Assumir-se a si mesmo: lutas de gêneros

Ainda é mês de março, e a discussão sobre a mulher é alta. Pensei muito sobre os cargos que assumimos e quais nos são impostos. Provavelmente, a quem possui consciência do estado geral que o gênero feminino se encontra não se surpreende muito com as barbáries disparadas nas mídias. Está fora de questão ignorar, mas a defesa não fundamentada e mesmo a levada em brincadeira percorre um longo trajeto qual maioria não encara sério. A linha de raciocínio que quero chegar é a de que, infelizmente, a sociedade abarrotada de informações pela metade dá uma continuidade imensa ao preconceito generalizado.

Não sou feminista, também não acredito que exista uma exata função nesse movimento. Tenho pela lógica que quando separamos algo, definitivamente estamos denominando lados e determinando a eles características. É inútil usar do movimento feminista ou antifeminista como defesa ou acusação, me parece óbvio que a luta por igualdade – ou melhor, equidade – seja fundamental, mas impossível fazer isso oprimindo o opressor. Ora, pois então, seu sexo considerado inferior é suficientemente melhor para se tornar igual a aqueles que te acusam injustamente? Porque, para os radicais não há meio termo então, não sabemos onde querem chegar. Movimentos radicais na mídia como esses deixam alguns confusos, e creio que seja aí a morada do problema. A sociedade parece sofrer de uma doença crônica de nostalgia, onde recrutam problemas (que eram realmente problemas), incorporando na atualidade que passa muito longe do tempo e condições que antes eram apresentadas. É um ato falho e cínico de ambos os sexos usarem de expressões que estão totalmente ultrapassadas para a intenção de ofender ou de mesmo se sentir ofendido. É improdutiva uma discussão sobre quem deve lavar louça no atual quadro moderno. Não é preciso ir muito longe para saber que o padrão de mulher-dona-de-casa é algo que sim existe e sempre vai existir, mas que também já houve e sempre vai haver muitos avanços da mulher em postos de trabalhos diversos. A questão de gênero, quando defendida sobre apenas tal sexo, é sempre colocada de escanteio quando se levantam de fato as suas considerações psicológicas e fisiológicas acima de tais afirmações. É visível o incômodo da maioria quando uma mulher troca o decote pela camisa social e fuma. Em pleno ano de 2016 e tais escolhas ainda levam a crer que nela mora uma tentativa em ser masculina. Só que ninguém fala sobre o homem que deixa a camisa social e vai trabalhar conforme a camiseta que achar melhor. O estereótipo LGBT passa por todos os conceitos estéticos, costumeiros e, só por último de verdadeira opção sexual que, em nada cabe à responsabilidade sobre gênero.
 
Quando abordamos assuntos de cunho mais estereotipado, cabe ao mundo das ofensas uma defesa ilegítima sobre ser homem ou mulher. Ninguém mais pode ser simplesmente um ser humano com suas opções diversas, o aparelho biológico que você carrega é o que te difere na sociedade: a menos que você se junte ao movimento deles, é claro. É ainda um absurdo que estes que se denominam a favor dos direitos femininos ignorem todo o resto da questão, inclusive os outros que tem consciência sobre a diversidade do papel feminino e também, sexualidade, respeitando de forma racional a todos sem precisar dizer ou esperar que você mulher, passe batom e use salto.
O ato de assumir-se a si mesmo é antes de tudo, provavelmente a consideração maior que devemos fazer enquanto seres humanos. É a capacidade de consciência e de racionalidade total de quem você é – indiferente da sua condição física e dos atos impostos por aqueles do passado e também do presente, que os reforçam. A luta deve ser existencial. Fugir dos padrões é a maior liberdade que tanto você, homem ou mulher, pode realizar de direito concreto na sociedade atual, enquanto seu dever vai continuar escrachado por todos: o respeito mútuo.
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Izabela Remor

Cursa Filosofia na modalidade Licenciatura no Centro Universitário Internacional (UNINTER), anteriormente foi aluna na Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) na mesma modalidade de Artes Visuais. Atualmente é professora de Filosofia na rede pública de ensino do Paraná.

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