AnaLito II – O Analista de Bagé

Fonte: https://goo.gl/9Qe26A

Há quem veja a leitura, realizada por gosto, como ação praticada apenas pelos grandes intelectos. Porém, esquecemos que somos todos leitores, em maior ou menor grau, de acordo com a quantidade e a qualidade do que lemos. Para todos os casos, há um escritor e um leitor e, às vezes, quando na posição de escritores, precisamos adaptar-nos a nossos leitores no que diz respeito à linguagem, trejeitos e modos, respeitando os limites intelectuais de cada um e jamais menosprezando o alcance imaginativo de qualquer pessoa, quão instruída for.

Particularmente, não vejo meus pais lendo livros extensos; povo simples, da roça, com muitos causos para contar, que foram passados de boca em boca através das gerações; pessoas que até hoje leem com muita dificuldade. Apesar disso, noto que alguns livros acabam prendendo a atenção de ambos de forma muito efetiva, geralmente por conta da temática. Minha mãe, gaúcha, adora tirinhas e histórias sobre o Rio Grande do Sul e, apesar da dificuldade, dedica-se à leitura quando encontra um livro deste formato. Assim, a indicação de hoje, não só minha como da minha família, é uma das obras mais apreciadas de Luís Fernando Veríssimo. Apues, te aprochegue no pelego que o AnaLito de hoje é do livro O Analista de Bagé.

“História apócrifa é mentira bem – educada”.

O formato “Veríssimo” de escrita é facilmente reconhecível. Crônicas curtas, objetivas e cômicas preenchem praticamente todos seus livros até hoje publicados. Este livro, em especial, foi publicado não só com histórias do Analista, apesar destas serem destaque. O Analista de Bagé é uma figura cômica, grosseira, honesta e direta. Todas as histórias são ambientadas em seu consultório e seus tratamentos são, como ele mesmo diria, mais ortodoxos que Freud. Os pacientes são analisados e tratados de forma rápida, e o final sempre vem carregado com alguma máxima do personagem, tais como “Meleca de rainha é igual a minha!”, ou “Hai mil regras pra comê mas nenhuma pra cagá”.

Resultado de imagem para tirinhas analista de bage

Fonte: https://goo.gl/GVMWfE

Apesar da apelação cômica e distante da realidade, ler as crônicas deste analista tão singular remete – ao menos para quem é do Sul ou conhece alguém do local – a pais, avôs e um tempo onde problemas psicológicos não eram tratados e analisados da forma como são hoje, mas tidos como frescuras, bobeiras a serem ignoradas. Apesar de ofensivo para os dias atuais, a forma como o Analista se comporta e reage mediante os problemas dos pacientes é extremamente divertida e é impossível não ambientar as situações na mente durante a leitura.

Resultado de imagem para tirinhas analista de bage

Fonte: https://goo.gl/S12YJR

É impossível escolher apenas uma crônica para exemplificar toda a essência do Analista, portanto, utilizo-me deste espaço para indicar – e quero estar certa de que esta indicação será seguida – a leitura de pelo menos uma ou duas crônicas com este personagem. Garanto ser impossível parar ao concentrar-se no livro. Com isto, me despeço deste AnaLito curto, que objetivou muito mais indicar uma leitura divertida do que propriamente analisá-la, e deixo como dica que compartilhe dessa literatura com seus pais e com pessoas mais velhas. Tenho certeza absoluta que irão apreciar tanto quanto os meus amados pais, que dão boas gargalhadas toda vez que leem. Ademais, ala pucha, tchê! E até o AnaLito do mês que vem!

“Te abanca no más, que tá incluído no preço. E agora desembucha que tô com a salinha cheia de loco…”

Imprimir

Compartilhe:

Foto de perfil de Yasmin

Yasmin

Musicista, professora, escritora amadora e leitora profissional. Estudante de tudo que é interessante e curioso.

Pular para a barra de ferramentas