Agir por Consideração: Um sentimento Opressor

“Nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo.” – Friedrich Niezsche (1844 – 1900). Dedico o texto a todos àqueles que são altruístas, mas não ingênuos. Numa realidade em que qualquer pedido que nos é feito, indagamos prontamente: “O que eu ganho com isso?”, redijo esse texto em um momento de reflexão que venho há tempos “remoendo”.

É muito comum nos depararmos com situações do cotidiano em que necessitamos, por diversos motivos, de uma “mãozinha”, logo recorremos ao indivíduo camarada e inteligente que sabe desde o português correto até resolver um “problemão daqueles” que surgiu no seu computador. O que essas pessoas não sabem (digo, fingem não prestar atenção) é que esse “amigão de todas as horas” (de apuros), estuda, se dedica, passa horas praticando para ser melhor a cada dia.

Certa vez escutei a seguinte frase: “Quando for pedir um favor a alguém, peça àquela pessoa ocupadíssima, pois ela sempre vai ter um ‘tempinho’ para lhe ajudar. Ao contrário, aquele que não faz nada vai arrumar alguma desculpa para não fazê-lo”. Seguindo essa linha de raciocínio, percebo que as pessoas (ao menos a maioria) pensam que os indivíduos criativos, autênticos, entendedores, que têm alguma habilidade extraordinária também têm o ‘dever’ de satisfazer desejos alheios, compartilhar seus prazeres, etc. Oras, cada ser está aqui nesse lugar denominado Terra tendo direito de agir da forma que lhe convier, caso contrário de que liberdade falamos a vida toda? Aliás, o que é liberdade? Fica o convite para questionamento pessoal.

Mikhail Bakunin (1814 – 1876) escreveu, segundo seu conceito de liberdade: “Tudo que é humano no homem, e a liberdade mais do que qualquer outra coisa, é produto de um trabalho social, coletivo. Ser livre no isolamento absoluto é um absurdo inventado pelos teólogos e metafísicos. […] O homem só se torna verdadeiramente homem quando respeita e ama a humanidade e a liberdade de todos, e quando a sua humanidade e liberdade são respeitadas, amadas, suscitadas e criadas por todos.

Contudo, quando nos referimos às pessoas que nos fizeram muitas coisas, nos ajudaram, foram sinceras e estenderam a mão, encaramos a situação de forma oposta, com uma interpretação de forma a pensar em gratidão, mesmo assim, terá um limite para esse tal dever em retribuição? Às vezes chego a concordar – contra a própria vontade moral – com Adam Smith (1723 – 1790) que dizia: “O homem é um animal que faz barganhas.”

Com tudo isso, o indivíduo camarada, apesar de preferir fazer qualquer outra coisa, para não “perder a amizade”, acaba por agradar o próximo, com o sentimento de “dever cumprido”, ao menos poderá deitar a cabeça do travesseiro e dormir tranquilamente até que outro amigo necessite de um novo “favorzinho”.

Por fim, deixo um trechinho da música Quase Sem Querer, de Renato Russo: Quantas chances desperdicei / Quando o que eu mais queria / Era provar pra todo o mundo / Que eu não precisava / Provar nada pra ninguém.

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Renan Peruzzolo

Reside em Concórdia - SC; Graduando de direito na Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC). Interessa-se por assuntos referentes à Ciência Jurídica, Filosofia, Ciências Sociais, Economia, Relações Internacionais, Geopolítica, História e Psicologia/Neurociência.

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