Almas descascadas

Prostrar-se, abafar-se, alucinar-se.  Diante da própria falência seria eu uma planta moída, uma planta cujo crescimento não se passava mais da altura dos meus sonhos.

Queria ser árvore o mais rápido possível para assumir o mundo e suas responsabilidades enraizadas, mas seria mais que isso, seria me transformar em uma alma “brotável”.

Queria sentir meus frutos sobrecarregando meu corpo, queria sentir a sensação das folhas caírem de mim e revigorarem em novas. Queria amadurecer…

O tempo talvez passasse e percebi que havia passado, correndo e atrapalhadamente bêbado, deixando minha vida raiz um tanto desmotivada, pois pensava eu que floresceria belamente, todavia eu aparentava descascada em breves miúdos vendo-me em morte degradante. Isso me falecia e me engolia.

Eu não gostava da minha casca velha ou nem era tão velha assim, mas a mim me incomodava e eu me descascava retirando-me aos pedaços, como se fosse uma renovação, porém era a crise da minha própria falência.

Percebera que eu era jovem demais e não sabia o porquê me descascava. Fazendo-me observar minhas partes em troncos vivos, me doía a alma de planta surrada.

Doía-me pensar que o regar não me fazia crescer, pois me ardia cada gota sob meus galhos descascados em carne viva.

Afundava-me na terra tentando me renovar, seria uma renovação passageira. Se eu não me controlasse tudo cairia no caos e eu nunca passaria de uma simples árvore, seria somente uns restos desvalidos da minha própria natureza.

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Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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