Autoestima se aprende?

Por Tiziana Cocchieri

Prólogo – Filosofia não traz paz, nem namorado de volta, não traz dinheiro, o que é notório. Se não servir nem pra quem estuda filosofia, pra que que serve então?
AUTOESTIMA SE APRENDE?
Por “complexo de vira-lata” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima.
Nelson Rodrigues




Aprendi que autoestima se aprende sim! Assim como se aprende a mastigar, a respirar, a discernir, a amar, a se habituar, a se controlar, a falar, a relaxar … O que sabemos que sabemos, aprendemos. Para saber que se tem valor também é necessário saber que valor é este, de onde ele vem, quem o atribui. Com quem nos identificamos é uma boa dica para saber de si.

A identidade é uma construção, talvez deliberada, em que os que são de dentro e os de fora participam.
           
          Penso que a primeira pergunta, ao invés de perguntar se tem brasilidade, se tem samba no pé ou se curte cerveja e carnaval, seria: “Você gosta de si”? Se sim, que bom! Se não, convém aprender a gostar, porque do eu não há divórcio. Nada mais triste do que querer ser alguém, que não seja você mesmo. Talvez, seja tão ruim e nocivo quanto negar a própria história; na certa é denúncia de autoestima bemmm baixa. Pegando o gancho do Rodrigues, vai estudar história do Brasil para saber por que somos como somos, plurais que gostam de tantas coisas quanto são tantos os quilômetros de extensão. E ainda assim, tem espaço pra todo mundo.
          
        Mudando de aridade,  penso que depois de aprender a gostar de si, o entorno é fundamental, e quando se aprecia a alteridade, se pode pensar em regras e ações que facilitem a vida do outro, pois este outro não é muito diferente do eu. Ou seja, dialeticamente, ainda que não se tenha consciência, o outro é também o eu. A composição da identidade é o que forma uma nacionalidade, pois o que é um país se não pessoas que compartilham um espaço, em última análise, não seria isso? Muito simplista? … Deixo que os sociólogos, cientistas políticos falem sobre isso, certamente, falam melhor. Antes que leve bronca, é bom deixar claro, que este é só um jeito de pensar junto, bem modesto, sem pretensões ilustres, coisa de cotidiano.

Há algo de peculiar em quem tem baixa estima por si, além de desejar divorciar-se de sua subjetividade, não é zeloso com o que está a sua volta. Entendo que nem poderia ser diferente, pois se não cuida de si, de quem cuidaria, então? … Capaz de achar que quem demostra algum interesse por sua pessoa, boa coisa que não pode ser, se não procuraria algo melhor.
           
        Isso reverbera, e como reverbera. Só ver o jeito que nos tratamos, quais os adjetivos para qualificar as pessoas próximas e as nem tanto. Na academia tem certa polidez, mas basta ter proximidade e acesso à coxia, que se fica sabendo o que se fala de Kant, de Platão, de Descartes então! Vixxiii … E o trânsito?! …

Fico preocupada com as crianças, que só acreditam no valor que vira ação. Só vão saber que tem valor, ou não, conforme são tratadas. Bem que se diz que adultos não deixam de ter uma criança em si.

          
          Se um extremo é o avesso do Narciso, o próprio Narciso também não há de ser bem apessoado. Como bem se pode ver, se alguém acha que o outro não vale, ou vale menos que a si, é uma negação com cheiro de baixa autoestima. Em outro dizer, dar mais valor a si a que aos outros também é uma forma de negar a si próprio. Hegel explica!
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