja um membro útil de acordo com tal cultura que permeia. Ou seja, fora do núcleo familiar também há muitas formas de se receber instruções, de forma casual por membros da comunidade e grupos semelhantes àquelas do controle ético que definem certo ou errado. Entra então a instituição educacional, uma agência mais explícita e que muitas vezes dá continuidade ao caminho que a família mesmo escolheu, como por exemplo, determinadas escolar particulares, pois são escolhidas de acordo a tal adequação de ideias presentes naquele núcleo. Já em relação à escola pública, Skinner define o ensino como uma forma de extensão da função educacional familiar geral, pois supervisionam as crianças e geram comportamentos que sejam úteis para tal e a comunidade. Quando se trata de reforços utilizados nessas agências, afirma que os mesmos são arranjados e artificias, normalmente identificadas com o uso de treino, exercício e prática, se revelando por intermédio de boas notas, promoções, diplomas, graus e etc como generalização da aprovação.

Dentro dessa realidade, Skinner no entanto afirma que reforçadores devem ser usados de forma correta. Podemos citar por exemplo a criança com um mal comportamento em sala de aula. A lógica não seria chamar atenção do mesmo, mas sim elogiar e incentivar aqueles que estão comportados. Esse é o tipo de reforço positivo, por poder produzir a apresentação de um estímulo. Nem sempre dentro da escola usamos, é claro, apenas a forma oral para esse fim. É aí que entra o sistema mais metódico com notas, recompensas, e mesmo atenção e demais premiações. São reforçadores positivos, que incentivam aquele estímulo a se repetir novamente. O reforçamento negativo nesse caso, entra como uma retirada. Acontece da mesma forma: perder pontos, deixar de praticar tal atividade apreciada pelo aluno, entre outros. Quando no caso, é acometido uma ato de penalidade ou castigo, esse não se enquadra mais no reforçamento. É preciso, inclusive, ter muita cautela em relação ao uso abusivo de tais formas dentro da instituição escolar. É visto que muitos professores se aproveitam de sua autoridade e criam até mesmo temores que prejudicam muito além da escola. O behaviorismo na educação é preciso ser visto com um olhar mais humano, com mais cuidado apesar de se utilizar de técnicas quase mecânicas. O fato dessas técnicas serem de fato eficientes, não se atenta a tratar os outros como simples máquinas, pelo contrário, é necessário muita observação e atenção (individualmente e coletivamente) dentro de uma sala de aula para poder aplicar de fato as mesmas, de forma produtiva. Esse é especificamente o processo real de ensino-aprendizagem de Skinner: não é um ato espontâneo, assim como o ensino não deve deixar para trás a individualidade de aprendizado de cada aluno. Tomamos por base a concepção de que só há o verdadeiro ensino se o aprendizado é por si uma consequência: contingências diferentes, tornam o ato de aprender prazeroso e o trabalho de ambos os lados gratificantes.

Concluímos essa etapa da psicologia na educação com o uso do behavior na diversidade de ensino, que delimita tenuemente a educação como um fator social e também o papel do bom planejamento e conhecimento do professor dentro de uma sala de aula, seja ela qual for. Os métodos vão se aperfeiçoando de acordo com novas teorias e descobertas, tanto do próprio campo, quanto dos campo neurocientíficos, filosóficos e sociológicos. É preciso ter em mente que a inter-relação destes são cada vez mais essenciais e que devem sempre dentro da sua formação, se fazerem presentes.


Segue aqui links para complementação desse material. Nas próximas semanas também vamos abordar outros teóricos e suas visões diversas sobre o mesmo tema: estudo humano em prol de melhor qualidade de vida e educação.

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Izabela Remor

Cursa Filosofia na modalidade Licenciatura no Centro Universitário Internacional (UNINTER), anteriormente foi aluna na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) na mesma modalidade de Artes Visuais. Atualmente é professora de Filosofia na rede pública de ensino do Paraná.

  • Laura Acco.

    Oi, eu ainda lembro de você ❤

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