A lágrima que não despenca, não cresce

Quem nunca se sentiu como aquela lágrima sobreposta nos olhos que ousa cair, mas pende se fortalecendo naquele abismo, pois ela sabe – ou não – da sua possível queda.

Quantas pessoas se sentem nessa ruína?

Uma dezena, um milhão se pende feito lágrimas indecisas. Cair não é fácil, é doloroso e cruel, mas ficar agarrado àqueles olhos, seria uma vitória?

Uma vontade de voltar para dentro daquela alma confusa e umedecer aquele terreno seco chamado humano, parecia fazer sentido pra mim. Não saber o motivo da minha saída em forma de angútia me deixava confusa e despreparada para o mundo exterior.

De nada adiantava, parecia inútil toda minha investida e força. Enquanto outras lágrimas despencavam daquela face, eu me fazia de forte agarrando-me a qualquer “cílio” de possibilidades.

Não sei qual era meu pensamento. Se de algum modo eu estava sendo expulsa daquele corpo é porque eu tinha que seguir outra sintonia. Seja qual fosse ela, eu não poderia permanecer para sempre agarrada a um momento desnecessário. Soltar minhas mãos daqueles olhos foi preciso.

Uma piscadela me sacudiu para longe, assim eu pude perceber que se não ousarmos uma vez na vida, ficaremos pendentes nos nossos próprios medos.

Somos tantas lágrimas despencadas de faces, como somos também lágrimas insistentes que preferem umedecer a nossa humilde casa humana.

Lavar o nosso corpo é tão difícil, principalmente quando se trata de lavá-lo pelos olhos e quando é uma água salgada. Amarga, essa lavagem é mais difícil ainda, porém precisa. Olhe pra si neste momento e se pergunte qual lágrima você é. Faça de tudo para que o motivo dela seja significativo pra você.

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Foto de perfil de Myra Soarys

Myra Soarys

Intensa. Provocadora e sabe o quer. Adora Literatura de cordel e música boa. É pintora e desenhista. De personalidade forte. Um pouco impaciente. Expõe seus pensamentos. Os mais sadios e os mais doentios.

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